Avenida General Norton de Matos no 1º Edital após o 25 de Abril

(Freguesias de Alvalade e mais e mais)

Freguesias de Alvalade, Lumiar, São Domingos de Benfica, Benfica, Carnide
(Foto: José Carlos Batista)

No próximo domingo, dia 23,  completam-se 147 anos do nascimento do  General Norton de Matos que em Lisboa dá nome a uma Avenida, logo desde o 1º Edital de toponímia após o 25 de Abril ( nº 161/1974), de 30/12/1974.

Após o 25 de Abril de 1974, a Câmara Municipal de Lisboa então gerida por uma Comissão Administrativa presidida pelo Eng.º Caldeira Rodrigues, mudou na toponímia da capital apenas 5 topónimos, de acordo com o parecer da Comissão Municipal de Toponímia na sua primeira reunião (15/11/1974), que defendia a «Necessidade de eliminação dos nomes afrontosos para a população, pela sua última ligação ao antigo regime» e assim, por edital de 30 de dezembro de 1974, foram alterados os seguintes topónimos: a Avenida Vinte e Oito de Maio passou a Avenida das Forças Armadas a Rua General Sinel de Cordes tornou-se a Rua Alves Redol, a Calçada de Santos alterou-se para Calçada Ribeiro dos Santos, a Estrada de Malpique converteu-se na Rua Dr. João Soares e, a Avenida Marechal Carmona foi transformada em Avenida General Norton de Matos.

Norton de Matos com Bernardino Machado em 1917 (Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Norton de Matos com Bernardino Machado em 1917
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

O homenageado, José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos (Ponte de Lima/23.03.1867 – 03.01.1955/Ponte de Lima) foi um militar e político que  se candidatou às eleições presidenciais de 1949, reivindicando a liberdade de propaganda e uma melhor fiscalização dos votos, exigências que o regime de Salazar se recusou a satisfazer mas que lhe granjearam vastos apoios populares e da oposição ao Estado Novo.

Norton de Matos havia começado a sua carreira na administração colonial na Índia (1898) e, em missão diplomática, viajou por Macau e pela China, coincidindo o seu regresso a Portugal com a proclamação da República, novo regime que se dispôs a servir sendo então Chefe do Estado-Maior da 5ª divisão militar (1911) e Governador-Geral de Angola (1912-1915). Foi chamado ao Governo como Ministro das Colónias e da Guerra (1915) e assim criou o Corpo Expedicionário Português. Após o sidonismo exilou-se em Londres e apenas aceitou um comando subalterno na Flandres. Em 1919, foi Delegado de Portugal na Conferência da Paz, promovido a General por distinção e, nomeado Alto Comissário da República em Angola, tendo então fundado a cidade de Huambo. Exerceu ainda as funções de Embaixador de Portugal em Londres (1924-1926), cargo de que foi afastado aquando da instauração da Ditadura Militar. Em 1929 foi eleito Grão-Mestre da Maçonaria Portuguesa (até 1935) e deixou como obra publicada títulos como A Província de Angola (1926), Memórias e Trabalhos da Minha Vida (1943-1946), Ensaio sobre Paiva Couceiro (1948) e A Nação Una (1953).

Placa Tipo IV

Placa Tipo IV
(Foto: José Carlos Batista)