A Calçada Ribeiro Santos no Dia do Estudante

Ribeiro Santos num mural de rua (Foto: Neves Águas, 1990, Arquivo Municipal de Lisboa)

Ribeiro Santos num mural de rua
(Foto: Neves Águas, 1990, Arquivo Municipal de Lisboa)

Como hoje é o Dia do Estudante lembramos a Calçada Ribeiro Santos que guarda a memória do estudante de Direito que foi assassinado pela PIDE em 12 de outubro de 1972 e, passados 22 meses teve nome de rua através do 1º Edital de toponímia após o 25 de Abril ( 30/12/1974), numa artéria próxima do Largo de Santos onde ele residira.

A Comissão Consultiva Municipal de Toponímia na sua reunião de 15 de novembro de 1974 tomou em consideração um despacho do então presidente da CML, Engº Caldeira Rodrigues, onde era solicitado «parecer da Comissão sobre a consagração na toponímia citadina, de nomes que a opinião pública impõe como Ribeiro Santos, Alves Redol, Bento Gonçalves e outros» e assim,  o  1º Edital de toponímia municipal ( de 30/12/1974) , alterou a denominação da Calçada de Santos para Calçada Ribeiro Santos, com a legenda « Militante Antifascista/1946 – 1972». A Calçada de Santos havia sido atribuída pelo Edital municipal de 13/09/1878 à parte da Rua 24 de Julho (Avenida 24 de Julho a partir de 1928) vulgarmente conhecida como Rampa de Santos. 

José António Leitão Ribeiro Santos (Lisboa/19.03.1946 – 12.10.1972/Lisboa) era um estudante da Faculdade de Direito de Lisboa, membro da Associação de Estudantes e, do grupo de estudantes de Direito «Ousar Lutar, Ousar Vencer» dirigido pelo MRPP, partido cujo núcleo da Faculdade de Direito integrou, com João Isidro e Saldanha Sanches. Com este último e Palmira Bastos também era membro do Comité Estalinegrado, direcção partidária para a Cidade Universitária. Desde 1967 que tinha o seu nome na polícia, pela participação no movimento estudantil de apoio às vítimas das cheias desse ano.

No decorrer de uma reunião de estudantes nas instalações do Instituto de Ciências Económicas e Financeiras de Lisboa (hoje Instituto Superior de Economia e Gestão – ISEG), designado «meeting contra a repressão», a 12 de outubro de 1972, introduziram-se no local elementos da PIDE  e Ribeiro Santos foi assassinado com dois tiros no peito por um agente dessa polícia política, acontecimento que marcou o movimento estudantil contra a ditadura até ao 25 de Abril. O seu funeral partiu da casa de Ribeiro Santos no Largo de Santos e contou com cerca de 5 mil pessoas no local e no Cemitério da Ajuda, somando também confrontos e prisões de 20 presentes por parte da polícia de choque. E na mesma data, no ano seguinte, houve manifestações em Lisboa e Porto.

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