A Travessa dos Teatros no Dia Mundial desta Arte

Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Rui Mendes)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Rui Mendes)

Por hoje ser Dia Mundial do Teatro evocamos a Travessa dos Teatros, que nos nossos dias une o Largo do Picadeiro à Rua António Maria Cardoso, a partir da deliberação camarária de 28/11/1893 e, o consequente Edital de 18/12/1893 que transformou a Travessa do Tesouro Velho em Travessa dos Teatros para recordar a proximidade deste arruamento ao Teatro de S. Carlos e ao Teatro de S. Luiz.

Mais ou menos 100 anos antes havia sido inaugurado o Teatro Nacional de São Carlos (em 30/06/1793), com a ópera La Ballerina Amante, de Domenico Cimarosa, mostrando desde logo a sua vocação para a produção de ópera, bem como de música coral e sinfónica, na então Rua Nova dos Mártires, num edifício de características neoclássicas  e rococó do arquiteto José da Costa e Silva, que em 1928 foi classificado como Monumento Nacional. Foi o Intendente Pina Manique que conseguiu a permissão da Coroa para a sua construção, alegando que seria uma fonte de receita para a obra de caridade  que era a Casa Pia, embora representasse também os interesses de modernização da sociedade portuguesa de um grupo de grandes negociantes de Lisboa que haviam prosperado na época pombalina, como o Barão de Quintela que cedeu os terrenos para o edifício em troca de um camarote de primeira ordem e foi mesmo Diretor do Real Teatro de São Carlos entre 1838 e 1840.

O hoje São Luiz Teatro Municipal foi inaugurado com a opereta A Filha do Tambor, de Offenbach, no ano seguinte ao da publicação do Edital da Travessa dos Teatros, em 22/05/1894, denominando-se então Teatro Dona Amélia e, delineado pelo arquiteto francês Louis-Ernest Reynaud  e modificado por Emilio Rossi, na que era a Rua do Tesouro Velho (hoje, Rua António Maria Cardoso). Contudo, desde 1892 que o ator Guilherme da Silveira defendeu a sua construção e constituiu uma sociedade para a sua edificação, atraindo investidores para o efeito como Luís de Braga Júnior, visconde de São Luís de Braga. Em 1896 passou também a dispor do Cinematographo e com a implantação da República foi rebatizado como Teatro da República. Quatro anos depois um incêndio destruiu o teatro mas o visconde de São Luís de Braga contratou o arquiteto Tertuliano Marques para o reconstruir de acordo com a traça original e foi reaberto a 16 de janeiro de 1916.  Em 1928 foi adaptado para cinema, como São Luiz Cine e, reabriu com Metropolis, de Fritz Lang. Em 1971, o espaço foi adquirido pela  Câmara Municipal de Lisboa, passando a denominar-se Teatro Municipal de São Luís. Em 1998, sofreu uma remodelação  com base num programa do arquitecto Francisco Silva Dias, sendo a sala principal um projecto do arquiteto Jorge Ramos de Carvalho do Departamento de Património Cultural da CML  e, a sala estúdio do  arquiteto José Romano.

A partir de 1990 veio somar-se um terceiro teatro,  o Teatro–Estúdio Mário Viegas, através da cedência de espaço do São Luiz à Companhia Teatral do Chiado.

Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Rui Mendes)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Rui Mendes)

Anúncios

3 thoughts on “A Travessa dos Teatros no Dia Mundial desta Arte

  1. Pingback: A Rua da professora de canto e cantora lírica Maria Júdice da Costa | Toponímia de Lisboa

  2. Pingback: As quietas Travessas de Lisboa | Toponímia de Lisboa

  3. Pingback: O Dia Mundial do Teatro pelas ruas de Lisboa | Toponímia de Lisboa

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s