O autor do 1º romance neorrealista português no 1º Edital de toponímia após o 25 de Abril

A 1ª edição de Gaibéus

A 1ª edição de Gaibéus

 

Lisboa guarda a memória do escritor Alves Redol,  autor do 1º romance neorrealista português,  desde Dezembro de 1974,  numa rua da Freguesia do Areeiro, em resultado do 1º Edital de toponímia da edilidade após o 25 de Abril (Edital nº 161/1974 de 30/12/1974).

Após o 25 de Abril de 1974, a Câmara Municipal de Lisboa então gerida por uma Comissão Administrativa presidida pelo Eng.º Caldeira Rodrigues, mudou na toponímia da capital apenas 5 topónimos, partindo do princípio da «Necessidade de eliminação dos nomes afrontosos para a população, pela sua última ligação ao antigo regime» seguindo as orientações que a Comissão Municipal de Toponímia havia definido na sua primeira reunião realizada em 15 de novembro de 1974. Considerou os «nomes que a opinião pública impõe como Ribeiro dos Santos, Alves Redol, Bento Gonçalves e outros» e assim, por edital de 30 de dezembro de 1974 foram alterados os seguintes topónimos: a Avenida Vinte e Oito de Maio passou a Avenida das Forças Armadas, a Avenida Marechal Carmona ficou Avenida General Norton de Matos, a Calçada de Santos tornou-se Calçada Ribeiro dos Santos, a Estrada de Malpique mudou para Rua Dr. João Soares e, a Rua General Sinel de Cordes – que havia sido atribuída por edital de 12/03/1932 à Rua 2 – passou a denominar-se Rua Alves Redol.

rua alves redol - placa

O homenageado, António Alves Redol (Vila Franca de Xira/29.12.1911– 29.11.1969/Lisboa) terminou o curso comercial e, salvo dois anos emigrado em África, conheceu atrás do balcão da loja de seu pai  o mundo dos gaibéus, dos camponeses e dos pescadores da sua região, cenário que passou para a sua obra de escritor. A sua primeira novela, Drama na Selva, foi publicada n’ O Notícias Ilustrado em 5 de junho de 1932, onde continuou a publicar, para além de colaborar assiduamente no jornal vila-franquense Mensagem do Ribatejo e no qual  dirigiu a página literária em 1939, ano em que também publicou Gaibéus, o primeiro romance neorrealista escrito em Portugal. Refira-se que o Museu do Neo-Realismo foi criado em Vila Franca de Xira e está sediado na Rua Alves Redol. Este romance é também o início do ciclo de temática ribatejana de camponeses e pescadores da borda d’água, que conta com Marés (1941), Avieiros (1942), Fanga (1943). 

O primeiro neorrealista português criou novelas, contos, romances, teatro, livros para crianças e estudos etnográficos. O seu Horizonte Cerrado (1949), 1º volume de uma trilogia sobre os vinhateiros do Douro, valeu-lhe o Prémio Ricardo Malheiros. Seguiram-se Os Homens e as Sombras (1951), Vindima de Sangue (1953), Olhos de Água (1954), A Barca dos Sete Lemes (1958), Uma fenda na Muralha (1959) –  drama dos pescadores da Nazaré – Barranco de Cegos (1962) e O Muro Branco (1966).

Como dramaturgo destacaram-se as suas peças  Maria Emília (1946),  Forja (1948) e O Destino Morreu de Repente (1967), que foram censuradas nas diversas tentativas para as levar à cena. Também escreveu para a infância e para a juventude, onde se destaca o seu Constantino Guardador de Vacas e de Sonhos  (1962) e, nos seus estudos etnográficos, salientamos Glória, uma Aldeia do Ribatejo  (1938).

Alves Redol faleceu em 1969 no Hospital de Santa Maria e, como escritor empenhado na luta pela melhoria de vida das classes trabalhadoras dedicara a sua vida também a fazer oposição ao regime de Salazar. Nos anos trinta do século XX  inseriu-se na luta antifascista clandestina e, na década seguinte, em 1945,  integrou a 1ª Comissão Central do M.U.D. – Movimento de Unidade Democrática, sendo também militante do Partido Comunista Português. Foi preso em 1944 e em 1963 e, participou nas várias campanhas da oposição democrática aquando da realização de «eleições» promovidas pelo regime.

 

1º edital apos 25 de Abril

1º edital  de toponímia após 25 de Abril

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