A rua do fundador do Colégio Moderno

Placa Tipo II

Placa Tipo II – Freguesia de Alvalade
(Foto: Artur Matos)

Por sugestão de centenas de munícipes, a Rua de Malpique (antes Estrada de Malpique) passou a denominar-se Rua Dr. João Soares, arruamento onde o próprio tinha residido e fundado o Colégio Moderno, pelo Edital nº 161/1974, o 1º de toponímia após o 25 de Abril. 

A Comissão Consultiva Municipal de Toponímia na sua reunião de 15/11/1974 analisou uma «Carta de várias centenas de munícipes solicitando que a Estrada de Malpique passe a denominar-se Rua Doutor João Soares, em homenagem ao falecido professor e educador, pai do actual Ministro Mário Soares», que considerou justificada «porquanto, o Doutor João Soares, ex-Ministro da Primeiro República e grande educador, viveu muitos anos no local e aí fundou o Colégio Moderno actual. Assim é de parecer que a Rua de Malpique passe a denominar-se: Rua Dr. João Soares – Educador e Ministro da República/1878 – 1970».

João Lopes Soares em 1911 e o seu livro de 1917 (Foto: Fundação Mário Soares)

João Lopes Soares em 1911 e o seu livro de 1917
(Foto: Fundação Mário Soares)

João Lopes Soares (Leiria/17.11.1878 – 31.07.1970/Lisboa), foi um pedagogo e político da 1ª República. Filho de Simão Pires Soares e Cristina de Jesus Lopes, formou-se em Teologia na Universidade de Coimbra no ano de 1900 e, tornou-se capelão militar em outubro de 1903, colocado no Regimento de Artilharia de Alcobaça de onde transitou em 1905/06 para a Infantaria 16, em Lisboa, cidade onde se iniciou na propaganda republicana o que lhe valeu a prisão e a transferência para o Regimento de Vila Viçosa, em agosto de 1908, passando depois por outros regimentos em Abrantes e na Covilhã.

Após a implantação da República, em 1911, integrou a Maçonaria com o nome de Rousseau e, foi nomeado professor do Instituto Profissional dos Pupilos do Exército. Depois foi sucessivamente Governador Civil da Guarda (1912), de Braga (1913) e de Santarém (1915), bem como vogal do Conselho Superior da Administração Financeira do Estado (1914 a 1926) e, deputado pelos Círculos de Guimarães e Leiria entre 1916 e 1926. Em 1917,  foi Secretário do Conselho de Ministros do governo da União Sagrada, e chefe de gabinete em vários ministérios, para em 1919 ser Ministro das Colónias, no governo chefiado por Domingos Pereira.

João Soares pediu a anulação das suas ordens eclesiásticas em 14 de maio de 1923 o que lhe foi confirmado apenas em agosto de 1927. Tomou parte em movimentações oposicionistas logo após o 28 de maio de 1926, tendo sido punido com a deportação para os Açores  e, a prisão no Forte de S. Julião da Barra, em Angra do Heroísmo (1933) e no Aljube (1934). Já antes, em 1918, após o golpe de Sidónio Pais, fora  exonerado de professor do Instituto dos Pupilos do Exército e acusado de deserção, pelo que se exilou em Vigo (Espanha) para evitar a prisão. Participou também no movimento de 10 de abril de 1947 com o Almirante Cabeçadas o que o conduziu uma vez mais à prisão.

Em 1936 fundou o Colégio Moderno, que dirigiu e no qual acolheu como professores, entre outros, Agostinho da Silva, Álvaro Cunhal  ou Álvaro Salema. Já num prefácio de 1924 defendera um ensino que desperte a curiosidade, num processo em que o aluno seja levado a ver e a relacionar os factos, uma visão progressista de um pedagogo que abraçou a República e, refira-se que a 17 de novembro de 1968, quando completou 90 anos de idade, João Lopes Soares foi alvo de uma grande homenagem dos seus antigos alunos.

João Soares foi ainda o autor de vários livros didáticos como Portugal Nossa Terra – Educação Cívica (1917), com Elísio de Campos e aprovado pelo Governo como manual destinado às escolas primárias e normais, Quadros de História de Portugal (1917), História de Roma e da Idade Média (1922), A Idade Moderna e Contemporânea (1922), Atlas Auxiliar de Iniciação Geográfica (1924), Atlas Histórico-Geográfico (1924) ou Novo Atlas Escolar Português (1925).

Freguesia de Alvalade (Foto: Artur Matos)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Artur Matos)

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4 thoughts on “A rua do fundador do Colégio Moderno

  1. Pingback: Os primeiros dois princípios da Comissão e o 1º Edital de Toponímia pós 25 de Abril | Toponímia de Lisboa

  2. Pingback: A Rua do Engenheiro primeiro presidente da CML após o 25 de Abril | Toponímia de Lisboa

  3. Hoje gostei imenso disto 

    Quoting Toponímia de Lisboa : > > > > toponimialisboa posted: ” Por sugestão de centenas de munícipes, a > Rua de Malpique (antes Estrada de Malpique) passou a > denominar-se Rua Dr. João Soares, arruamento onde o próprio tinha > residido e fundado o Colégio Moderno, pelo Edital nº 161/1974, o 1º > de toponímia após o 25 de” > > > > > >

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