A rua alfacinha de Alfredo Roque Gameiro nos seus 150 anos

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Artur Matos)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Artur Matos)

Alfredo Roque Gameiro, o aguarelista das ruas alfacinhas, nasceu há 150 anos e em Lisboa deu o seu nome à  Rua O do chamado Bairro Santos à Rua da Beneficência –  local antes identificado como Quinta do Lagar Novo -, vinte e oito anos após a sua morte.

Esta atribuição toponímica resultou de um ofício do Ministério da Educação Nacional – Direcção do Ensino Superior e das Belas Artes, de 29/10/1962, que indicava nomes de pintores para serem topónimos, sugestão acolhida pela edilidade lisboeta que assim consagrou pelo Edital de 09/09/1963 no Bairro Santos, para além de Alfredo Roque Gameiro,  os pintores Alberto de Sousa (Rua B) e  Falcão Trigoso (Rua K).

Alfredo Roque Gameiro (Alcanena- Minde/04.04.1864 – 05.8.1935/Lisboa) foi um pintor que se destacou como aguarelista mas que abrangeu mais áreas como a ilustração. Iniciou a sua carreira artística como desenhador-litógrafo, nas oficinas do seu irmão Justino Guedes Roque Gameiro, no nº 12 da Rua da Oliveira ao Carmo, onde produziu uma vasta obra como ilustrador de livros, revistas e jornais. De 1874 a 1883 conjugou este trabalho com estudos à noite na Academia de Belas Artes de Lisboa e, foi aluno de Manuel de Macedo, José Simões de Almeida e, do pintor espanhol Enrique Casanova, tendo também frequentado em 1893 a Escola de Artes e Ofícios de Leipzig como bolseiro do governo português.

De 1886 a 1894, assumiu a direcção artística das Oficinas da Companhia Nacional Editora, que deixou para ser professor da Escola Industrial Príncipe Real. Roque Gameiro também  ilustrou o Álbum de Costumes Populares Portugueses (1888) e a grande edição ilustrada de Os Lusíadas, com Manuel de Macedo, publicada pela Empreza da História de Portugal em 1900, assim como coordenou em termos gráficos a edição da primeira História de Portugal Ilustrada de Manuel Pinheiro Chagas (1915/17) e, colaborou com vários jornais, como A Comédia Portuguesa mas, sobretudo com O Século. 

Em 1911, Roque Gameiro instalou o seu atelier em Campolide já que estava empenhado em retratar a Lisboa em transformação do  final do século XIX e início do século XX, os seus usos e costumes. As suas aguarelas de Lisboa estão reproduzidas no álbum  Lisboa Velha (1925), com prefácio de Afonso Lopes Vieira e,  documentam hoje o passado alfacinha de artérias como o Beco dos Curtumes, a Rua do Arco do Marquês de Alegrete, as Escadinhas e a Rua de São Miguel, a Rua da Judiaria, o Largo do Menino Deus, a Rua do Benformoso, a Rua das Farinhas ou a Rua da Madalena. Também pintou aguarelas historiográficas de que Egas Moniz presta lealdade ao rei de LeãoTomada de Santarém aos Mouros, Gil Vicente na Côrte de Dona Leonor, Partida de Vasco da Gama para a Índia, Filipa de Vilhena armando cavaleiros os seus dois filhosProclamação da Independência de Portugal ou Marquês de Pombal e a reconstrução de Lisboa depois do Terramoto de 1755 são exemplo. Como retratista, obteve a medalha de ouro na Exposição de Paris de 1900, com Retrato de Sua Mãe e, na década de quarenta o Secretariado de Propaganda Nacional/SNI instituiu um Prémio com o seu nome. 

O mar e o mundo rural foram outras temáticas da sua pintura, com paisagens luminosas e de riqueza cromática, considerando José-Augusto França que «Roque Gameiro deve ser tomado como o marinhista mais fino e mais hábil que, dentro do sistema romântico-naturalista, houve em Portugal, ganhando nesse domínio vantagem ao rei D. Carlos».

A obra de Alfredo Roque Gameiro está representada em Lisboa no Museu da Cidade, no Museu do Chiado-Museu Nacional de Arte Contemporânea e na Fundação Gulbenkian. Foi ainda agraciado com a Medalha de Ouro da Cidade (1934), para além de um jardim junto ao Tejo, no Cais do Sodré, ter também o seu nome. 

Na Amadora,  onde fixou residência em 1898, dá nome a uma escola secundária e, à Casa Roque Gameiro que foi a sua morada. Na sua terra natal,  existe o Centro de Artes e Ofícios Roque Gameiro, que inclui o Museu de Aguarela Roque Gameiro. E ainda podemos encontrar a sua pintura exposta no Museu Grão Vasco, no Museu José Malhoa e no Museu de Arte Contemporânea de Madrid.

E para além da sua obra em tela, Roque Gameiro deixou-nos também os seus 5 filhos para lhe seguirem as pisadas artísticas: os pintores Raquel Roque Gameiro (também com nome de rua na Freguesia de São Domingos de Benfica, pelo Edital de 04/11/1970), Manuel Roque Gameiro, Helena Roque Gameiro, Mamia Roque Gameiro e o escultor Rui Roque Gameiro.

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Artur Matos)

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(Foto: Artur Matos)

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