A Avenida do autor de «Portugal e o Futuro» e 1º Presidente da República após o 25 de Abril

Spinola Capa

O General Spínola, que havia sido Governador da Guiné, publicou na Livros Horizonte em fevereiro de 1974 o livro «Portugal e o Futuro», no qual defendia que a solução para a guerra colonial jamais seria militar mas antes política e, advogava a constituição de uma federação com os territórios ultramarinos, o que funcionou também como bandeira para os capitães do MFA – Movimento das Forças Armadas que em 25 de Abril de 1974 o conduziram a Presidente da Junta de Salvação Nacional e, consequentemente, a ser o primeiro Presidente da República Portuguesa após a Revolução dos Cravos.

António Sebastião Ribeiro de Spínola (Estremoz/11.04.1910- 13.08.1996/Lisboa), filho de uma família abastada cujo pai fora inspetor-geral de Finanças e chefe de gabinete de Salazar no Ministério das Finanças, foi um militar de carreira que em 1968, foi chamado para as funções de governador e comandante-chefe das Forças Armadas da Guiné, cargos para que voltou a ser nomeado em 1972, por recondução, mas que não aceitou alegando falta de apoio do Governo da nação. Em novembro de 1973, Marcelo Caetano numa tentativa de o colocar do lado do regime convidou-o para a pasta de ministro do Ultramar, mas Spínola declinou. Por sugestão de Costa Gomes, foi nomeado vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas a 17 de janeiro de 1974, cargo de que é demitido em Março por, tal como Costa Gomes, se ter recusado a participar na manifestação de apoio ao Governo e à sua política que ficou conhecida como «A Brigada do Reumático».

A 25 de Abril de 1974, como representante do MFA – Movimento das Forças Armadas, aceitou do Presidente do Conselho, Marcelo Caetano, a rendição do Governo, o que na prática significou uma transmissão de poderes, para a Junta de Salvação Nacional, órgão que passou a deter as atribuições dos órgãos fundamentais do Estado.

O General António de Spínola ocupou a Presidência da República de 15 de maio de 1974 a 30 de setembro de 1974, altura em que renunciou e foi substituído pelo General Costa Gomes, após a tentativa falhada de golpe da chamada «Maioria Silenciosa», a 28 de setembro de 1974, onde esteve envolvido e, que procurou repetir no golpe de 11 de março de 1975. O seu mandato foi conturbado pelas suas tentativas de concentrar o poder na figura presidencial. Spínola tentou logo dissolver o MFA e concentrar poderes na Junta de Salvação Nacional a que presidia, para o que escolheu oficiais da sua total confiança para postos-chave, nomeadamente para as Regiões Militares, assim como escolheu Adelino da Palma Carlos para primeiro ministro do 1º Governo Provisório, procurando uma alteração do quadro constitucional, e sobretudo, na tentativa de ser seu exclusivo o complexo processo da descolonização.

Pelo Edital municipal de 23/04/2004 foram dados a Avenidas de Lisboa os nomes dos dois primeiros Presidentes da República após o 25 de Abril de 1974 : Marechal António de Spínola e Marechal Francisco da Costa Gomes. A Avenida Marechal António de Spínola foi oficialmente inaugurada em 11/04/2010 , dia do 100º aniversário do homenageado.

 

Freguesia de Marvila - Placa Tipo IV (Foto: AA)

Freguesias de Alvalade, Marvila e Areeiro  – No dia da inauguração em 11/04/2010 

4 thoughts on “A Avenida do autor de «Portugal e o Futuro» e 1º Presidente da República após o 25 de Abril

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  3. Parabéns por me darem a conhecer todos estes pormenores. Sou de Lisboa, mas não conheço nem metade das informações que me dão, claro que não me refiro a esta, pois é muito recente.

    Cumprimentos

    Quoting Toponímia de Lisboa : > > > > toponimialisboa posted: ” O General Spínola, que havia sido > Governador da Guiné, publicou na Livros Horizonte em fevereiro de > 1974 o livro «Portugal e o Futuro», no qual defendia que a solução > para a guerra colonial jamais seria militar mas antes política e, > advogava a constitui” > > > > > >

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