O Largo do escritor Castro Soromenho

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Castro Soromenho deu nome ao  Largo situado no início da Rua Cidade de Tete onde se encontram implantados os Lotes 515 a 518, na  freguesia dos Olivais, pelo 5º Edital de Toponímia após o 25 de Abril, de 14 de agosto de 1975, com a legenda «Escritor/1910 – 1968».

Fernando Monteiro de Castro Soromenho (Moçambique – Chinde/31.06.1910 – 18.06.1968/Brasil – São Paulo) foi um jornalista, romancista, etnólogo e editor, cujos  progenitores nasceram  ambos no Porto, sendo a mãe de ascendência de família radicada em Cabo Verde e o pai um governador de Luanda, pelo que passou parte da infância e da juventude em Angola, embora tenha feita feito os seus estudos primários e secundários como interno num colégio do Sardoal, entre 1916 e 1925Regressou depois a Angola para trabalhar na Companhia de Diamantes de Angola e mais tarde, como funcionário do  quadro administrativo de Angola, lugar que abandonou para ser redator do jornal Diário de Luanda colaborador do Jornal de Angola.

Largo Castro Soromenho na Freguesia dos Olivais

Largo Castro Soromenho na Freguesia dos Olivais

Aos 27 anos veio para Lisboa e dedicou-se ao jornalismo, como chefe de redação do semanário Humanidade e, colaborando também em jornais e revistas como o Diário Popular, A Noite, o Jornal da Tarde, O Século,  O Diabo, O Mundo Português, O Primeiro de Janeiro, a Seara Nova e, o jornal literário brasileiro Dom Casmurro. Iniciou também uma carreira de escritor,  sendo Nhárí o seu primeiro livro escrito embora o 3º a ser publicado, inserido no movimento neorrealista português, embora ele próprio se venha também a assumir como escritor angolano pelo contexto histórico e etnográfico colonial dos seus contos e romances.

Em 1948, Castro Soromenho, Adolfo Casais Monteiro e António Pedro foram os responsáveis pela propaganda eleitoral na rádio do General Norton de Matos, candidato oposicionista à presidência da República e, no ano seguinte Castro Soromenho embarcou para o Brasil como correspondente do Diário Popular. No Rio de Janeiro, acertou com o editor Arquimedes de Melo Neto, a constituição da editora Sociedade de Intercâmbio Cultural Luso-Brasileira que acabou dissolvida pelos sócios em 1953 e, Castro Soromenho fundou a Editorial Sul, em sociedade com seu cunhado Raúl Mendonça, que aparece, nos documentos oficiais, como sendo o responsável pela empresa, pois o escritor sabia que as autoridades não permitiriam o funcionamento da editora se o seu nome figurasse nos documentos oficiais. Aí publicou O românico em Portugal (1955) e  O azulejo em Portugal (1957), ambos do Prof. Reinaldo dos Santos; a edição de luxo em 3 volumes de Guerra e paz (1956), de Tolstoi,  traduzida por João Gaspar Simões e ilustrada por Júlio Pomar ou  Azazel: peça em 3 actos (1956) de José-Augusto França. Em 1957, a  Ulisseia publicou Viragem de Castro Soromenho e, não tendo o livro sido proibido, fecharam a Editorial Sul sob a alegação de irregularidades administrativas e, Castro Soromenho só continuou editor de forma encoberta, com a ajuda do seu sócio Rogério de Moura.

De 1959 a 1960 Castro Soromenho integrou  uma rede de conspiração para o derrube do regime salazarista e, quando no início de abril de 1960 apareceu numa praia o cadáver de um dos membros da conspiração  – episódio que inspirou Balada da praia dos cães de José Cardoso Pires – pensou ser um assassinato da PIDE e resolveu exilar-se, pelo que algumas semanas depois quando a PIDE lhe invadiu a residência na Praça das Águas Livres para prendê-lo já não o encontrou.

Castro Soromenho exilou-se em França até 1965, onde trabalhou como leitor de português e espanhol na editora Gallimard e colaborou nas revistas Présence Africane e Révolution, nas quais publicou contos e dois ensaios sobre a rainha Jinga. Fez apenas um hiato de cerca de uma ano no qual esteve nos Estados Unidos da América como professor de Literatura Portuguesa na Universidade do Wisconsin. Posteriormente, foi viver para o Brasil onde  se dedicou ao estudo da etnografia angolana, tendo sido um dos fundadores do Centro de Estudos Africanos da Universidade de São Paulo e, regeu cursos na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São de Paulo e na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara.

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4 thoughts on “O Largo do escritor Castro Soromenho

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  3. Houve um lapso nas datas de nascimento e morte de Castro Soromenho, que, corretamente, são as seguintes: Chinde, 31 de Janeiro de 1910 – São Paulo, 18 de Junho de 1968.

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