No Dia Mundial do Trânsito, a Rua da italiana Nossa Senhora do Loreto

Rua do Loreto no final do séc. XIX (Foto: Fulano de Tal, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua do Loreto no final do séc. XIX (Foto: Alberto Carlos Lima, Arquivo Municipal de Lisboa)

 

Como hoje é Dia Mundial do Trânsito evocamos uma artéria lisboeta onde o intenso tráfego automóvel é uma constante por via das suas dimensões,  a Rua do Loreto, na Freguesia da Misericórdia, que recebe este topónimo pela proximidade à Igreja de Nossa Senhora do Loreto, conhecida popularmente como Igreja dos Italianos e, construída em 1517.

Luís Pastor de Macedo (Lisboa de Lés a Lés, vol. III) refere que esta artéria «É uma parte do antigo caminho que ia das Portas de Santa Catarina (Largo do Chiado) para Santos e Alcântara». Já João Brandão na sua Estatística de Lisboa de 1552 lhe dá o nome de rua do Loreto,  e ainda de acordo com Pastor de Macedo, os sacadores da derrama de 1565 designam-na por rua dr.tª q vay do loreto pª calçada do congro, o cura da Sé, em 1605, por rua direita da porta de Sª Cª, e os registos paroquiais da freguesia da Encarnação dão-lhe geralmente a denominação simples de rua Direita e, algumas poucas vezes de rua Direita do Loreto e,  só por acaso de rua do Loreto. O olisipógrafo refere ainda que «Depois do terremoto, isoladamente, deram-lhe também o nome de rua Larga do Loreto. Esta rua, antes da demolição dos célebres casebres do Loreto (ruínas do palacete dos Marialvas) e portanto antes de se ter feito a praça Luís de Camões, chegava pelo nascente até à rua Larga de S. Roque, hoje rua da Misericórdia.»

Norberto Araújo (Peregrinações em Lisboa, vol. V) foca a sua atenção em tempos mais recuados e narra a partir da Porta fortificada de Santa Catarina «Construída em 1373-1375, como te disse, era uma das mais importantes saídas de Lisboa. (…) Êste sítio, onde a Porta de Santa Catarina assentou, chamava-se da parte de fora, Largo do Loreto, designação lógica que se manteve até há poucos anos, e, da parte de dentro, Largo da Cordoaria Nova, porque, no traçado anterior ao Terramoto, e na extensão sul da área do quarteirão edificado depois entre as Ruas do Alecrim e António Maria Cardoso, se rasgava uma Rua da Cordoaria Nova, sem saída, e cujo comêço se encostava à face nascente da Igreja da Encarnação;(…) Demolida a Porta, o Largo passou a ser do Loreto e, depois, das Duas Igrejas, designação que o povo sustenta, e é justificada pelo realismo da presença dos dois templos. (…) O velho Largo do Loreto seiscentista era dos mais bizarros quadros de Lisboa da crónica velha; desde que a área se desafogou nos dois séculos seguintes, mesmo depois do Terramoto, o Largo das duas Igrejas tornou-se, caprichosamente, um pitoresco sítio de trânsito e de estadio, animado e vivo, passagem obrigatória de tudo quanto a Cidade, antes do Romantismo, tinha de grácil, de distinto e de popular a um tempo (…) Mas, já agora, falemos da Igreja do Loreto, a mais antiga das duas: Igreja dos Italianos. Neste local existia uma ermida de Santo António, em pleno ermo do fim do século XV. Em 1518 os italianos residentes em Lisboa escolheram-na para a sua paróquia, trocando o orago português pelo da Virgem ou N. Senhora do Loreto e, em 1573, ampliaram o templo(…).»

A Rua do Loreto no dia 25 de Abril de 1974 (Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua do Loreto no dia 25 de Abril de 1974 (Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)