A Rua da escritora do humor e ironia Fernanda Botelho

Freguesia de Benfica (Foto: Rui Mendes)

Freguesia de Benfica (Foto: Rui Mendes)

Fernanda Botelho que declarava que «Nem na morte vou perder o meu sentido de humor nem a minha ironia» foi inscrita na toponímia lisboeta pelo Edital de 02/08/2013, a partir da conjugação da Proposta nº 116/P/2008 dos Vereadores Cidadãos por Lisboa e da carta da Junta de Freguesia de Benfica a solicitar que o arruamento com início no nº 553 da Estrada de Benfica, junto ao Jardim de Infância de Benfica nº1, passasse a ter o nome desta escritora.

Maria Fernanda Botelho de Faria (Porto/01.12.1926 –  11.12.2007/Lisboa), proibida pela mãe de se inscrever no curso de Direito acabou por se licenciar em Filologia Clássica e fez a sua estreia literária com a publicação de um livro de poesia: Coordenadas Líricas (1951). Contudo, Fernanda Botelho enveredou depois pela prosa com vários títulos de que salientamos a novela O Enigma das Sete Alíneas (1956), A Gata e a Fábula (1960),  Xerazade e os outros (1964), Terra sem Música (1969), Lourenço é nome de Jogral (1971), Esta noite sonhei com Brueghel (1987), Festa em Casa de Flores (1990), Dramaticamente Vestida de Negro (1994), As contadoras de histórias (1998) e Os Gritos da Minha Dança (2003).

Fernando Botelho escreveu o retrato da sua época, com o distanciamento da ironia e do sarcasmo, para fazer a síntese das perplexidades da geração de 1950-1960 e, sobretudo, testemunhar a inquietação humana, com um cunho vanguardista por abordar já  temas como o adultério feminino e as ménages a trois de forma clara e sem preconceitos. Foi agraciada com diversos prémios, como o Prémio Camilo Castelo Branco (1960),  o Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários (1987),  o Prémio Municipal Eça de Queirós da CML (1990) , o  Prémio PEN Clube Português de Ficção (1994) e o Grande Prémio do Romance da Associação Portuguesa de Escritores (1998).

Fernanda Botelho fixou residência em Lisboa na década de cinquenta do século passado, para trabalhar como secretária da delegação em Lisboa do Turismo Oficial da Bélgica, organismo que viria a dirigir  entre 1973 e 1983. Também colaborou desde 1982 com a Fundação Calouste Gulbenkian, na Comissão de Leitura do Serviço de Bibliotecas Itinerantes e Fixas, bem como no Serviço de Educação e Bolsas, para além de ter produzido inúmeras traduções de Stendhal, Sartre, Baudelaire, Françoise Sagan,  sendo que  O Inferno de Dante lhe valeu uma medalha da Direção Geral das Relações Culturais de Itália.

Com o poeta Luís de Macedo foi também cofundadora da revista Távola Redonda, tendo no 1º número (em janeiro de 1950) publicado 6 poesias suas. Colaborou ainda nas revistas Colóquio/Letras, Europa e Graal, assim como em diversos jornais como o Diário de Noticias, e ainda na televisão, no programa Convergência, para além de ser membro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Lusíada de Ciências, Letras e Artes brasileira, tendo ainda sido condecorada com a Ordem de Leopoldo I da Bélgica, com a Cruz de Prata da Agrupación Española de Fomento Europeo e, com o grau de Grande-Oficial da Ordem de Mérito portuguesa.

dfernanda botelho-edital 45

Freguesia de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s