A Avenida do poeta provençal

 

Le Petit Journal  de 25.12.1904

Le Petit Journal de 25.12.1904

Frédéric Mistral, poeta galardoado com o Prémio Nobel em 1904, foi reconhecido 26 anos depois pela cidade de Lisboa, através da atribuição do seu nome ao  arruamento projetado entre as Avenidas de Berna e de Elias Garcia, como Avenida Poeta Mistral (Provençal), conforme regista o Edital de 27/12/1930, a partir da proposta do General Vicente de Freitas, então Presidente da edilidade.

De seu nome completo Joseph Étienne Frédéric Mistral (Maillane/08.09.1830 – 25.03.1914/Maillane), ou Frederi Mistral ou Mistrau em provençal,  foi um escritor francês que se dedicou à poesia em língua provençal ( ou occitana) e liderou a moderna revivescência deste idioma no sul da França. A sua poesia épica foi fundamental para reabilitar o antigo idioma provençal e a cultura do País d’Oc.

O poeta Mistral estudara em Avinhão onde em 1845 conheceu o poeta Roumanille, autor do poema provençal «Li Margarideto», encontro que lhe inspirou   um poema em 4 cantos denominado «Li Meisson». Uniram-se e fundaram em 1854 o movimento do félibrige para promover a língua occitana, que contou também com a ajuda de Alphonse de Lamartine e que acolheu  todos os poetas provençais expulsos de Espanha por Isabel II. Publicavam também um órgão anual intitulado L’Armana Prouvençau. Em 1859, Mistral publicou a sua obra principal, o poema Mirèio, narrativa pastoral do amor de Vincent e de Mireia em 12 cantos e revelação do felibrismo, que teve em 1863 uma versão em ópera de Charles Gounod.

Frederi Mistral produziu ainda Calendal, NerteLis isclo d’or , Lis oulivado, O poema do Ródanoainda codificou a ortografia no Tesouro do Felibrige (1878-1886), um dicionário provençal-francês com os vários dialetos do idioma d’oc moderno. Defendeu as suas convicções federalistas também através do seu jornal L’aioli, fundado em 1891, mas não conseguiu que a língua provençal fosse ensinada na escola primária.

Quando recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1904, atribuído nesse ano também ao dramaturgo espanhol José Echegaray y Eizaguirre, criou o  Museu Arlaten , em Arles, dedicado ao modo de vida e história da Provença.

Em 1961 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

Avenida Poeta Mistral em 1961 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

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