A Rua do 1º Presidente da República Portuguesa

Freguesia da Estrela (Foto: José Carlos Batista)

Freguesia da Estrela
(Foto: José Carlos Batista)

A Rua Presidente Arriaga consagra o 1º Presidente da República Portuguesa, três anos após a sua morte (pelo Edital de 18/05/1920), na que era a Rua de São Francisco de Paula,  com a extensa  legenda de «Primeiro Presidente da República Portuguesa Eleito pela Assembleia Nacional Constituinte em 24 de Agosto de 1911/Nasceu em 08.07.1840 e Morreu em 05.03.1917».

Manuel José de Arriaga Brum da Silveira (Horta/08.07.1840 – 05.03.1917/Lisboa) foi o 1º Presidente da República Portuguesa constitucionalmente eleito, com o apoio parlamentar dos partidários de António José de Almeida e Brito Camacho, em 24 de agosto de 1911, aos 71 anos.

Filho de Sebastião de Arriaga e de Maria Antónia Pardal Ramos Caldeira de Arriaga, ambos descendentes de famílias nobres açorianas, desde novo se empenhou na propaganda republicana o que lhe valeu ser deserdado pelo pai e obrigado a dar aulas de Inglês no liceu para conseguir custear os seus estudos na Universidade de Coimbra onde se formou em Leis  em 1865 e, foi depois advogado com escritório em Lisboa, professor universitário e político.

Destaque-se do seu percurso de vida ter sido vereador na Câmara Municipal de Lisboa no biénio 1886-1887; a defesa que fez de António José de Almeida em 1890 por causa do artigo «Bragança, o último» no jornal académico O Ultimatum; o ser membro do Directório do Partido Republicano (1891); ter sido deputado em duas legislaturas ainda durante a Monarquia (1882 e 1892) ;  a sua nomeação como reitor da Universidade de Coimbra em 17 de Outubro de 1910 e, um mês depois como  Procurador-Geral da República, bem como a sua eleição para as Constituintes de 1911 pelo círculo da Madeira.

Manuel de Arriaga enquanto Presidente da República desenvolveu uma política baseada em propósitos de defesa da honra nacional e na concórdia de toda a família portuguesa que colidiu com as tendências golpistas sempre presentes no novo regime e, em 1915, ao empossar Pimenta de Castro, que envolveu a dissolução do Parlamento, mais a amnistia de Paiva Couceiro,  o Parlamento considerou-o fora da lei e setores da Armada chefiados por Leote do Rego e José de Freitas Ribeiro no que ficou conhecido como a Revolta de 14 de maio de 1915 demitiram o Governo e obrigaram Manuel de Arriaga a resignar em 26 de maio de 1915, após o que se retirou da atividade política, tendo escrito e publicado a sua experiência em Na Primeira Presidência da República Portuguesa (1916).

Manuel de Arriaga no Galeria Republicana, abril de 1882

Manuel de Arriaga no Galeria Republicana, abril de 1882