A Rua do Dantas, pim!

Freguesias das Avenidas Novas e de Campolide (Foto: José Carlos Batista)

Freguesias das Avenidas Novas e de Campolide (Foto: José Carlos Batista)

Júlio Dantas, que nos dias de hoje é mais conhecido pelo poema-manifesto que Almada Negreiros lhe dedicou em 1915, passou a nome de rua lisboeta pelo Edital de 17/12/1963, como Rua Dr. Júlio Dantas, com a legenda «Escritor e Eminente Académico/1876 – 1962», crismando assim o arruamento que era conhecido como Rua A à Rua Ramalho Ortigão, ou Rua A à Rua Fialho de Almeida ou ainda, Rua A à Avenida Ressano Garcia.

Júlio Dantas (Lagos/19.05.1876 – 25.05.1962/Lisboa),  estudou no Colégio Militar e em 1900 formou-se em Medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, com a tese «Pintores e poetas de Rilhafoles», e dois anos depois ingressou no Exército como oficial médico, no campo da psiquiatria, mas rapidamente abandonou esta área, tendo-se destacado mais como dramaturgo e político.

Das suas obras destaque-se A Severa (1901)A Ceia dos Cardeais (1902)Os Crucificados (1902), A CastroRosas de Todo o Ano (1907) ou O Reposteiro Verde (1921), que alcançaram grande êxito, sendo que a primeira enunciada serviu de base ao 1º filme sonoro português, de Leitão de Barros, em 1931. Consoante as épocas, Júlio Dantas escrevia uma peça que se adequava e assim, quando da Lei da Separação do Estado e da Igreja de Afonso Costa  publicou a peça A Santa Inquisição (1910); com o Estado Novo lançou Frei António das Chagas, um «elogio de quem se sacrifica, se imola pela Pátria» e, com o final da II Guerra, prevendo a queda do salazarismo introduziu na peça Antígona (1946) uma crítica velada a Salazar equivalendo-o ao personagem Creonte. Do ponto de vista estilístico, a sua obra situa-se entre o romantismo e o parnasianismo, sendo predominantes  os temas históricos no teatro e nas novelas , sendo Nada (1896) o seu 1º livro de poesia e, destacando-se ainda a sua novela Pátria Portuguesa (1914) e, as diversas colaborações que manteve em jornais e revistas. 

Foi ainda Comissário do Governo junto do Teatro D. Maria II, Professor de História da Literatura e Diretor da Secção Dramática no Conservatório Nacional bem como, um dos fundadores da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses (SECTP) de que também foi o 1º presidente, assim como se tornou desde 1908 sócio da Academia das Ciências de Lisboa de que viria a ser Presidente a partir de 1922.

Na política, foi deputado na Monarquia (1905),  ministro da Instrução Pública e dos Negócios Estrangeiros na Primeira República (1921-1923) e, no Estado Novo, deputado, embaixador (no Brasil) e Presidente da Comissão Executiva dos Centenários (1938-1940). 

Júlio Dantas casou-se no registo civil e determinou para si uma cerimónia fúnebre exclusivamente civil para além de ter sido agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Brasil (1949) e de Coimbra(1954), bem como com a Ordem Militar de Santiago da Espada (1920 e 1930) e a Ordem Militar de Cristo (1930).

na Ilustração Portuguesa 14.03.1904

na Ilustração Portuguesa de 14.03.1904

 

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