O pintor modernista Jorge Barradas numa Rua de Benfica

Autocaricatura publicada na Ilustração Portuguesa

Autocaricatura publicada na Ilustração Portuguesa

No próprio ano do falecimento de Jorge Barradas, teve este pintor e ceramista  o seu nome atribuído à artéria formada pelas Ruas III e IV à Estrada dos Arneiros, por Edital de 25/11/1971.

O mesmo Edital atribuiu na proximidade a Rua João Ortigão Ramos, em homenagem a este  cinéfilo que ajudou a erguer a Tobis Portuguesa e que dirigiu o Automóvel Clube de Portugal, onde aliás, em no mês de maio de 1920,  fez Jorge Barradas uma exposição individual.

Jorge Nicholson Moore Barradas (Lisboa/1894 – 1971/Lisboa), também conhecido como o «Barradinhas», foi um pintor e ceramista da primeira geração dos modernistas portugueses, que participou nas primeiras manifestações «livres» destes na primeira década do século XX . Nos anos vinte foi o mais popular dos ilustradores lisboetas de jornais e revistas, tendo sido um dos mais assíduos do Sempre Fixe. Em 1925, participou na decoração do Bristol Club e executou duas telas para a Brasileira do Chiado.

Com Henrique Roldão fundou e, dirigiu o quinzenário O Riso da Vitória, que embora efémera foi uma das mais brilhantes publicações humorísticas portuguesas. Foi ainda director artístico do ABC a Rir, dando depois o lugar a Stuart de Carvalhais. Participou, desta forma, numa tentativa de renovação gráfica protagonizada por uma geração que se inspirava no estrangeiro e que atravessa a imprensa periódica e a publicidade portuguesa nos anos 20. Na sua obra gráfica são notórias as influências da Arte Nova e da Art Déco. Mas isto não impediu Jorge Barradas de ter um traço original e moderno, cheio de qualidades, de que são exemplo os desenhos que publicou nas primeiras páginas do Diário de Lisboa, do Sempre Fixe ou de  O Riso da Vitória,  com tipos alfacinhas como protagonistas – relação que repetirá nos seus outros domínios artísticos. Essa originalidade e modernidade estão igualmente patentes nas requintadas capas que fez para a revista ABC,  Magazine Bertrand ou Ilustração, com o corpo feminino

Em 1945 lançou-se como ceramista e e na azulejaria, tendo mesmo  obtido o Prémio Sebastião de Almeida na 1ª Exposição de Cerâmica Moderna, em 1949. Em 1969 fez também os painéis em relevo do refeitório da Fundação Calouste Gulbenkian.

Freguesia de Benfica

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