O Vereador Barros Queirós na Baixa lisboeta

Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior

O comerciante e vereador da edilidade lisboeta Barros Queirós dá nome a uma rua alfacinha, próxima da que foi a sua loja de candeeiros no Largo de São Domingos, desde o mês seguinte ao seu falecimento.

Este topónimo foi atribuído por Edital municipal de 21/06/1926 à  Travessa de São Domingos, com a legenda «Ilustre Cidadão, Vereador da 1ª Câmara Municipal Republicana de Lisboa-1926».  No Edital pode mesmo ler-se que «(…) o Senado Municipal, em sessão de 7 de Junho corrente, prestando homenagem á grande figura republicana que foi Tomé José de Barros Queiroz, um dos mais ilustres propagandistas da Republica, trabalhando e lutando por ela e prestando relevantes serviços á cidade, quando vereador, resolveu dar á travessa de S. Domingos a seguinte denominação: Rua Barros Queiroz/ Ilustre Cidadão, Vereador da 1ª Câmara Municipal Republicana de Lisboa – 1926». Porém, um parecer da Comissão Municipal de Toponímia de  19/05/1950 e, homologado pelo Vice Presidente da autarquia sete dias depois, suprimiu este legenda e acrescentou a partícula «de» para passar a ser a Rua de Barros Queirós.

Tomé José de Barros Queirós (Ílhavo/02.02.1872 – 05.05.1926/Lisboa) começou a trabalhar em Lisboa aos 8 anos como aprendiz de oficina, marçano e caixeiro até conseguir ser o proprietário da Casa dos Candeeiros no Largo de São Domingos sendo que «em 1890 a tomou a Manuel Joaquim de Oliveira, fundador dela em 1870», de acordo com Norberto Araújo. No comércio foi também um dos promotores da criação da Associação dos Caixeiros Nocturnos de Lisboa, e deste modo também dos periódicos A Voz do Caixeiro e  O Caixeiro.

Barros Queirós aderiu ao Partido Republicano Português em 1888, de onde transitou para o Partido Unionista (entre 1911 e 1919) e deste para o Partido Liberal (a partir de 1919) e, finalmente, depois de 1923, para o Partido Nacionalista. Foi presidente da Junta de Freguesia de Santa Justa e, entre 1909 e 1912, foi vereador do primeiro executivo republicano na Câmara Municipal de Lisboa, especialista em saneamento das finanças municipais. Quatro anos mais tarde, no governo de João Chagas saído da revolução de 14 de maio de 1915,  foi Ministro das Finanças, cargo que voltou a repetir de 24 de maio a agosto de 1921 em acumulação com o de presidente do Ministério, que era o título do primeiro-ministro da época.

Barros Queirós foi também deputado, por Lisboa e por Torres Vedras, tendo-se distinguido como o principal autor da reforma tributária de 1911 e com a sua opinião sobre a Lei de Receita e Despesa de 1912-1913. Em 1922 foi eleito pelo círculo  da Horta, reingressando nesse mesmo ano pelo círculo de Lisboa e manteve-se no parlamento até 1924.

Refira-se ainda que Tomé Barros Queirós a partir de 1912 iniciou-se na loja Acácia, da Maçonaria de Lisboa, com o nome de Garibaldi e, exerceu as funções de administrador e mais tarde, de presidente do Conselho de Administração da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, para além de ter sido o  autor de Apontamentos para o Estudo dos Impostos Proporcional e Progressivo (1917).

Rua de Barros Queirós

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2 thoughts on “O Vereador Barros Queirós na Baixa lisboeta

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