Álvaro Machado na Marvila dos Arquitetos

Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Álvaro Machado é o arquiteto que desde o Edital de 10/08/1978  dá o seu nome ao arruamento de ligação entre a Via Envolvente e a Rua 6 da Zona N 2 de Chelas, ligando a Rua Keil do Amaral à Rua Pardal Monteiro, na freguesia de Marvila, aquela em cuja toponímia mais arquitetos se podem encontrar.

Este Edital de municipal de 10 de agosto de 1978 incluiu pela primeira vez na toponímia de Lisboa um conjunto significativo de nomes da arquitetura nacional, a saber: Álvaro Machado, Adães Bermudes, Adelino Nunes, Cassiano Branco, Domingos Parente, José Luís Monteiro, Keil do Amaral, Luís Cristino da Silva, Miguel Nogueira Júnior, Norte Júnior, Pardal Monteiro e  Pedro José Pezerat.

Álvaro Augusto Machado (Lisboa/junho de 1874 – agosto de 1944), antigo professor de desenho no Instituto Superior Técnico, destacou-se na Arte Nova, como o autor do Mausoléu do Visconde Valmor ( no Cemitério do Alto de São João em 1900), do pedestal do Monumento a Eduardo Coelho (no Jardim de São Pedro de Alcântara, em 1904), do Colégio feminino de Madame Anne Roussel (1904-1095) – hoje Colégio Académico na Avenida da República -, da moradia do Campo Grande que veio a acolher o Museu Bordalo Pinheiro que recebeu a menção honrosa do Prémio Valmor em 1914, do Edifício da Sociedade Nacional das Belas Artes (em 1906, na Rua Barata Salgueiro), da moradia Alfredo May de Oliveira  demolida em 1961 que ocupava o nº 47 da Avenida Duque de Loulé que foi Prémio Valmor em 1919 e, do Monumento aos Mortos da Grande Guerra em Lamego.

Rua Alvaro Machado planta

Junto à Cinco de Outubro o diplomata e olisipógrafo republicano Alfredo Mesquita

Alfredo Mesquita

Amanhã passa o 143º  aniversário do diplomata e olisipógrafo Alfredo Mesquita, que desde a publicação do Edital de 14/07/2004  dá nome a uma artéria que era o Impasse à Avenida 5 de Outubro, no final da artéria que perpetua a data da implantação da República em Portugal.

A consagração na toponímia de Lisboa de Alfredo Mesquita Pimentel (Angra do Heroísmo/19.07.1871 – 20.05.1931/ Paris), que foi jornalista, escritor, olisipógrafo e diplomata, resultou de uma proposta apresentada pelo Sr. António Valdemar a que a Comissão Municipal de Toponímia emitiu parecer favorável.

Alfredo Mesquita começou no ano de 1891 no mundo dos jornais lisboetas, na folha semanal O Crédito, «jornal de economia e finanças portuguezas» e foi redator, entre outros periódicos, da Democracia Portuguesa, Revista Ilustrada, O Nacional, Jornal do Comércio, Diário de Notícias, assim como cronista da revista Ocidente sob o pseudónimo de João Prudêncio, para além de ter colaborado nos jornais humorísticos António Maria e Paródia. Foi ainda delegado da Associação de Jornalistas e Homens de Letras de Lisboa em diversos Congressos de Imprensa no estrangeiro e, na sua qualidade de jornalista acompanhou as visitas régias aos Açores (1901) e a França (1906). Mais tarde, integrou a redação do Portugal na Guerra, periódico que se publicava em Paris durante a Primeira Guerra Mundial.

Como escritor produziu uma obra literária extensa que inclui biografias, ensaios literários, contos, teatro, literatura de viagens e um romance. Estreou-se em 1890 com um estudo sobre Júlio César Machado a que se seguiram inúmeros títulos como Vida Airada (1894), De Cara Alegre (1897), a monografia Portugal Moribundo (1892), Lisboa: Compilação e estudo (1903), A rua do oiro: romance lisboeta (1905),  Memórias de um Fura-vidas (1905), Alfacinhas (1916) , A América do Norte (1916) e, com Câmara Lima, também escreveu a revista Na Ponta da Unha que foi representada no Teatro da Rua dos Condes.

A partir de 1911, Alfredo Mesquita iniciou uma carreira diplomática que se estendeu até 14 de Março de 1922 no decorrer da qual exerceu funções em Durban (1911), Ourense (1911), Melbourne (1911), Constantinopla (1911-1916), Roma (1917-1918), Nova Iorque (1918-1919), Hamburgo (1919) e Paris (1919-1922), tendo sendo agraciado com a Ordem Militar de Cristo e a Legião de Honra francesa.

 

Alfacinhas 2

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

Procure a história da sua rua em 3 passos

Procure a história da sua rua na nossa base de dados online, em 3 passos:

 

1- siga o link: http://www.cm-lisboa.pt/toponimia ;

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2- digite um nome simples no campo «nome de rua» e sem usar acentos (por exemplo, escreva «camoes»);

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3- no(s) resultado(s) que aparece(m) carregue no nome do topónimo que pretende saber e, aparecerá mais abaixo a informação disponível e as imagens relacionadas que existam.

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O Vereador Barros Queirós na Baixa lisboeta

Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior

O comerciante e vereador da edilidade lisboeta Barros Queirós dá nome a uma rua alfacinha, próxima da que foi a sua loja de candeeiros no Largo de São Domingos, desde o mês seguinte ao seu falecimento.

Este topónimo foi atribuído por Edital municipal de 21/06/1926 à  Travessa de São Domingos, com a legenda «Ilustre Cidadão, Vereador da 1ª Câmara Municipal Republicana de Lisboa-1926».  No Edital pode mesmo ler-se que «(…) o Senado Municipal, em sessão de 7 de Junho corrente, prestando homenagem á grande figura republicana que foi Tomé José de Barros Queiroz, um dos mais ilustres propagandistas da Republica, trabalhando e lutando por ela e prestando relevantes serviços á cidade, quando vereador, resolveu dar á travessa de S. Domingos a seguinte denominação: Rua Barros Queiroz/ Ilustre Cidadão, Vereador da 1ª Câmara Municipal Republicana de Lisboa – 1926». Porém, um parecer da Comissão Municipal de Toponímia de  19/05/1950 e, homologado pelo Vice Presidente da autarquia sete dias depois, suprimiu este legenda e acrescentou a partícula «de» para passar a ser a Rua de Barros Queirós.

Tomé José de Barros Queirós (Ílhavo/02.02.1872 – 05.05.1926/Lisboa) começou a trabalhar em Lisboa aos 8 anos como aprendiz de oficina, marçano e caixeiro até conseguir ser o proprietário da Casa dos Candeeiros no Largo de São Domingos sendo que «em 1890 a tomou a Manuel Joaquim de Oliveira, fundador dela em 1870», de acordo com Norberto Araújo. No comércio foi também um dos promotores da criação da Associação dos Caixeiros Nocturnos de Lisboa, e deste modo também dos periódicos A Voz do Caixeiro e  O Caixeiro.

Barros Queirós aderiu ao Partido Republicano Português em 1888, de onde transitou para o Partido Unionista (entre 1911 e 1919) e deste para o Partido Liberal (a partir de 1919) e, finalmente, depois de 1923, para o Partido Nacionalista. Foi presidente da Junta de Freguesia de Santa Justa e, entre 1909 e 1912, foi vereador do primeiro executivo republicano na Câmara Municipal de Lisboa, especialista em saneamento das finanças municipais. Quatro anos mais tarde, no governo de João Chagas saído da revolução de 14 de maio de 1915,  foi Ministro das Finanças, cargo que voltou a repetir de 24 de maio a agosto de 1921 em acumulação com o de presidente do Ministério, que era o título do primeiro-ministro da época.

Barros Queirós foi também deputado, por Lisboa e por Torres Vedras, tendo-se distinguido como o principal autor da reforma tributária de 1911 e com a sua opinião sobre a Lei de Receita e Despesa de 1912-1913. Em 1922 foi eleito pelo círculo  da Horta, reingressando nesse mesmo ano pelo círculo de Lisboa e manteve-se no parlamento até 1924.

Refira-se ainda que Tomé Barros Queirós a partir de 1912 iniciou-se na loja Acácia, da Maçonaria de Lisboa, com o nome de Garibaldi e, exerceu as funções de administrador e mais tarde, de presidente do Conselho de Administração da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, para além de ter sido o  autor de Apontamentos para o Estudo dos Impostos Proporcional e Progressivo (1917).

Rua de Barros Queirós

O pintor modernista Jorge Barradas numa Rua de Benfica

Autocaricatura publicada na Ilustração Portuguesa

Autocaricatura publicada na Ilustração Portuguesa

No próprio ano do falecimento de Jorge Barradas, teve este pintor e ceramista  o seu nome atribuído à artéria formada pelas Ruas III e IV à Estrada dos Arneiros, por Edital de 25/11/1971.

O mesmo Edital atribuiu na proximidade a Rua João Ortigão Ramos, em homenagem a este  cinéfilo que ajudou a erguer a Tobis Portuguesa e que dirigiu o Automóvel Clube de Portugal, onde aliás, em no mês de maio de 1920,  fez Jorge Barradas uma exposição individual.

Jorge Nicholson Moore Barradas (Lisboa/1894 – 1971/Lisboa), também conhecido como o «Barradinhas», foi um pintor e ceramista da primeira geração dos modernistas portugueses, que participou nas primeiras manifestações «livres» destes na primeira década do século XX . Nos anos vinte foi o mais popular dos ilustradores lisboetas de jornais e revistas, tendo sido um dos mais assíduos do Sempre Fixe. Em 1925, participou na decoração do Bristol Club e executou duas telas para a Brasileira do Chiado.

Com Henrique Roldão fundou e, dirigiu o quinzenário O Riso da Vitória, que embora efémera foi uma das mais brilhantes publicações humorísticas portuguesas. Foi ainda director artístico do ABC a Rir, dando depois o lugar a Stuart de Carvalhais. Participou, desta forma, numa tentativa de renovação gráfica protagonizada por uma geração que se inspirava no estrangeiro e que atravessa a imprensa periódica e a publicidade portuguesa nos anos 20. Na sua obra gráfica são notórias as influências da Arte Nova e da Art Déco. Mas isto não impediu Jorge Barradas de ter um traço original e moderno, cheio de qualidades, de que são exemplo os desenhos que publicou nas primeiras páginas do Diário de Lisboa, do Sempre Fixe ou de  O Riso da Vitória,  com tipos alfacinhas como protagonistas – relação que repetirá nos seus outros domínios artísticos. Essa originalidade e modernidade estão igualmente patentes nas requintadas capas que fez para a revista ABC,  Magazine Bertrand ou Ilustração, com o corpo feminino

Em 1945 lançou-se como ceramista e e na azulejaria, tendo mesmo  obtido o Prémio Sebastião de Almeida na 1ª Exposição de Cerâmica Moderna, em 1949. Em 1969 fez também os painéis em relevo do refeitório da Fundação Calouste Gulbenkian.

Freguesia de Benfica

Freguesia de Benfica

A misteriosa Atalaia do Bairro Alto

Entre 1898 e 1908, Arquivo Municipal de Lisboa

Entre 1898 e 1908, Arquivo Municipal de Lisboa

A Rua da Atalaia já aparece com esta denominação em 1551, bem como  no Sumário de Cristóvão Rodrigues de Oliveira de 1554.

Sobre este topónimo o olisipógrafo Luís Pastor de Macedo cita  Gomes de Brito, para nos esclarecer que «Assento pois como certo que ali, no sítio mais elevado do campo [atalaia é uma palavra de origem árabe que significa lugar alto ou sentinela] que é hoje o bairro de S. Roque, e com vista para a cidade, para o lado de Santos, e para o Tejo, se erguia uma atalaia de castelhanos [na época da eleição do Mestre de Avis] e que daí se trocavam sinais e avisos…» e concluir que «nada encontrámos que abonasse aquela opinião ou que nos levasse a admiti-la e que outrossim nada vimos que nos habilitasse a filiarmos a origem do nome da rua noutra circunstância».

Pastor de Macedo também refere como antigos moradores desta rua Josefina Santos, do elenco do Teatro do Ginásio e viúva do maestro Lino (1898) , bem como os Condes da Atalaia, no Palácio que mais tarde se tornou a sede do jornal desportivo Record, sendo que no prédio fronteiro, onde é a sede do Lisboa Clube Rio Janeiro residiu também o jornal Diário. Ainda neste arruamento, no antigo Palácio dos Condes de Tomar, onde hoje está a loja da estilista Fátima Lopes, foi a sede do jornal País.

Entre 1898 e 1908, Arquivo Municipal de Lisboa

Entre 1898 e 1908, Arquivo Municipal de Lisboa

Rua da Atalaia

Sousa Franco num jardim do Bairro dos Professores

Brochura editada pela CML para a inauguração do Jardim

Brochura editada pela CML por ocasião da inauguração do Jardim

Em termos de toponímia, o Bairro de Telheiras  é conhecido como o Bairro dos Professores tal é a quantidade de professores universitários nos seus arruamentos e, assim não espanta que tenha sido a zona lisboeta escolhida para perpetuar o Prof. António de Sousa Franco que desde a publicação do Edital de 16/09/2008 dá o seu nome ao que era o Jardim da Urbanização da Aldeia de Telheiras do  Núcleo Antigo de Telheiras – Poente, na freguesia do Lumiar.

António Luciano Pacheco de Sousa Franco (Lisboa/21.09.1942 – 09.06.2004/Matosinhos) era um homem de fé que para a sua vida escolheu a máxima de Horácio de «Quem teme as tempestades acaba a rastejar» e dessa maneira se distinguiu no seu percurso universitário e político. Catedrático desde 1979 foi docente da Faculdade de Direito de Lisboa, da Universidade Católica e da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra bem como de outras universidades estrangeiras, para além de ter desempenhado os cargos de Presidente do Conselho Diretivo da Faculdade de Direito de Lisboa, de Presidente do Conselho Científico e de membro do Senado da Universidade de Lisboa, bem como de Diretor da Faculdade de Direito e membro do Conselho Superior da Universidade Católica, tendo deixado cerca de 1200 títulos publicados, com especial incidência nas áreas das Finanças Públicas, Direito Financeiro e Fiscal, Direito de Economia e Direito Comunitário.

O seu percurso político iniciou-se na década de 70 do século passado enquanto dirigente da Acção Católica Portuguesa e, continuou como deputado na Assembleia da República pelo PPD (1976- 79) e pela ASDI no âmbito da FRS (1980-82), tendo sido presidente do PPD/PSD (1978) e depois, da ASDI (1979-82), bem como representante do Partido Socialista no grupo dos Partidos Socialistas Europeus (1996-99). Desempenhou ainda funções governativas como Secretário de Estado das Finanças de Salgado Zenha (1976), Ministro das Finanças de Maria de Lurdes Pintasilgo (1979-80) e do primeiro governo de António Guterres (1995 – 99), no qual foi considerada determinante a sua eficácia para que Portugal fizesse parte do núcleo fundador do Euro.

António Sousa Franco exerceu ainda funções como Presidente do Tribunal de Contas (de 1986 a 1995), Governador do Banco Mundial em duas ocasiões (1979-1980 e 1996-2000), bem como do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (1996-2000) e do Banco Europeu de Investimentos (1996-2000), tendo aliás neste último presidido ao Conselho de Governadores em 1997-1998.

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

sousa franco

 

Uma rua Neruda para um carteiro de Santa Clara

Freguesia de Santa Clara (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias)

Celebra-se amanhã  o 110º aniversário de nascimento de Pablo Neruda, poeta chileno que desde o ano do seu centenário dá nome a uma rua de Lisboa, na Freguesia de Santa Clara, com a legenda «Poeta/1904-1973». Tal aconteceu por força do Edital municipal de 18/11/2004, na Rua Projectada à Azinhaga da Cidade e nasceu de uma sugestão da Embaixada do Chile em Lisboa, no âmbito das comemorações do centenário do poeta que aliás gerou nessa época mais topónimos Neruda no nosso país.

Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Nascido Neftalí Ricardo Reyes Basoalto (Chile – Parral/12.07.1904 – 23.09.1973/Chile – Santiago) foi sob o pseudónimo de Pablo Neruda, nome inspirado no escritor checo Jan Neruda, que ficou conhecido um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX,  agraciado com o Prémio Nobel da Literatura em 1971. E legalmente Neftalí tornou-se mesmo Pablo Neruda de nome civil.

O poeta estudou no Liceu Masculino de Temudo e publicou os seus primeiros poemas no periódico regional A Manhã, obtendo em 1919 o 3º lugar nos Jogos Florais de Maule com o poema «Noturno Ideal». Dois anos depois, radicou-se em Santiago, contava então 17 anos e estudava para professor de francês no Instituto Pedagógico. Em 1923, lançou Crespusculário e no ano seguinte apareceu pela mão da Editorial Nascimento com Vinte poemas de amor e uma canção desesperada. Depois, Neruda quis uma forma mais vanguardista e foi a vez das obras de 1936: O habitante e sua esperançaAnéis e Tentativa do homem infinito. Em 1950 editou Canto Geral, marcando social e politicamente a sua poesia. Continuou com Os Versos do Capitão (1952), dedicados a Matilde, com quem se encontrava clandestinamente e para esse efeito mandara erguer a sua casa conhecida como «La Chascona», em Santiago, que é hoje um museu dedicado a Neruda.  No ano de 1954 publicou  As uvas e o vento e Odes Elementares e, quatro anos depois, Estravagario. Postumamente, foram publicadas as suas memórias com o título Confesso que vivi (1974), O rio invisível (1980), os poemas de adolescência Cadernos de Temuco (1996) e, ainda no final deste ano sairão  mais 20 poemas inéditos.

Em paralelo com a escrita, Pablo Neruda seguiu uma carreira diplomática a partir de 1927, como embaixador na Birmânia. Esteve também em Ceilão, Java, Singapura, e a partir de 1934 em Espanha , mas quando em 1936 eclodiu a Guerra Civil Espanhola foi destituído do cargo consular, escreveu Espanha no coração e seguiu para o  México. Em 1945 ao ser eleito como senador assumiu também claramente 0 seu papel de político. E durante as eleições presidenciais do Chile nos anos 70 do séc. XX, Neruda abdicou da sua candidatura para que Salvador Allende ganhasse.

Pablo Neruda foi agraciado com o Prémio Lenine da Paz (1953), o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Oxford (1965), o Nobel da Literatura (1971) e, com o filme Il Postino (1994), em Portugal conhecido como O Carteiro de Pablo Neruda, que conta a sua história com a sua terceira mulher, Matilde, na Isla Negra (Chile), embora o filme transponha a narrativa para Itália.

Freguesia de Santa Clara

Freguesia de Santa Clara

A Lisboa de Alberto José Pessoa

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O arquiteto Alberto José Pessoa foi um dos «construtores» da Lisboa do século XX ao marcar a capital com múltiplas obras emblemáticas e desde 2001 dá nome a uma rua de Marvila, a freguesia lisboeta que mais arquitetos possui na sua toponímia.

A Rua Alberto José Pessoa nasceu da sugestão do representante da Universidade de Lisboa na Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa,  o Arqtº José Luís Quintino, a que foi dado corpo pela deliberação camarária de 19 de dezembro de 2001 e consequente Edital de dia 26 do mesmo mês, ficando fixada na artéria formada pelo troço da Rua F e Impasse F da Zona L de Chelas. Na mesma altura, a  mesma zona também recebeu o nome dos artistas plásticos Artur Bual (Ruas Q5A e Q5B), Eduarda Lapa (Rua G), Luís Dourdil (arruamento com entrada pela Rua Dinah Silveira de Queiroz), Mário Botas (Rua Z), Severo Portela (Rua B – B’) e do  fotógrafo Carlos Gil (Impasse L6, L7 e L8).

A Avenida Infante Santo

A urbanização da Avenida Infante Santo de Alberto José Pessoa

Alberto José Pessoa (Coimbra/1919 – 1985/Lisboa)  marcou a arquitetura de Lisboa com múltiplas obras de que são exemplo as urbanizações da Avenida Infante Santo, da Avenida Paris e da Praça Pasteur, a Piscina Municipal do Areeiro, o anfiteatro de ar livre de Monsanto ou o Parque Infantil do Alvito, para além de ter integrado a equipa de arquitetos – com Pedro Cid e Ruy Atouguia – que projetou o edifício sede da Fundação Calouste Gulbenkian (1961-1969) e que foi Prémio Valmor no ano de 1975.

Pessoa veio para Lisboa e desde o ano de 1942 trabalhou com Licínio Cruz no Gabinete do Plano de Obras da Praça do Império, sob a orientação de Cottineli Telmo. No ano seguinte concluiu o Curso de Arquitetura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, com 17 valores. Em 1945 e 1946 trabalhou na Câmara Municipal de Lisboa, onde realizou estudos de urbanização, nomeadamente, da Avenida Infante Santo, sendo também co-autor dos projetos municipais das construções da Avenida Paris e da Praça Pasteur, exemplos de um urbanismo e arquitetura de transição, a romper significativamente com os traçados de tradição oficial.

Alberto José Pessoa também desenvolveu a sua atividade no atelier de Keil do Amaral, envolvendo-se nos projetos dos centros extra-escolares para a Mocidade Portuguesa (1942), do restaurante e arranjo do jardim do Campo Grande (1945), do cemitério de Monsanto  e 1ª versão do Palácio da Cidade para o topo norte do Parque Eduardo VII, mais o remate do topo norte da Alameda Central do Parque Eduardo VII (1948), da Estufa Fria, do Restaurante-Esplanada de Montes Claros e teatro ao ar livre de Monsanto (1949), do botequim e roseiral do Parque Eduardo VII (1950), do Clube de Ténis de Monsanto (1952) e do padrão-miradouro de Monsanto e Parque Infantil do Alvito (1953).

A partir de 1947, instalou o seu próprio atelier na Avenida Guerra Junqueiro, para em 1953 o mudar para a Avenida João Crisóstomo, associando-se ao Arqtº João Abel Manta. Desta equipa nasceu o conjunto residencial e comercial do n.º 70 da Avenida Infante Santo (1954-58) que foi galardoado com o Prémio Valmor; um edifício de habitação com piso térreo de comércio no n.º 206 da Rua Rodrigo da Fonseca (1960); a Fábrica Estrela, em Benfica; a Piscina Municipal do Areeiro (1962) e os Pavilhões Gimnodesportivos da Direção Geral dos Desportos (na Cidade Universitária de Lisboa, em Castro Verde, Guarda e Funchal); um conjunto urbano na Lapa, nos nºs 1 a 9 da Rua Ricardo Espírito Santo (1964); o Plano de Urbanização da Agualva-Cacém (1965-67)  e o Projeto do Agrupamento de Casas Económicas de Mira-Sintra.

Com Ruy Atouguia e Luís Pessoa desenhou o arranjo urbanístico para a Praça de Espanha, o programa-base do Centro de Congressos de Lisboa e o arranjo urbanístico da faixa marginal entre a Torre de Belém e a Cordoaria, com vista à implantação do Centro de Congressos e de um complexo hoteleiro de apoio, para além do edifício-sede do Metropolitano de Lisboa, em Palhavã. A partir de 1979 passou a trabalhar em equipa com o Arqtº. Luís Pessoa e das suas mãos nasceram os traços de um edifício para escritórios e armazéns da Petrogal, em Cabo Ruivo; o Plano de Urbanização em Algueirão – Mem Martins, para a Coopalme; o Plano de Urbanização para recuperação do bairro clandestino de Varge-Mondar, em Sintra e cinco agências da Caixa Geral de Depósitos.

Alberto Pessoa é ainda autor de várias moradias- entre elas, seis na Encosta da Ajuda -, de um agrupamento de casas económicas para o Restelo, do Hotel Infante Santo (1955-57), para além de remodelações de alguns estabelecimentos comerciais lisboetas, como o Restaurante Folclore e a Cervejaria Trindade, em  colaboração com o Arqtº Raul Chorão Ramalho.

Recebeu duas vezes o prémio Valmor, primeiro em 1950, para premiar uma moradia no n.º 37 da Rua Duarte Pacheco Pereira e a segunda vez,  em 1975, pela sede da Fundação Calouste Gulbenkian. Também foi galardoado com o Prémio Municipal de Arquitetura de Lisboa de 1956, pelo Bloco n.º 2 do n.º 70 da Avenida Infante Santo.

O arquiteto Alberto José Pessoa também se dedicou ao ensino na qualidade de professor-assistente do Prof. Cristino da Silva, na cadeira de Projeto, nos anos de 1953 a 1962,  na Escola Superior de Belas – Artes de Lisboa, assim como foi um dos diretores da revista Arquitectura e membro da direção do Sindicato Nacional dos Arquitetos,  nas presidências de Porfírio Pardal Monteiro (1948-50) e de Inácio Perez Fernandes (1951-56).

A Piscina do Areeiro

A Piscina do Areeiro de Alberto José Pessoa

Freguesia de Marvila

Freguesia de Marvila

A senhora Amélia Rey Colaço numa rua de Benfica

Amélia Rey Colaço AlmaNova Jan.-Mar. 1924

Alma Nova, janeiro-março de 1924

Amélia Rey Colaço foi consagrada na toponímia lisboeta logo no mês seguinte ao seu falecimento, por Edital de 21/08/1990, na que era a Rua B, entre a Estrada de Benfica e a Rua Augusto Costa (Costinha),  com a legenda «Actriz 1898 – 1990».

Já em 1983,  uma proposta aprovada pela Junta de Freguesia dos Prazeres solicitava à edilidade  a atribuição de nome de Amélia Rey Colaço à  Travessa do Olival naquela freguesia, tendo a Comissão Municipal dado parecer negativo considerando que «o topónimo Travessa do Olival, a Santos, é antiquíssimo – foi atribuído por Edital de 7 de Novembro de 1874 -» bem como «que de harmonia com o disposto no parágrafo único do artigo segundo dos “Critérios de actuação” adoptados pela Comissão, em sua reunião de 27 de Março de 1980, os antropónimos só devem ser dados em consagração póstuma». Assim, só após o seu falecimento foi colocada em Benfica onde outros nomes do teatro já pontuavam como Augusto Costa (Costinha), Aura Abranches, Lucília Simões e Maria Lalande.

Amélia Smith LaFoucade Rey Colaço Robles Monteiro (Lisboa/02.03.1898 – 08.07.1990/Lisboa) foi uma personalidade de vulto do teatro português do século XX. Filha do pianista e compositor Alexandre Rey Colaço, estreou-se no Teatro República (hoje, São Luiz) em 17 de novembro de 1917, na peça Marinela. Casou em 1920 com o ator Robles Monteiro (1988-1958) com quem também fundou no ano seguinte a empresa teatral que durante mais de 40 anos teve a seu cargo o Teatro Nacional D. Maria II e, nesses anos entre os muitos dramaturgos escolhidos foram aí revelados Gil Vicente e António Ferreira.  Amélia Rey Colaço despediu-se dos palcos em 1974, embora de 1978 a 1980 tenha dirigido a Companhia de Teatro Popular no São Luiz, nomeada pelo Secretário de Estado da Cultura de então, António Reis.

Surgiu uma única vez no cinema, no filme Primo Basílio (1926) de George Pallu, e na televisão, na série Gente Fina é Outra Coisa (1982).

Amélia Rey Colaço atriz, encenadora, empresária teatral e mãe da também atriz Mariana Rey Monteiro, foi ainda agraciada com os graus de Comendador e Oficial da Ordem de Instrução Pública (1933), Comendador da Ordem Militar de Cristo (1967), Comendador (1961) e  Oficial (1978) da Ordem de Santiago da Espada e ganhou o prémio da Crítica Lucinda Simões (1960), o primeiro Prémio Garrett de mérito, para além de ser Dama das Ordem das Artes e das Letras francesa (1971).

Freguesia de Benfica

Freguesia de Benfica

Rua Amélia Rey Colaço mapa