A Avenida Gomes Pereira já nascida em Benfica alfacinha

Em 1968  (Foto: Arnaldo Madureira)

Em 1968 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Avenida Gomes Pereira  é uma artéria que deve ter nascido na passagem do século XIX para o XX, após a Freguesia de Benfica transitar do domínio da Câmara Municipal de Belém para o da edilidade lisboeta, em homenagem a um militar então ainda vivo que havia participado na prisão de Gungunhana (Ngungunyane) em 1895.

Benfica era um sítio essencialmente rural até às décadas de 40 e 50 do século XX, altura em que cresceu urbanisticamente com o loteamento de quintas e espaços agrícolas, tendo como eixo principal a velha Estrada de Benfica. Porém,  tinha uma carreira de Omnibus desde 1852 e comboio a partir de 1887.

De 1852 a 1885 Benfica fazia parte do município de Belém e, só em 1885 passou a integrar o concelho de Lisboa. Treze anos depois encontramos um documento (de 14/12/1898) em que uma Joaquina de Azevedo Gomes Pereira faz uma escritura de cedência da Quinta de Marrocos para a Avenida Gomes Pereira. E no ano de 1900 (4 de abril) essa mesma Joaquina assina outra escritura para entregar à CML a Avenida Gomes Pereira.

Mais tarde, em 1908, na Planta Topográfica de Lisboa, de Júlio Silva Pinto e Alberto de Sá Correia, já aparece referido este arruamento como Rua Gomes Pereira. Em 1943, após a formação da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia, esta começou por proceder a um levantamento e revisão da toponímia alfacinha e registou a Avenida Gomes Pereira mantendo este topónimo  e, passados 14 anos, na reunião de 4 de junho de 1957, avançou mesmo que este topónimo passasse a ter como legenda  «1856-1926».

E assim chegamos ao alfacinha Guilherme Augusto Gomes Pereira (Lisboa/20.01.1856-1926), nascido na então freguesia de Santo André, filho de João Carlos Gomes Pereira e de Maria Evaristo Conceição Couto e, irmão mais novo de José Carlos Gomes Pereira (nascido a 07.01.1849) que também foi militar. Foi um major de Infantaria que protagonizou as campanhas de África que culminaram em 1895 com o combate de Chaimite e a prisão de Gungunhana. Aliás, toda a sua carreira se distingue por cargos exercidos em África, nos países que na época eram colónias portuguesas, quer como chefe dos concelhos de Porto Alexandre e de Humpata (1900), quer como comandante militar interino das Terras de Lourenço Marques (1897) ou, secretário geral interino do governo de Moçambique (1893) e até governador do Distrito de Angola (1892) e da Ilha do Príncipe (1898).

A Avenida Gomes Pereira, a partir de 1913, também acolheu nos seus nºs 15 a 19 a antiga Fábrica de Malhas Simões.

(Foto: João H. Goulart, s/d, Arquivo Municipal de Lisboa)

(Foto: João H. Goulart, s/d, Arquivo Municipal de Lisboa)

Freguesia de Benfica

Freguesia de Benfica

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