A Rua General Silva Freire e a Guerra Colonial

Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua General Silva Freire, que começa e finda na Rua dos Lojistas,   nasceu da junção das Ruas C e D da Célula A da Zona dos Olivais Norte, por Edital municipal de 13/02/1963, e nela fixou um militar «Morto em Angola ao Serviço da Pátria – 1961», conforme perpetua a legenda.

Após o eclodir da guerra colonial em Fevereiro de 1961, em Angola, as atribuições toponímicas dessa década na cidade de Lisboa passaram também a consagrar os militares mortos “ao serviço da pátria nas províncias ultramarinas”, sobretudo na zona norte dos Olivais.

Neste Edital de 13/02/1963 para além da Rua General Silva Freire foram também atribuídas a Rua 1º Cabo José Martins Silvestre, a Rua Alferes Barrilaro e, a Rua Sargento Armando Monteiro Ferreira, todas referentes a militares mortos em Angola e todas as artérias em  Olivais Norte.

Passados 7 meses, o Edital de 09/09/1963 acrescentou nos arruamentos de  Olivais Norte a Rua Capitão Santiago de Carvalho  e a Rua Capitão Tenente Oliveira e Carmo, falecidos em Damão e Dio. E no ano seguinte, pelo Edital de 6/11/1964, também em Olivais Norte foi a vez da Rua Furriel João Nunes Redondo (morto na Guiné) e da Rua Sargento José Paulo dos Santos (morto em Angola).

Aliás, a Ata da reunião da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia de 18 de janeiro de 1963 é clara ao mencionar que recebera do Gabinete do Ministro do Exército «elementos respeitantes às biografias de militares do Exército falecidos na província de Angola, ao serviço da Pátria, a fim dos seus nomes serem atribuídos a arruamentos da Zona dos Olivais.»

Freguesia dos Olivais (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias)

O militar consagrado nesta artéria é Carlos Miguel Lopes da Silva Freire (Lisboa/29.07.1907 – 10.11.1961/Chitado-Angola) que seguira para Angola em maio de 1961, sucedendo no cargo de comandante militar de Angola ao general Monteiro Libório. Foi comandante chefe das Forças Armadas, desenvolvendo notável acção no planeamento e orientação suprema das operações de guerra, na fase mais acesa da luta, tendo vindo a falecer aos 54 anos em Angola.

Em 1968 (Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Em 1968 (Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

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2 thoughts on “A Rua General Silva Freire e a Guerra Colonial

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