A Rua dos Fanqueiros que foi Nova da Princesa

Placa Tipo II - Freguesia de Santa Maria Maior

Placa Tipo II – Freguesia de Santa Maria Maior

A Rua dos Fanqueiros nasceu em 1910 como topónimo da Baixa lisboeta, por via da publicação do Edital camarário de 5 de novembro, o 1º relativo a toponímia após a implantação da República em Portugal, substituindo a Rua da Princesa que havia sido criada em 1760 , pela Portaria de 5 de novembro, como Rua Nova da Princesa.

Este mesmo Edital  de 5 de novembro de 1910 atribuiu mais nove topónimos significativos dos valores republicanos. Ainda na Baixa pombalina substituiu a Rua Bela da Rainha por Rua da Prata e, a Rua de El-Rei por Rua do Comércio. Consagrou também a implantação da República com a Avenida Cinco de Outubro (antes Avenida António Maria de Avelar) e a Avenida da República (antes Avenida Ressano Garcia), assim como fixou os heróis republicanos Almirante Reis e Miguel Bombarda em Avenidas, tal como o jornalista e autarca lisboeta Elias Garcia. E ainda substituiu a  Rua Mota Veiga por Rua de Ponta Delgada e a Praça D. Fernando por Praça Afonso de Albuquerque.

antiga placa toponímica do arruamento

antiga placa toponímica do arruamento

Havia sido também em 5 de novembro, mas de 1760, que foi inaugurada em Lisboa a prática de atribuição de nomes de ruas por decreto, através de uma Portaria do rei D. José I que estabeleceu a denominação dos arruamentos localizados entre «entre as Praças do Comercio e a do Rocîo», ao mesmo tempo que regularizava a distribuição dos ofícios e ramos do comércio por cada um. Esta artéria foi então denominada Rua Nova da Princesa e determinado que nela ficassem arruados os  «Mercadores de Lançaria ou Fancaria, destinando-se os sobejos della se os houver, às lojas de quinquilharia».  As outras 13 artérias foram «Rua Nova d’El Rey [hoje, Rua do Comércio], Rua Augusta, Rua Áurea, Rua Bella da Rainha [hoje, Rua da Prata], Rua dos Douradores, Rua dos Correeiros, Rua dos Sapateiros, Rua de S. Julião, Rua da Conceição, Rua de S. Nicolau, Rua da Victoria, Rua da Assumpção e Travessa de Santa Justa [hoje, Rua de Santa Justa]».

Placas Tipo III - Freguesia de Santa Maria Maior

Placas Tipo III – Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias)

6 thoughts on “A Rua dos Fanqueiros que foi Nova da Princesa

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  4. Caro José Rodrigues,
    A explicação para o que coloca está na diferença entre toponímia oficial e toponímia popular. Por exemplo, a Praça do Comércio tem oficialmente esta denominação desde a publicação da Portaria de 5 de novembro de 1760 de D. José I e ainda hoje muito gente evoca o local como Terreiro do Paço que foi destruído com o Terramoto de 1755.
    A Rua Nova da Princesa foi atribuída pela mesma Portaria de 1760 que também estabeleceu que lá ficassem os comerciantes de fancaria e popularmente, a artéria era denominada Rua dos Fanqueiros mesmo que não fosse esta a denominação oficial nem a que estava inscrita nas suas esquinas pelas placas toponímicas. Em 1858, Filipe Folque que estava encarregado de fazer um levantamento cartográfico da Cidade, coloca na sua planta a seguinte referência neste arruamento «Rua Nova da Princesa ou Rua dos Fanqueiros». Após a implantação da República, querendo eliminar-se os vestígios da monarquia aproveitou-se o nome pelo qual já esta artéria era designada popularmente e tornou-se esse topónimo oficial.

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  5. Procurando mais uns minutos no Google, afinal já a 07/10/1828 vem mencionada a R. dos Fanqueiros à freg. de Santa Justa na ‘Gazeta de Lisboa’.

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  6. A rua dos Franqueiros, na freg. de santa Justa vem referida com rua de residência dos pais de uma batizada na Igreja de santa Justa de Lisboa a 01/09/1848 (assento de batismo on-line):
    logo, esta rua já tem este nome desde antes desse dia;
    ou então terá existido outra com o mesmo nome na mesma freguesia a 01/09/1948, o que entendo não ser muito provável.

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