A Calçada do sítio da Ajuda

Freguesias da Ajuda e de Belém  (Foto: Luís Ponte)

Freguesias da Ajuda e de Belém                                                                                             (Foto: Luís Ponte)

Esta comprida e íngreme Calçada, que outrora vencia a passagem de uma ribeira quase seca no Verão denominada Ribeira dos Gafos, tem cerca de um quilómetro de extensão contando desde o Museu dos Coches até ao muro do Jardim Botânico, onde existiu um marco, pouco acima do respectivo portão, com as iniciais CMB (Câmara Municipal de Belém), uma das poucas recordações desse Concelho que após a sua extinção em junho de 1885 persistiram na freguesia da Ajuda.

O topónimo foi atribuído pela deliberação camarária de 21 de setembro de 1916 e consequente Edital municipal de 26 desse mesmo mês, tal como o Largo e a Travessa da Ajuda, oficializando assim a edilidade os topónimos tradicionais do local que perpetuam o nome do sítio: Ajuda.

Placa Tipo II  (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Antes do Terramoto de 1755, era este sítio  despovoado e nele se cultivavam oliveiras, pomares, vinhas e trigo e só após o cataclismo foi esta artéria aberta. Depois, ao lado de prédios que ainda hoje conservam varandas de sacada e varadins de ferro forjado, numerosos quartéis aqui se estabeleceram. A Calçada da Ajuda deu passagem ao séquito da Família Real aquando do seu embarque para o Brasil, aos círios de Nossa Senhora do Cabo e à procissão do Senhor dos Passos de Belém que ia até à Patriarcal da Ajuda. E grandes ornamentações nela se fizeram aquando da celebração, no ano de 1886, do casamento do Príncipe Real D. Carlos com a Princesa D. Maria Amélia de Orleães. Ao longo de mais de dois séculos e meio de existência, a Calçada da Ajuda foi assim palco de cortejos reais, procissões e desfiles militares.

Em 1939 (Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

Em 1939 (Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

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