A rua do arquiteto do Bairro do Arco do Cego no seu 150 º aniversário

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

O autor de uma tipologia de escolas que ganhou o seu nome bem como do Bairro do Arco do Cego, o arquiteto portuense Adães Bermudes, completaria hoje o seu 150º aniversário e está perpetuado numa rua de Marvila desde 1978.

Foi pelo Edital de 10/08/1978, no qual se procurou criar pela toponímia um «bairro de arquitetos», que junto com mais onze nomes de profissionais desta área  que também fizeram a cidade coube a Adães Bermudes a Rua 14 da Zona N 2 de Chelas. Os outros escolhidos foram Adelino Nunes (ruas 2 e 3), Álvaro Machado (arruamento de ligação entre a via envolvente e a rua 6), Cassiano Branco (ruas 4 e 5), Domingos Parente (rua 13), José Luís Monteiro (ruas 11B e 12), Keil do Amaral (ruas 1, 6 e 7), Luís Cristino da Silva (via comercial), Miguel Nogueira Júnior (rua 11), Norte Júnior (ruas 8 e 11A), Pardal Monteiro (via envolvente) e Pedro José Pezerat (rua 10).

Arnaldo Redondo Adães Bermudes (Santo Ildefonso – Porto/29.09.1863 – 18.02.1947/Paiões- Rio de Mouro) foi um arquiteto de origem galega, formado pela Academia Portuense de Belas Artes (entre 1880 e 1886), Escola de Belas-Artes de Lisboa e pela École des Beaux-Arts de Paris, que se destacou como um expoente do movimento da Arte Nova, pela criação de um modelo de escola e pelo Bairro de casas económicas do Arco do Cego (1897),  em Lisboa, de acordo com o conceito cidade-jardim.

Professor de arquitetura da Escola de Belas-Artes de Lisboa, entre 1917 e 1933, das disciplinas de Construção e Resistência dos Materiais, Geometria Descritiva e Perspetiva, influenciou toda uma geração de arquitetos. Adães Bermudes desenvolveu uma importante carreira em obras públicas e particulares, com um estilo próprio onde aliou traços de revivalismo com elementos decorativos contemporâneos, criando uma versão algo simplificada do estilo Arte Nova.

Desenhou vários edifícios para as agências do Banco de Portugal em diversas capitais de distrito, o Hotel Astória em Coimbra, integrou a equipa que concebeu o Monumento ao Marquês de Pombal (1914), dirigiu o restauro do Mosteiro dos Jerónimos, do Museu Nacional de Arte Antiga e do Museu Nacional de Belas Artes, e em 1908, traçou os Paços do Concelho da Câmara Municipal de Sintra e o  mausoléu dos benfeitores da Santa Casa da Misericórdia  no Cemitério do Alto de São João (1908), ano em que também concebeu um edifício Arte Nova na Avenida Almirante Reis (na época, Avenida Dona Amélia) que foi distinguido com o Prémio Valmor.

Ao longo da sua carreira como funcionário do Estado, Adães Bermudes exerceu diversos cargos ligados ao planeamento e controlo das obras públicas, como Diretor das Construções Escolares e, em 1898 concebeu mesmo uma tipologia de escolas para o antigo ensino primário em todo o território português, que ainda hoje é denominada Adães Bermudes, e a partir da qual se construíram 184 escolas entre 1902 e 1912. Em Lisboa, foi também o autor do Instituto Superior de Agronomia (1910) e da Escola Normal Primária de Lisboa (1913), em Benfica.

Republicano assumido e membro da Maçonaria, exerceu também cargos políticos como Senador (1918 – 1919) e Vogal da Câmara Municipal de Lisboa (1919).

Adães Bermudes foi pai do arquiteto Jorge Bermudes e tio de Cesina Bermudes.

 

 

Anúncios

One thought on “A rua do arquiteto do Bairro do Arco do Cego no seu 150 º aniversário

  1. Pingback: A Rua do autor de comédias e «E Pluribus Unum» Félix Bermudes | Toponímia de Lisboa

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s