A toponímia dos corvos ao boi formoso por amanhã ser Dia Mundial do Animal

Brasão de Lisboa

Brasão de Lisboa

Como amanhã se celebra o Dia Mundial do Animal apontamos hoje os topónimos relativos a animais presentes em artérias de 11 das 24 freguesias de Lisboa.

A freguesia de Santa Maria Maior que alberga o núcleo mais antigo da cidade de Lisboa é a que conta com mais ocorrências, num total de sete. Desde logo a Rua dos Corvos, por alusão aos pássaros da barca de São Vicente, denominação atribuída pela edilidade em 04/02/1897 para substituir o Beco de São Vicente e, talvez também, porque nesse mesmo ano de 1897 a Câmara Municipal de Lisboa passou a ter um brasão com os corvos e a barca de São Vicente. Soma depois o Beco da Bicha, cujo animal a que se refere é desconhecido, o Beco das Gralhas ainda atribuído pelo Governo Civil de Lisboa em 01/09/1859, assim como o estreitinho Beco do Carneiro. Depois, numa rua e numa travessa partilhadas com a freguesia de Arroios, bem como num beco só seu, encontramos o topónimo Benformoso que segundo o olisipógrafo Norberto Araújo será uma corruptela do  Boy Formoso que terá sido digno de nota e memória naquele local.

A freguesia do Beato dedica 6 topónimos a esse insecto tão comum que é o grilo, perpetuando a memória de um sítio que era do Grilo: o Beco do Grilo, a Calçada do Grilo, a Rua do Grilo (Edital municipal de 08/06/1889), a Rua Nova do Grilo (Edital municipal de 05/12/1956), a Travessa do Grilo (Edital municipal de 30/06/1921) e a Travessa da Ilha do Grilo (Edital municipal de 21/05/1908). Também os frades e freiras Agostinhos Descalços que se instalaram neste local ficaram conhecidos como Grilos e Grilas.

Em Marvila, encontramos o Alto das Conchas, um topónimo  que deve ter sido fixado por abundarem no local vestígios geológicos de fósseis de conchas de moluscos do Miocénico (há cerca de 24 milhões de anos atrás).  Também em Campo de Ourique achamos o Beco da Pedreira da Caneja que está relacionado com a existência de pedreiras de calcários cretácicos em Lisboa e, eventualmente, com um peixe, já que Caneja é o nome popular de um peixe semelhante ao cação, assim designado nomeadamente na Ericeira.

Depois temos ainda a Azinhaga da Cova da Onça (em Carnide), o Beco dos Peixinhos (em São Vicente) que regista a proximidade à antiga a Quinta dos Peixinhos, a Rua das Gaivotas tão próxima do Tejo (freguesia  da Misericórdia), o Caminho da Raposa no Alto de Caselas e a Rua do Casal da Raposa (Edital municipal de 15/03/1950) no Bairro de Caselas, na freguesia de  Belém. O pirilampo aparece também na Ajuda através da Rua dos Vaga Lumes (Edital municipal de 18/12/1989) e a freguesia do Parque das Nações tem o Cabeço das Rolas  (Edital municipal de 16/09/2009), por  este lugar ser frequentado por rolas durante o seu trajeto migratório.

Outros topónimos alfacinhas que nos lembram animais mas que evocam alcunhas são a Travessa do Pardal na Ajuda (Edital municipal de 26/09/1916), a Rua da Quinta do Cabrinha em Alcântara (Edital de 09/02/1999),  o Beco do Leão em Santa Maria Maior, o Largo do Leão em Arroios, a Calçada do Cabra na Misericórdia e a Travessa Raposo em São Vicente.

Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

 

 

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2 thoughts on “A toponímia dos corvos ao boi formoso por amanhã ser Dia Mundial do Animal

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