A Avenida do 1º Nobel português

(Foto: Joshua Benoliel, 1907, Arquivo Municipal de Lisboa)

(Foto: Joshua Benoliel, 1907, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Avenida Prof. Egas Moniz homenageia o 1º português galardoado com o Prémio Nobel, no ano de 1949, e que amanhã celebraria o seu 140º aniversário.

Numa então nova artéria junto ao Hospital de Santa Maria, a Avenida A do plano de urbanização da Cidade Universitária, foi inscrito na toponímia lisboeta o único Nobel da Medicina português, e o primeiro português a receber o Prémio Nobel antes de o mesmo acontecer a José Saramago,  pelo Edital municipal de 13/02/1963.

Já em 1950 a Junta de Freguesia de São Sebastião da Pedreira solicitara que este laureado no ano anterior com o Nobel desse nome a um dos arruamentos da freguesia mas a Comissão Municipal de Toponímia recusou mantendo o seu princípio de não atribuir nomes de personalidades ainda não falecidas e, só o inscreveu o Prof. Egas Moniz na toponímia de Lisboa 8 anos após o seu falecimento.

António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz (Estarreja – Avança/29.11.1874 – 13.12.1955/Lisboa) foi médico, investigador de neurologia, professor universitário e Ministro dos Negócios Estrangeiros. Aliás, Egas Moniz desenvolveu ao longo da sua vida uma forte participação política iniciada em 1900 como deputado. Foi mesmo preso ao envolver-se na conspiração frustrada de 28 de janeiro de 1908 contra a ditadura de João Franco; em 1910 aderiu à República e à iniciação maçónica na Loja Simpatia e União de Lisboa; voltou a ser deputado em 1911-1913; foi um dos fundadores do Partido Republicano Centrista (dissidente do Partido Evolucionista) para em 1917, com Sidónio Pais, exercer funções de Embaixador de Portugal em Madrid e no ano seguinte, ocupar a pasta dos Negócios Estrangeiros, qualidade na qual presidiu à delegação portuguesa na Conferência de Paz de Versalhes.

Egas Moniz foi professor universitário da Faculdade de Medicina de Coimbra, de anatomia e fisiologia e, em 1911, veio fazer a docência da cadeira de Neurologia na recém-criada Faculdade de Medicina de Lisboa e nesta cidade abriu consultório. Dedicou-se à investigação, onde se destacam os seus trabalhos sobre a angiografia cerebral, conseguida em 1927 e premiada com o Prémio Oslo de 1945 bem como o desenvolvimento da leucotomia pré-frontal, concretizada em 1935, as técnicas que lhe granjearam fama, respeito e reconhecimento, nacional e internacional, culminando na atribuição do Prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina (partilhado com Walter Rudolf Hess) e, para o qual já antes havia sido proposto 4 vezes (1928, 1933, 1937 e 1944). A angiografia deu pela primeira vez visibilidade às artérias do cérebro tornando possível localizar neoplasias, aneurismas, hemorragias e outras malformações no cérebro abrindo novos caminhos para a cirurgia cerebral.

Em 1950,  Egas Moniz tornou-se presidente do então criado Centro de Estudos Egas Moniz, no Hospital Júlio de Matos (transferido em 1957 para o Hospital de Santa Maria). Na sua carreira ainda desempenhou os cargos de director do Hospital Escolar de Lisboa (1922) e da Faculdade de Medicina de Lisboa (1929-1931) e deixou extensa obra publicada – mais de 300 títulos – de onde sobressai Confidências de um investigador científico. Saliente-se também que a sua Tese de Doutoramento «A Vida Sexual – Fisiologia», apresentada em 1901 e, «A Vida Sexual – Patologia», trabalho para as suas provas de concurso para lente da Faculdade de Medicina de Coimbra em 1902, foram reunidas e publicadas em 1913 na sua obra A Vida Sexual (Fisiologia e Patologia), a qual se tornou uma obra polémica e muito procurada, com 19 edições até 1933, sendo que a partir do governo de Salazar, a sua aquisição só podia ser feita com receita médica.

A título de curiosidade, refira-se que foi o seu tio e padrinho, o padre Caetano de Pina Resende Abreu Sá Freire que insistiu para que ao nome fosse adicionado Egas Moniz, por a família descender em linha directa deste aio de Afonso Henriques.

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

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A Rua da Quinta do Loureiro

Freguesia de Campo de Ourique (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campo de Ourique
(Foto: Sérgio Dias)

O arruamento executado no prolongamento da Rua Costa Pimenta, no empreendimento Ceuta Norte recebeu o nome de Rua da Quinta do Loureiro, pelo Edital de 19/10/2001, para perpetuar a memória da Quinta que existiu neste local do Vale de Alcântara.

Onde antigamente eram os terrenos da Quinta do Loureiro surgiu uma nova urbanização de 14 lotes de habitação- para realojamento do Casal Ventoso- , que ficaram designados por Empreendimentos Ceuta Norte e receberam os primeiros inquilinos no mês de abril de 2001, transformando em definitivo uma zona degradada num espaço citadino com equipamentos sociais e estabelecimentos comerciais.

A Quinta do Loureiro é provavelmente do século XVII, de acordo com Luís Pastor de Macedo que refere que, em 1718, o seu proprietário António de Albuquerque Coelho de Carvalho, um fidalgo e governador colonial no Brasil e em Angola,  afirmava estar ela na posse de sua família há 80 anos conforme consta do Livro dos Prazos da Freguesia de São Pedro de Alcântara. Junto à Ribeira de Alcântara existiram várias Quintas como a dos Prazeres, a do Inferno e a do Cabrinha, sendo a Quinta do Loureiro a norte da Quinta da Horta Navia e em paralelo à Quinta dos Prazeres. O olisipógrafo Luís Pastor de Macedo também menciona que em 1819 funcionava uma fábrica de chitas na Quinta do Loureiro.

Supõe-se que a Quinta tenha sobrevivido até ao início do século XX, já que aparece referenciada na planta de 1856 de Filipe Folque e também mais tarde, numa planta de 1910. De igual forma, na Planta da Cidade de 1948, do Instituto Geográfico e Cadastral, encontramos referências toponímicas relativas à Quinta do Loureiro como o Caminho da Quinta do Loureiro e a Estrada do Loureiro. A Estrada do Loureiro começava na Rua Capitão Afonso Pala e corria em paralelo com a Rua Possidónio da Silva e a Rua Maria Pia.

Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campo de Ourique (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Campo de Ourique
(Planta: Sérgio Dias)

O Campo do convento da Ordem de Santa Clara

Cerca de 1940 (Foto:  Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

Cerca de 1940               (Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Campo de Santa Clara deve o seu nome a um convento de freiras claristas que ali se estabeleceu e julga-se que esta denominação remonte a cerca de 1294.

Contudo, ainda no séc. XVI era vulgarmente conhecido por Campo da Forca por nele se realizarem execuções capitais.

O arruamento é um amplo quadrilátero irregular que se situava extramuros da Cerca Moura, tendo sido um dos locais escolhidos por D. Afonso Henriques para acampamento das tropas antes do início do cerco de Lisboa. Aliás, o primeiro rei português mandou edificar o Mosteiro de São Vicente na parte poente deste Campo .

O Convento de Santa Clara foi mandado construir a expensas de D. Inês Fernandes, uma viúva rica asturiana e , em 7 de setembro de 1294 foi lançada a primeira pedra da Igreja. Com o terramoto ficou bastante danificado e foi nos seus terrenos que depois se edificou a Fundição de Santa Clara ou Fábrica de Armas.

Neste Campo de Santa Clara tem lugar todas terças e sábados a Feira da Ladra, que só após 1 de Julho de 1882 passou a ter lugar marcado neste sítio.

Freguesia de São Vicente

Freguesia de São Vicente                                                                                                  (Planta: Sérgio Dias)

Rua Guiomar Torresão no Dia contra a Violência sobre Mulheres

guiomar torresão

Já que hoje se celebra o Dia Internacional para a Eliminação de todas as formas de Violência contra as Mulheres e, amanhã  a cronista Guiomar Torresão completaria o seu 170º aniversário, registamos a Rua a que dá nome esta escritora que defendeu um maior acesso das mulheres à educação no Portugal Oitocentista.

Guiomar Torresão passou à memória de Lisboa pelo Edital de 19/06/1976 que consagrou mais 3 mulheres. Este Edital é pioneiro porque pela primeira vez em Lisboa, os arruamentos de uma urbanização recente – a Quinta dos Condes de Carnide/Unor 36 – receberam exclusivamente topónimos de mulheres: a Rua Adelaide Cabete (Impasse 1), a Rua Ana de Castro Osório (Rua B), a Rua Maria Veleda (Impasses 3 e 4) e a Rua Guiomar Torresão (Rua E).

Freguesia de Carnide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias)

Guiomar Delfina de Noronha Torresão (Lisboa/26.11.1844 – 1898/Lisboa) foi sobretudo uma cronista que fez da sua escrita modo de vida e uma denúncia da menoridade vivida pelas mulheres naquela época, particularmente defendendo um maior nível de instrução para as mulheres. Como escritora também se dedicou ao romance – como Uma Alma de Mulher (1869) ou o romance histórico A Família Albergaria (1874) – , à dramaturgia – de que é exemplo a comédia O Século XVIII e o Século XIX (1867) – , à poesia e aos livros de viagens, acumulando ainda traduções na sua laboração literária. E, como era uso e costume em Oitocentos usou  pseudónimos masculinos como Delfim de Noronha (enquanto cronista de Ribaltas e Gambiarras), Gabriel Cláudio (nos seus textos no Diário Ilustrado), Sith e Tom Ponce. Publicou em duas compilações as suas crónicas, a saber, Meteoros (1875) e No Theatro e na Sala (1881), esta última com prefácio de Camilo, e na qual polemizava com Ramalho Ortigão que defendia a confinação das mulheres à vida doméstica e o casamento como seu «natural destino».

E já que fez das letras o seu meio de subsistência, Guiomar Torresão também fundou e dirigiu o Almanaque das Senhoras, de 1870 a 1898, apesar de muitos escritores dessa época recusarem lá publicar por ser gerido por uma mulher. Foi também diretora da redação literária de O Mundo Elegante (1887).

Rua Guiomar Torresão mapa

 

Augusto Rosa deu nome à rua onde viveu

No jardim de sua casa em 1903  (Foto: Ilustração Portuguesa, 1903)

No jardim de sua casa 
(Ilustração Portuguesa, 1903)

Seis anos após o falecimento do ator Augusto Rosa a artéria onde ele viveu e faleceu, a Rua do Arco do Limoeiro (no nº50), passou a ter o seu nome, consagrado pelo Edital municipal de 17/03/1924.

Inicialmente o topónimo foi atribuído como Rua Augusto Rosa, mas por parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 09/04/1955 foi-lhe acrescentada a partícula «de» – Rua de Augusto Rosa -, justamente por o homenageado ali ter residido. Junto com a Travessa dos Teatros são os únicos topónimos relativos a Teatro na Freguesia de Santa Maria Maior.

Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

Augusto Rosa (Lisboa/06.02.1850 – 02.05.1918/Lisboa), filho mais novo do ator João Anastácio Rosa e, irmão do também ator João Rosa, estreou-se no Teatro Baquet do Porto em O Morgado de Fafe em Lisboa, no ano de 1874. Trabalhou no Teatro da Trindade e também no D. Maria II, para o qual aliás, formou com seu irmão e Eduardo Brazão a Sociedade de Artistas Dramáticos que viria a dar lugar à Companhia Rosas & Brazão e, era tal o seu empenho nela que recusou por duas vezes ser professor do Conservatório de Lisboa.

Augusto Rosa foi agraciado com o Hábito de Santiago pelo Rei de Espanha e com a Comenda de Santiago portuguesa, para além de ter sido objeto de estudo de um professor da Faculdade de Medicina de Lisboa pela riqueza das suas expressões fisionómicas.

Freguesia de Santa Maria Maior (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias)

Nova Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa empossada ontem

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A Vereadora Catarina Vaz Pinto e o Vice-Presidente Fernando Medina

O Sr. Vice-presidente da CML Fernando Medina deu ontem posse, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa, à nova Comissão Municipal de Toponímia, presidida pela Srª Vereadora Catarina Vaz Pinto, no seguimento da publicação da nova Postura Municipal Sobre Toponímia e Numeração de Polícia, no Boletim Municipal de 2 de Outubro de 2014.

Esta Comissão Municipal de Toponímia que agora inicia funções é constituída pelos seguintes vogais:

por indicação do Sr. Presidente da CML:

  • Professora Doutora Irene Pimentel
  • Professora Doutora Maria Calado
  • Professor Doutor Rui Vieira Nery

por indicação da Assembleia Municipal de Lisboa:

  • Dr. Pedro Delgado Alves
  • Engº Fernando Braamcamp

e ainda:

  • Professor Doutor José Pedro Sousa Dias, em representação da Universidade de Lisboa (UL)
  • Professor Doutor José Esteves Pereira, em representação da Universidade Nova de Lisboa (UNL)
  • Professor Doutor Vasco Moreira Rato, em representação do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa
  • Dr. Paulo Sérgio Santos, em representação da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA)
  • Drª Salete Salvado, em representação do Grupo Amigos de Lisboa (GAL)
  • Dr. Manuel Veiga, Diretor Municipal de Cultura (DMC)
  • Engº João Tremoceiro, em representação da Direcção Municipal da Unidade de Coordenação Territorial (DMUCT)
  • Engª Maria Helena Bicho, em representação da Direção Municipal de Projetos e Obras (DMPO)
  • Drª Ana Homem de Melo, em representação do Gabinete de Estudos Olisiponenses (GEO)
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A nova Comissão Municipal de Toponímia

A Rua Paulo Renato no 90º aniversário deste homem de teatro

 

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No próximo domingo, dia 23, Paulo Renato completaria o seu 90º aniversário e o seu nome está perpetuado numa artéria da Freguesia de Benfica, cuja toponímia acolhe muita gente ligada ao Teatro.

Foi o Edital municipal  de 11/11/1983,  quase dois anos após o seu falecimento aos 57 anos de idade, que o fixou no que era a Rua 1 à Estrada de Benfica, também referida como Rua 1 de ligação entre a Estrada de Benfica e a Rua Prof. José Sebastião e Silva.

Os outros 16 atores presentes na toponímia da Freguesia de Benfica estão, por ordem cronológica (do mais antigo para o mais recente),  inscritos da seguinte forma: Rua Emília das Neves (Edital de 07/08/1911) ; Travessa Miguel Verdial (Edital de 18/06/1926); Rua Actriz Adelina Abranches e Rua Actriz Maria Matos (Edital de 10/11/1966); Rua Actor Alves da Cunha, Rua Actor Estêvão Amarante, Rua Actor Nascimento Fernandes e Rua Actor Vasco Santana (Edital de 10/04/1969); Rua Actor Robles Monteiro (Edital de 09/02/1970); Rua Augusto Costa (Costinha), Rua Aura Abranches, Rua Lucília Simões e Rua Maria Lalande (Edital de 31/01/1978); Rua Amélia Rey Colaço (Edital de 21/08/1990); Rua Elvira Velez (Edital de 04/02/1993) e Rua Barroso Lopes (Edital de 20/03/1995).

Renato Ramos Paulino, que escolheu o nome artístico de Paulo Renato (Lisboa/23.11.1924-26.12.1981/Lisboa) foi figura relevante da cena portuguesa, quer como  intérprete quer como encenador.

Enveredou pelo teatro por volta de 1946, no Teatro Estúdio do Salitre dirigido por Gino Saviotti e, em 1949, no grupo de Pedro Bom no Teatro Experimental da Rua da Fé, lado a lado com Glicínia Quartin. No ano seguinte entrou para a Companhia Amélia Rey-Colaço – Robles Monteiro onde fez a sua estreia como profissional, em Crime e Castigo. Sobretudo nas décadas de 50 e 60 do século passado, a sua popularidade era enorme, muito graças a ter sido contratado por Vasco Morgado em 1952 e assim, contracenado com Laura Alves e interpretando autores como Shakespeare (1952, 1955, 1964), Casona (1952) ou Tenesse Williams (1959). Nessa época recebia tantos mais aplausos quanto era o galã do momento, tendo até feito par com Amália em A Severa, no Teatro Monumental. Em 1953 ainda passou pela Companhia de Comédias de Alma Flora e pelo Teatro do Povo.

Como encenador dirigiu gente como Maria Barroso na interpretação com mestria de O Segredo, de Michael Redgrave, bem como Raul Solnado, de quem era grande amigo, nas peças Amor às riscas ou O Vison Voador, O Ovo, A Tocar é que a Gente se Entende. Também encenou O Dia Seguinte de Luís Francisco Rebello e dirigiu a Companhia Portuguesa de Teatro.

Com Costa Ferreira ainda escreveu em 1955 duas peças infantis – Príncipe Valente e Aí Vêm os Palhaços– e conseguiu tempo para publicar um livro de poemas em 1950.

Esteve ainda ligado à Rádio como locutor e produtor de programas, nomeadamente na Emissora Nacional, sendo de referir os seus Páginas Imortais, Intermezo, Programa de Poesia, Teatro Radiofónico e Radiograma. Na televisão também encenou e interpretou meia centena de peças e, mais tarde, em 1977, foi um dos jurados de A Visita da Cornélia.

No cinema, Paulo Renato criou alguns personagens muito interessantes nos filmes Verdes Anos (1963), Sol e Touros (1949), Quando o Mar Galgou a Terra (1954)e Sangue Toureiro (1958).

0 Rua Paulo Renato - mapa

Freguesia de Benfica                                                                                                     (Planta: Sérgio Dias)

Rua Cardeal Mercier no Bairro da Bélgica

Cardeal Mercier artigo

O Cardeal Mercier,  arcebispo belga que no decorrer da I Guerra Mundial apelou à resistência aos alemães, completaria amanhã o seu 163º aniversário, razão para o evocarmos através do arruamento do Bairro da Bélgica que desde 1926 ostenta o seu nome.

Seguindo o exemplo de 1916 do Bairro de Inglaterra, também a Comissão de Melhoramentos do Bairro da Bélgica, a 10 de maio de 1926, sugeriu à autarquia lisboeta que fossem atribuídos nos arruamentos do Bairro nomes alusivos à Bélgica. E assim, o Edital municipal de 30/06/1926 colocou o Cardeal Mercier na Rua E do Bairro do Bélgica e o general Leman na Rua D, este último com a legenda «Heróico Defensor de Liège /1914». Ambos os topónimos perpetuam figuras belgas ligadas à resistência aos alemães no decorrer da I Guerra Mundial: o arcebispo de Malines e primaz da Bélgica publicara em 1915 uma Carta Pastoral incitando ao patriotismo e o General Leman defendeu Liége contra o invasor alemão e acabou prisioneiro de guerra.

Edital de 30.06.1926

Edital de 30.06.1926

Desiré Joseph Mercier (Bélgica- Braine-l’Alleud /21.11.1851-23.01.1926/Bruxelas – Bélgica) foi a alma da resistência do povo belga durante a invasão e a ocupação de parte do país na I Guerra Mundial. Mercier foi recebido no Seminário Menor de Malines em 1868 para estudar filosofia e, passado dois anos, seguiu para o Seminário Maior.  Em 1871, recebeu a tonsura e foi enviado para a Universidade de Louvaina, para estudar teologia. A 4 de abril de 1874 foi ordenado sacerdote e celebrou a sua Primeira Missa. Com o apoio do Papa Leão XIII, Mercier tornou-se fundador e director do Instituto Superior de Filosofia, destinado principalmente aos leigos, onde em 1892, fundou em anexo o seminário eclesiástico Leão XIII. Em 7 de fevereiro de 1906 foi nomeado arcebispo de Malines pelo Papa Pio X e no ano seguinte foi investido como Primaz da Bélgica e Cardeal (1907).

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Praça Bernardo Santareno no aniversário do dramaturgo

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Hoje passa o aniversário de António Martinho do Rosário, que com o pseudónimo de Bernardo Santareno ficou perpetuado numa Praça lisboeta junto à Rua Sarmento de Beires, a partir da sugestão de diversos vereadores na reunião da Câmara de 3 de setembro de 1980.

Bernardo Santareno foi o nome literário escolhido pelo médico António Martinho do Rosário (Santarém/19.11.1924 – 30.08.1980/Carnaxide-Oeiras) para evocar a  sua terra natal. Licenciado em Medicina pela Universidade de Coimbra no ano de  1950, passou a exercer clínica em Lisboa sete anos depois e, nesta cidade se radicou. Em paralelo, desenvolveu uma dramaturgia de inspiração neo-realista de que se salientam  A Promessa (1957), O Lugre (1959), O Crime da Aldeia Velha (1959), António O Marinheiro ou o Édipo de Alfama (1960), Os Anjos e o Sangue (1961), O Pecado de João Agonia (1961), Anunciação (1962), O Judeu (1966), A Traição do Padre Martinho (1969), e, em 1979, Os Marginais e a Revolução que reúne 4 peças (Restos, A Confissão, Monsanto, Vida Breve em Três Fotografias) e,  postumamente, O Punho (1987).

O escritor Bernardo Santareno começou pela poesia, com a publicação de 3 livros em edição de autor, de 1954 a 1957. Em 1959 também deu à estampa o livro de narrativas  Nos Mares do Fim do Mundo, em resultado da sua dura experiência como médico nos barcos da pesca do bacalhau, assim como em 1974 foi a vez de ser impresso Português, Escritor, 45 Anos de Idade (1974). Santareno também se distinguiu na tradução de obras de grandes autores estrangeiros, como André Gide.

Algumas das suas peças, como A Promessa, foram alvo da Censura e, em 1961, recebeu o Prémio da Crítica para o melhor original de dramaturgia portuguesa e mais duas vezes foi galardoado com o Prémio Imprensa.

Bernardo Santareno teve também larga intervenção política antes e depois de 25 de Abril de 1974, tendo mesmo sido membro da Assembleia Municipal de Lisboa.

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)