No centenário de António Dacosta, a rua deste pintor

Freguesia de Santa Clara (Foto: Rui Mendes)

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Rui Mendes)

 

Passa hoje o centenário de nascimento do pintor António Dacosta, que 19 anos após o seu falecimento deu o seu nome a uma artéria do Plano de Urbanização do Alto do Lumiar, identificada como Rua I da Malha 22.4 .

Foi pela Deliberação Camarária de 11/03/2009 e, consequente Edital de 20/03/2009. E na mesma área a edilidade implantou na toponímia os nomes do escultor António Duarte e do político Lino de Carvalho.

Antítese da calma, 1940, óleo sobre tela

Antítese da calma, 1940, óleo sobre tela, Centro de Arte Moderna da Gulbenkian

O homenageado é o açoriano António da Costa (Angra do Heroísmo/03.11.1914 – 02.12.1990/Paris), um pintor surrealista e depois abstrato, que tomou o nome artístico de António Dacosta, e que também durante longos foi crítico de arte, a partir de 1943 e até 1980.

Dacosta expôs pela primeira vez em 1940, na Casa Jalco, juntamente com outra figura pioneira do surrealismo português e seu colega das Belas-Artes de Lisboa, António Pedro. Introduziu na pintura portuguesa a conciliação possível entre um onirismo de raiz surrealista e uma particular interpretação dos mitos insulares da sua terra natal, traduzida em obras como Diálogo (1939), Antítese da calma (1940), Serenata Açoriana (1940) ou A Festa (1942), recebendo por esta última o prémio Sousa Cardoso do Secretariado Nacional de Informação. Foi bolseiro do governo Francês em 1947, em Paris, e acabou por se auto-exilar lá, mesmo que dois anos depois tenha participado na Exposição do Grupo Surrealista de Lisboa, com obras onde se aproxima da abstração, mas nesse mesmo ano deixa de pintar e nos cerca de 30 anos seguintes a sua ligação às artes sobrevive enquanto crítico, colaborando em diversos jornais e revistas, como o jornal brasileiro O Estado de S. Paulo e o lisboeta Diário Popular.

Em 1975 António Dacosta voltou a pintar, abrindo a sua obra a um universo lírico de índole matissiana, primeiro de uma forma íntima e quase secreta, que intensificou na década seguinte, expondo novos trabalhos em 1983, na Galeria 111, sendo mesmo agraciado no ano seguinte com o prémio AICA.

Refira-se ainda que Lisboa guarda em cada dia a memória de António Dacosta como autor da intervenção plástica da estação do Metro do Cais do Sodré, inaugurada em abril de 1998. Antes de falecer deixou alguns esboços para esta estação que foram integrados segundo a interpretação do pintor Pedro Morais. No cais da estação encontramos  grandes painéis de azulejos com um coelho apressado, evocativo do clássico Alice no País das Maravilhas. Também sob as escadas de acesso ao exterior podemos encontrar uma superfície curva de azulejos azuis por onde, pontualmente, correm lençóis de água.

Ainda em  em Lisboa, a sua obra pictórica está representada  no Museu do Chiado e no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, para além de poder ser encontrada na Biblioteca-Museu de Amarante, no Museu Nacional de Soares dos Reis (Porto), e nos Açores, no Museu Carlos Machado (Ponta Delgada), no Museu de Angra do Heroísmo e no Museu da Horta.

Estudo preparatório para a Estação de Metropolitano do Cais do Sodré, 1989/90 , Marcador e aguada sobre papel

Estudo preparatório para a Estação de Metropolitano do Cais do Sodré, 1989/90 , Marcador e aguada sobre papel

Freguesia de Santa Clara (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias)

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