O Largo Luís Dourdil por ocasião do seu centenário

0 Luis Dourdil

No próximo sábado, dia 8 de novembro, passa o centenário do nascimento de Luís Dourdil, pintor e desenhador da figuração e da abstração, que está consagrado num Largo de Marvila desde 2001.

O mesmo Edital de 26/12/2001 que o perpetuou na toponímia de Lisboa colocou na mesma Freguesia os nomes dos pintores Artur Bual, Eduarda Lapa, Mário Botas e Severo Portela, bem como do fotógrafo Carlos Gil e do arquiteto Alberto José Pessoa.

De seu nome completo Luís César Pena Dourdil Dinis(Coimbra/08.11.1914 – 29.09.1989/Lisboa), foi ele o autor do emblemático painel de 48 m² do Café Império (1955) e, a par do seu emprego como artista gráfico, se construiu como pintor autodidata tendo começado a expor em 1935, na Exposição de Arte Moderna, privilegiando a figura humana como tema constante da sua obra, embora a partir da década de 60 do séc. XX tenha chegado ao abstrato.

Ao longo da sua obra também manteve o binómio desenho/pintura e, tanto mais quanto começou por desenhar gente anónima da vivência quotidiana de Lisboa, cidade onde viveu e teve ateliê, como por exemplo a tela Ruas de Alfama mostra. O seu quadro Peixeira Sentada (1960) é uma das suas obras mais conhecidas. Para além da placa toponímica, Lisboa também acolheu a arte de Dourdil muralista no painel de 25 m² do hall do Laboratório Sanitas em 1945 ( que hoje está no Museu da Farmácia/Assoc. Nac. Farmácias), na pintura mural de 16 m² do Foyer de Honra do Cinema Império (1945), no mural 50 m² do Restaurante panorâmico do Monsanto (1967), bem como na exposição Lisboa na Obra dos Artistas Contemporâneos (1971).

Durante as décadas de 40 e 50 do século passado, a temática de Dourdil focava-se nas figuras populares, herdeiro das correntes cubo-expressionistas, como de Jacques Villon, a quem aliás, em 1963, homenageou com a pintura decorativa Operação cirúrgica, a partir da qual passou para um desenho de linhas mais sensíveis e harmonia luminosa, usando carvão e lápis ou tela, papel e platex.

Refira-se ainda que Luís Dourdil foi em 1966 o criador do selo de correio comemorativo do 2º centenário de nascimento de Bocage (selo que circulou até 1973) e que ocupou cargos diretivos na Sociedade Nacional de Belas Artes (1957-1963).

Este autor de uma pintura de fundo lírico  da Segunda Geração de pintores portugueses do séc. XX foi galardoado com o Prémio de Desenho da Casa da Imprensa (1965) e com o 1º Prémio de Pintura do Ministério da Cultura na exposição de homenagem dos artistas portugueses a Almada Negreiros (1984), estando a sua obra representada em Lisboa no Museu da Cidade, no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, na Sociedade Nacional de Belas Artes, no Museu do Chiado/ Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Museu da Electricidade, no Museu Abel Manta (Gouveia), Museu de Amarante, Museu Machado de Castro (Coimbra), Museu Tavares Proença Júnior (Castelo Branco) e no Museu de Serralves (Porto).

Freguesia de Marvila (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias)

Anúncios

One thought on “O Largo Luís Dourdil por ocasião do seu centenário

  1. Pingback: A Rua Dom João V das Águas Livres | Toponímia de Lisboa

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s