Rua Guiomar Torresão no Dia contra a Violência sobre Mulheres

guiomar torresão

Já que hoje se celebra o Dia Internacional para a Eliminação de todas as formas de Violência contra as Mulheres e, amanhã  a cronista Guiomar Torresão completaria o seu 170º aniversário, registamos a Rua a que dá nome esta escritora que defendeu um maior acesso das mulheres à educação no Portugal Oitocentista.

Guiomar Torresão passou à memória de Lisboa pelo Edital de 19/06/1976 que consagrou mais 3 mulheres. Este Edital é pioneiro porque pela primeira vez em Lisboa, os arruamentos de uma urbanização recente – a Quinta dos Condes de Carnide/Unor 36 – receberam exclusivamente topónimos de mulheres: a Rua Adelaide Cabete (Impasse 1), a Rua Ana de Castro Osório (Rua B), a Rua Maria Veleda (Impasses 3 e 4) e a Rua Guiomar Torresão (Rua E).

Freguesia de Carnide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias)

Guiomar Delfina de Noronha Torresão (Lisboa/26.11.1844 – 1898/Lisboa) foi sobretudo uma cronista que fez da sua escrita modo de vida e uma denúncia da menoridade vivida pelas mulheres naquela época, particularmente defendendo um maior nível de instrução para as mulheres. Como escritora também se dedicou ao romance – como Uma Alma de Mulher (1869) ou o romance histórico A Família Albergaria (1874) – , à dramaturgia – de que é exemplo a comédia O Século XVIII e o Século XIX (1867) – , à poesia e aos livros de viagens, acumulando ainda traduções na sua laboração literária. E, como era uso e costume em Oitocentos usou  pseudónimos masculinos como Delfim de Noronha (enquanto cronista de Ribaltas e Gambiarras), Gabriel Cláudio (nos seus textos no Diário Ilustrado), Sith e Tom Ponce. Publicou em duas compilações as suas crónicas, a saber, Meteoros (1875) e No Theatro e na Sala (1881), esta última com prefácio de Camilo, e na qual polemizava com Ramalho Ortigão que defendia a confinação das mulheres à vida doméstica e o casamento como seu «natural destino».

E já que fez das letras o seu meio de subsistência, Guiomar Torresão também fundou e dirigiu o Almanaque das Senhoras, de 1870 a 1898, apesar de muitos escritores dessa época recusarem lá publicar por ser gerido por uma mulher. Foi também diretora da redação literária de O Mundo Elegante (1887).

Rua Guiomar Torresão mapa

 

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2 thoughts on “Rua Guiomar Torresão no Dia contra a Violência sobre Mulheres

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