A Rua Vitor Cordon que foi Ferragial de Cima e Nª Srª dos Mártires

Freguesias da Misericórdia e de Santa Maria Maior (Foto: Toze Ribeiro)

Freguesias da Misericórdia e de Santa Maria Maior
(Foto: Toze Ribeiro)

A Rua Vítor Cordon que começa no cimo da Calçada de São Francisco e termina na Rua António Maria Cardoso, foi «antes Rua do Ferregial de Cima, e nos séculos velhos – com traçado diferente, é claro – Rua de Nossa Senhora dos Mártires» segundo o olisipógrafo Norberto Araújo.

Pelo edital de 06/02/1890 a edilidade lisboeta decidiu homenagear nas suas ruas os nomes de Vítor Cordon, Paiva de Andrada e António Maria Cardoso, justificando «quanto importa perpetuar na memória dos povos e através das gerações os nomes dos que lidam com abnegação e valor pela grandeza da pátria, e renovam hoje em terras de África o brilho das nossas melhores tradições» dado que «os serviços destes nossos compatriotas na pacífica e completa realização do vasto plano de reivindicação elaborado pelo gôverno da metrópole são de ordem tal, que até arrancaram aos próprios inimigos um insuspeito e valiosíssimo testemunho de admiração».

Já cinco anos antes, através do edital de 7 de setembro, a Câmara atribuíra na mesma freguesia (então  dos Mártires) os topónimos Rua Anchieta, Rua Capelo, Rua Ivens e Rua Serpa Pinto, todos referentes a exploradores dos territórios africanos. Contudo, as figuras homenageadas em 2 de fevereiro de 1890 têm relação direta com o Ultimato Inglês como está escrito no documento: «em resultado das injustificáveis exigências do governo inglês, compreendidas no Ultimatum de 11 de janeiro passado e apenas escudadas no direito da força, inutilizados ficam em grande parte os trabalhos destes três beneméritos da Pátria, cabendo-lhes, além do quinhão na dor comum a todos os portugueses, a dor quiçá mais intensa, de ver perdido o fruto de tantas privações e tão grandes trabalhos».

Francisco Maria Vítor Cordon (Estremoz/15.03.1851 – 15.08.1901/Mafra) iniciou a sua carreira militar em África em 1876, integrado na expedição encarregada de construir o caminho-de-ferro de Ambaca. Em Angola exerceu as funções de chefe do serviço telegráfico (18979), de governador do Ambriz (1882) e de Novo Redondo (1884). Em 1888-89 procedeu à exploração e ocupação efetiva do interior de Moçambique, de Zumbo a Quelimane, assinando termos de vassalagem com os diversos régulos. Foi proclamado benemérito da Pátria em 1890. O próprio edital municipal a ele se refere exaltando «o êxito completo e brilhante da expedição de Francisco Maria Vítor Córdon, que partindo do Zumbo e seguindo os cursos do Panhane e de parte do Umfuli, subiu depois o Sanhate até à sua foz, percorrendo assim toda a região, designadas nas cartas do Marquês de Sá da Bandeira, como fronteira oriental da província de Moçambique ao sul do Zambeze, (…) Recordando ainda os trabalhos e privações suportadas animosamente com risco da saúde e da vida no decurso destas brilhantes expedições e exemplificadas entre tantos no facto ocorrido com Vítor Córdon, alimentando-se durante 45 dias com carne de búfalo em putrefacção e uns pequenos e miseráveis bolos de farinha de milho; (…).»

A título de curiosidade mencionamos o facto de o prédio com o nº1, no qual está instalada no presente a sede da CGTP-IN, de acordo com Norberto Araújo, ter sido antes, a FNAT – Fundação Nacional da Alegria pelo Trabalho e outrora, o local do Palácio dos Vilas Francas.

Freguesias da Misericórdia e de Santa Maria Maior

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