A Rua Direita da Lapa

Prédio da Rua da Lapa onde viveu o Engº Vieira da Silva  (Foto: Arquivo Municipal de Lisboa, Firmino Marques da Costa, c. 1952)

Prédio da Rua da Lapa onde viveu o Engº Vieira da Silva
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa, Firmino Marques da Costa, c. 1952)

A antiga Rua Direita da Lapa viu no final do séc. XIX (Edital municipal de 22/08/1881) ser-lhe retirada a palavra Direita, indicadora de artéria central de um sítio para ficar apenas Rua da Lapa.

Este mesmo Edital de Rosa Araújo alegava a «conveniencia de simplificar a denominação das ruas» e assim foi retirada a palavra Direita a mais 10 artérias que assim passaram a ser Rua dos Anjos, Rua de Arroios, Rua da Costa, Rua das Janelas Verdes, Rua das Necessidades, Rua do Rato (hoje, Largo do Rato), Rua do Sacramento a Alcântara, Rua de Santo Estêvão, Rua de São Francisco de Paula e Rua de Santos-o-Velho.

Norberto Araújo explica a origem do topónimo da seguinte forma: «No século XVI o lado poente do actual bairro, que cai sôbre a Pampulha, era de campos matizados de casas e arvoredos, onde aqui e ali afloravam pedreiras. Uma lapa, numa dessas rochas deu origem à “Lapa da Moura”, designação oral, e documentada, que precedeu a de “Cova da Moura” ainda existente. A “lapa” – à Pampulha, sítio mais antigo – subiu para Norte e Nascente até ao Mocambo e, deslocando a designação, firmou a Lapa de Setecentos. Foi o Terramoto que fêz êste Bairro em definição urbanista, e que explica o seu crescimento; (…)». E ainda lhe disntingue dois contornos: «Em verdade existem duas Lapas: a popular e a aristocrática. De uma parte dêste sítio vàdio (…) entrou a desenhar-se um burgo abastado, senhor de si, atracção dos ingleses, do negócio, da burguesia, do dinheiro, da nobreza escorraçada do Oriente da cidade, afastada que foi, ou reduzida a um expressão episódica, a população marítima que subia das margens do rio, pela vereda de Santos: eis a Lapa da distinção, no semblante e nos costumes, a tal ponto criadora de um tipo seu que hoje se costuma dizer de uma pessoa ou de uma família que blasona “tom” – “É muito bairro da Lapa”. Outra parte, a cair para Sul e Nascente, encostada àquela, comum nos limites convencionais do aglomerado, manteve-se agarrada ao seu facies popular; constituíu família, aproveitou do trabalho dos engenheiros pombalinos; trabalha no mar, nas oficinas, nos escritórios; transpira agitação, não chegando ao tumulto da Madragoa, mas é desenvolta, sabe cantar e tem as portas abertas: eis a Lapa popular, que ainda assim, na urbanização, não conseguiu formar uma “póvoa” exclusivamente sua, pois se corta de artérias dessimilhantes que podiam pertencer à Lapa aristocrática.»

Freguesia da Estrela

Freguesia da Estrela

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