Todos somos Leonor Pimentel

 

Eleonora_Fonseca_Pimentel

Leonor Pimentel que enquanto jornalista foi enforcada por motivos políticos, em Nápoles, e que hoje comemoria o seu 263º aniversário, dá o seu nome a uma artéria do Bairro de Caselas desde 1988.

Pelo Edital de 20/04/1988  a edilidade lisboeta atribuiu topónimos aos arruamentos do Bairro de Caselas, que desde o início eram apenas denominados por números, como era hábito fazer-se na década de 50 do século passado nos Bairros Sociais lisboetas. Dos 12 topónimos 7 deles são de mulheres, a saber, para além de Leonor Pimentel (Rua 2), a médica Carolina Ângelo e 1ª mulher a votar em Portugal (Rua 1), Virgínia Quaresma considerada a 1ª jornalista portuguesa (Rua 4), a 1ª notária portuguesa Aurora de Castro (Rua 6), as escritoras Alice Pestana (Rua 3) e Olga Morais Sarmento (Rua 7) e, a pintora Sara Afonso (Rua vulgarmente conhecida por Rua da Cooperativa de Caselas).

Leonor da Fonseca Pimentel Chaves (Roma/13.01.1752 – 20.08.1799/Nápoles) logo em 1789 pronunciou-se  abertamente pelos princípios da Revolução Francesa e tornou o seu salão o centro de reunião dos liberais e dos que se opunham à corte. Em 1798, o rei refugiou-se na Sicília para evitar Napoleão e proclamou a República Partenopeia e, Leonor Pimental foi redatora do jornal da República, Il Monitore Napolitano, que teve profunda influência na moderação das decisões do governo revolucionário da época, e tornou-se uma mulher pioneira na direção de um jornal político. Quando a efémera República Napolitana caiu  (1797-1799) Eleanora (como os italianos a tratam)  foi acusada de traição e condenada à morte, por enforcamento, o qual teve lugar na Praça do Mercado de Nápoles.

Leonor Pimentel, filha do aristocrata Henrique da Fonseca Pimentel, numa família que abandonou Portugal por oposição às políticas do Marquês de Pombal e partiu para Roma, de onde saiu em 1760 para se  fixar em Nápoles, começou a fazer versos com 16 anos e em 1777 produziu Il trunfo della virtu, um drama dedicado ao Marquês de Pombal que ela admirava.

Leonor Pimental que falava e escrevia corretamente o português, chegou a ser dama de honor da rainha de Nápoles Maria Carolina e em 1784 casou com um nobre, do qual teve a coragem de se separar já que o marido a maltratava.

A sua personalidade corajosa aparece referida no romance histórico de Pinheiro Chagas Duas Flores de Sangue e ainda inspirou o filme mudo português A Portuguesa de Nápoles (1931), exibido em Portugal com argumento e realização de Henrique Costa. Também em 1982 Enzo Striano publicou o romance Il Resto da Niente, traduzido em português como A Portuguesa de Nápoles, que foi adaptado ao cinema pela realizadora Antonietta de Lillo em 2004, com Maria de Medeiros como protagonista (que no final das gravações deu à luz a sua 2ª filha a quem deu o nome de Leonor).

Refira-se ainda que Nápoles tem uma escola do Magistério Primário com o seu nome e, que Leonor Pimentel também figura no Pantheon dei Martiri della Libertà, ao lado de outras referências do pensamento político italiano.

Freguesia de Belém (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém

Freguesia de Belém

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One thought on “Todos somos Leonor Pimentel

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