A Rua Amarelhe com a caricatura diplomática em cena

Amarelhe

O caricaturista Amarelhe, considerado um diplomata nessa arte, desde a publicação do Edital de 30/10/1997 que dá nome a uma artéria da Freguesia do Lumiar, que era o Impasse II à Avenida Maria Helena Vieira da Silva, paralela à Rua Mário Eloy que também nasceu no mesmo Edital e, ambas paralelas à Rua da Tobis Portuguesa, empresa em que tantos dos retratados por Amarelhe passaram em película de filme.

Américo da Silva Amarelhe (Porto/26.12.1892 – 03.04.1946/Lisboa) era filho de mãe portuguesa e de pai espanhol – José Amarelle -, e daí se gerou o seu apelido aportuguesado que utilizou como assinatura e, que muitos interpretaram como um pseudónimo. Aos 14 anos fez a sua 1ª Exposição pública de «retratos caricaturais», no Salão da Fotografia União da sua cidade natal, conseguindo um inegável êxito artístico e comercial, impondo-se mesmo como um artista de moda : os lojistas do Porto passaram a ter pelo menos uma caricatura de Amarelhe na sua montra, eles próprios lisonjeados por se mandarem caricaturar e, num clima em que quase parecia mal não ter uma caricatura de Amarelhe.

Cinco anos mais tarde, radicou-se em Lisboa  e foi o primeiro artista a querer viver apenas do retrato caricatural. Em 9 de maio de 1912, nas salas do Grémio Literário sito na Rua Ivens, participou com uma vintena de trabalhos no I Salão de Humoristas Portugueses e as suas imagens encheram os principais diários portugueses, sobretudo em publicações como o Primeiro de Janeiro, na revista Ilustração Portuguesa e no semanário humorístico Sempre Fixe. Américo Amarelhe dedicou-se especialmente a caricaturar gente das mais variadas áreas do meio teatral, como Adelina Fernandes, António Silva, Beatriz Costa, Francis Graça, Henrique Alves, Hortense Luz, João Bastos, José Loureiro, Josefina Silva, Leopoldo Fróis, Manuel Joaquim de Araújo Pereira, Maria Matos ou Palmira Bastos, podendo mesmo afirmar-se que Amarelhe foi o cronista gráfico do teatro em Portugal.

E apesar da caricatura ser o género jornalístico que revela o lado escondido das coisas a de Amarelhe, era contudo, sempre amável e diplomática para não ofender nenhum dos retratados. O seu estilo não privilegiou as deformações e exageros da caricatura e enveredou mais pela sátira pitoresca do que pelo grotesco, aliás espelhando o seu próprio comportamento  social e o seu modo de vestir.

Finalmente acrescente-se que ainda ligado ao teatro, Amarelhe executou decorações e cenários para além de conceber cartazes para o teatro de revista e para empresas discográficas.

Amarelhe teve ainda direito a uma exposição própria no Salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria II em 1928 e, a sua grande relação com o mundo teatral levava os Teatros lisboetas a manterem sempre duas cadeiras livres na primeira fila:  para «o Amarelhe» e possível acompanhante.

0 Painel de  Amarelhe (1939 ) com caricaturas de Beatriz Costa

O Painel de Amarelhe (1939 ) com caricaturas de Beatriz Costa

Freguesia do Lumiar

Freguesia do Lumiar