André Brun, vizinho do lado de uma rua de Campo de Ourique

O Diário Ilustrado, 26.12.1926

O Diário Ilustrado, 26.12.1926

André Brun, militar que esteva nas trincheiras da I Guerra Mundial e autor de comédias como A Vizinha do Lado ou A Maluquinha de Arroios  tem o seu  nome fixado na memória de Lisboa em Campo de Ourique, na antiga Rua Particular nº 2 aos Prazeres, por Edital de 12/03/1932.

André Brun por Amarelhe

André Brun por Amarelhe

André Francisco Brun (Lisboa/09.05.1881 – 22.12.1926/Lisboa) foi um cronista, dramaturgo, humorista e militar de ascendência francesa que começou pelo curso de Infantaria na Escola do Exército, e após ter estado nas trincheiras da I Guerra Mundial na Flandres, regressou com patente de major e a Medalha da Cruz de Guerra, e fundou o Cenáculo Artístico Águias, onde predominavam literatos, pintores, músicos e caricaturistas e ainda publicou, em 1918, A Malta das Trincheiras – Migalhas da Grande Guerra.

André Brun ficou conhecido como cronista e dramaturgo humorístico, incidindo particularmente na vida da pequena burguesia lisboeta. Inesquecíveis ficaram a sua A Vizinha do Lado (1913), adaptada ao cinema por António Lopes Ribeiro em 1945 e a sua A Maluquinha de Arroios (1916), adaptada pela sua esposa Alice Ogando e passada a película pela lente de Henrique Campos em 1970, para além de adaptações televisivas em 1977 e 1997.

Brun começou em 1907 com colaborações no Novidades e no suplemento humorístico de O Século e foi tal a popularidade que alcançou que esse material ficou no livro Sem pés nem cabeça, a que se seguiu, o Cada vez pior, Sem Cura Possível e outros, como já na década de 20 do séc. XX Filosofia de Feliz Pevide e Os Meus Domingos. Escreveu para diversas publicações periódicas como A Sátira: revista humorística de caricaturas (1911), Miau (1916), a Atlântida e a Contemporânea (ambas no período de 1915 a 1920), Portugal na guerra (1917)  e em O Domingo Ilustrado (1925-1927), na rubrica «Crónica Alegre».

Em 22 de maio de 1925 André Brun foi um dos sócios fundadores da SECTP – Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses) que em 1970 passou a ser a SPA – Sociedade Portuguesa de Autores. Os outros foram Mário Duarte, Júlio Dantas, Henrique Lopes de Mendonça, Félix Bermudes, João Bastos, Ernesto Rodrigues e os compositores Alves Coelho, Carlos Calderón e Luz Júnior, e deram-lhe sede no nº 13 da Praça dos Restauradores, onde funcionava a revista De Teatro.

Freguesia de Campo de Ourique

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