Fazia-me o obséquio de me dar um bocadinho do seu lume?

Vasco Santana no Pátio das Cantigas

Vasco Santana no Pátio das Cantigas

Vasco Santana, o hilariante ator do monólogo com um candeeiro no Pátio das Cantigas, tem o seu nome perpetuado numa rua do Bairro de Santa Cruz, em Benfica, desde o ano de 1969.

Foi pelo edital de 10 de abril de 1969 que a edilidade lisbonense criou na cidade um novo pólo toponímico de atores, desta feita no Bairro de Santa Cruz, em Benfica, com os nomes de Vasco Santana (na Rua 12), Estêvão Amarante (na Rua 8), Nascimento Fernandes (na Rua 10) e Alves da Cunha (na Rua 14) e é tanto mais significativo quanto Vasco Santana nasceu em Benfica.

Vasco Santana por Amarelhe

Vasco Santana por Amarelhe

Vasco António Rodrigues Santana (Lisboa/28.01.1898 – 13.06.1958/Lisboa) era filho do encenador Henrique Santana e foi por mero acaso que o então estudante de arquitetura iniciou a sua carreira, no dia 21 de outubro de 1917: ao subir a Avenida da Liberdade disposto a ir ver toiros ao Campo Pequeno, foi abordado para substituir o compère do Teatro Avenida na revista do seu tio, o empresário Luís Galhardo e, como conhecia bem a peça e o papel não teve forma de se esquivar. E daí em diante viveu para o teatro, mostrando o seu grande poder de comunicabilidade e os seus dotes para provocar a hilaridade muito rapidamente.

Para além de actor (de revista, opereta e comédia), foi ensaiador, empresário teatral e autor – às vezes, em parceria com o seu primo José Galhardo – , assim como tradutor, fazendo também parte da memória colectiva o seu incomparável prestígio como artista da rádio, nomeadamente na interpretação dos diálogos da Lélé e do Zequinha na Emissora Nacional e no Rádio Clube Português e, em diversos filmes do cinema nacional, em que foi o Vasquinho da Anatomia de A Canção de Lisboa (1933), o Rufino Pai do Pátio das Cantigas (1942) ou o Mal-Cozinhado do Camões (1946) para além de integrar também Lisboa – Crónica Anedótica (1930), O Pai Tirano (1941), Fado – história de uma cantadeira (1947) e Ribatejo (1949).

Ainda fez programas de televisão onde contracenou com o seu filho Henrique Santana e, na sua vida pessoal foi casado com a também atriz Aldina de Sousa e, após a morte desta, com a atriz Mirita Casimiro, com quem também fez uma pareceria de sucesso nos palcos. Vasco Santana foi agraciado com a Ordem de Santiago da Espada (1964).

A Rua Vasco Santana em 1970  (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua Vasco Santana em 1970
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

Freguesia de Benfica

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