A Rua do realizador de O Pai Tirano sem inclemência nem martírio

antoniolopesribeiro

António Lopes Ribeiro, o realizador de  filmes humorísticos como O Pai Tirano ou A Vizinha do Lado e, irmão mais velho de Francisco Ribeiro (Ribeirinho), desde o ano 2000 que dá o seu nome à Rua A da Urbanização do Parque das Conchas, no Lumiar, nas proximidades do local onde se sediou a sua produtora, que estava fronteira aos estúdios da Tóbis, ficando assim próximos vários símbolos da cinematografia portuguesa.

Aconteceu pelo Edital  de 31/05/2000, em resultado de uma sugestão inserta na moção de pesar subscrita pelo Presidente da CML – então, Dr. Jorge Sampaio – e aprovada por unanimidade. Refira-se que nesta mesma freguesia a toponímia consagrou igualmente a Tóbis Portuguesa bem como os cineastas Manuel Costa e Silva e Manuel Guimarães.

Pioneiro do cinema sonoro português, o alfacinha António Filipe Lopes Ribeiro (Lisboa/16.04.1908 – 14.04.1995/Lisboa) estreou-se em 1928, aos vintes anos, com o documentário Bailando ao Sol, apoiado nas visitas que efectuara aos estúdios alemães e russos no final do período mudo. Sobre a cidade Lisboa fixou-nos na retina muitas curtas metragens, como Exposição do Mundo Português (1941), Cortejo Histórico de Lisboa (1947), Lisboa de Hoje e de Amanhã (1948), Lisboa vista pelas suas crianças (1958) e as longas-metragens que ao longo de gerações se mantiveram populares como O Pai Tirano (1941) ou A Vizinha do Lado (1945).

Da sua extensa filmografia contam ainda inúmeros documentários encomendados por organismos estatais e pela Câmara Municipal de Lisboa e outros filmes de carácter mais dramático como Gado Bravo (1934), A Revolução de Maio (1937), Amor de Perdição (1943),  Frei Luís de Sousa (1950) e O Primo Basílio (1959). Lopes Ribeiro foi também o produtor dos filmes Aniki-Bobó de Manoel de Oliveira, O Pátio das Cantigas» do seu irmão Ribeirinho, ambos em 1942  e, Camões (1946) de Leitão de Barros.

Foi ainda presidente do Sindicato dos Profissionais de Cinema (1938- 1943 e 1957), diretor de jornais de atualidades como o Jornal Português e Imagens de Portugal, fundador do Senhor Doutor (1932), das revistas Imagem (1928), Kino (1930) e Animatógrafo (1933), para além de crítico cinematográfico sob o pseudónimo de «Retardador» onde se destaca a sua 1ª publicada no Sempre Fixe, a sua página no Diário de Lisboa a partir de 1927 e que foi a primeira num jornal diário e, o ter representado Portugal no IV Congresso da Crítica em 1937, em Paris.

No teatro, fundou a companhia Os Comediantes  de Lisboa (1944) e o Teatro do Povo (1952), sendo de realçar que me 1959 apresentou em Lisboa as primeiras peças de Ionesco.

Refira-se ainda que António Lopes Ribeiro realizou muitas traduções e da sua própria lavra publicou as coletâneas de poemas O Livro de Aventuras (1939) e O Livro das Histórias (1940), bem como as compilações de crónicas Esta Pressa de Agora (1963) e Anticoisas e Telecoisas (1971).

Na Rádio foi Diretor de Música Mecânica da Emissora Nacional (1935 a 1937) e exibiu um programa semanal dedicado ao jazz.

Na televisão, António Lopes Ribeiro foi o rosto do programa Museu do Cinema que de 1957 a 1974 passou semanalmente na RTP, acompanhado ao piano por António Melo, que regressou em 1982. Era também ele o autor do poema A Procissão declamado e popularizado na RTP por João Villaret. E ainda de 1959 até aos inícios da década de 70 era responsável pela tradução e legendagem de filmes estrangeiros. Finalmente, em 1984/85 integrou o elenco de Chuva na Areia, a 2ª telenovela portuguesa.

António Lopes Ribeiro recebeu o Prémio Paz dos Reis pelo documentário A Inauguração do Estádio Nacional (1944), o Grande Prémio do Secretariado Nacional de Informação por A Vizinha do Lado (1945), a Ordem de Santiago e Espada (1940) e a Ordem de Mérito Civil de Espanha.

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar

Freguesia do Lumiar

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3 thoughts on “A Rua do realizador de O Pai Tirano sem inclemência nem martírio

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