A Rua de Mário de Sá Carneiro da «Orpheu»

Mario_Sa_Carneiro

O poeta Mário de Sá Carneiro foi quem com Fernando Pessoa planeou o lançamento da revista Orpheu, com financiamento «involuntário» do seu pai e, logo no nº1, publicou poemas seus que viriam a constituir Indícios de Ouro e que deram logo brado.

Mário Sá Carneiro, que Pessoa apelidava de génio não só da arte mas da inovação nela, ficou perpetuado na Rua nº 18 do Sítio de Alvalade, pelo Edital de 19/07/1948, tal como Fernando Pessoa (Rua nº 11),  ou Camilo Pessanha (Rua nº 16) a quem foi pedido colaboração para o nº 3 da Orpheu. O mesmo Edital juntou ainda em Alvalade outros escritores com a Rua Afonso Lopes Vieira, a Rua Alberto de Oliveira, a Rua Antónia Pusich, a Rua António Patrício , a Rua Bernarda Ferreira de Lacerda, a Rua Branca de Gonta Colaço, a Rua Eduardo Vidal, a Rua Eugénio de Castro, a Rua Fausto Guedes Teixeira, a Rua Fernando Caldeira, a Rua Florbela Espanca, a Rua Guilherme de Azevedo, a Rua João Lúcio e a Rua Rosália de Castro.

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

Mário de Sá Carneiro (Lisboa/19.05.1890 – 26.04.1916/Paris) foi um poeta e contista, que com Fernando Pessoa lançou a Orpheu, publicação a partir da qual nasceu o primeiro grupo modernista português. Matriculou-se em Direito, em Coimbra e na Sorbonne, mas preferiu a literatura. Conheceu Fernando Pessoa em 1912 e foi também nesse ano que pela 1ª vez publicou, a peça Amizade (em colaboração com Tomás Cabreira Junior, seu colega do Liceu Camões), bem como as novelas Princípio. Entre 1913 e 1914 vinha de Paris a Lisboa com uma certa regularidade e deu a lume Memórias de Paris (1913),  A Confissão de Lúcio (1914), o volume de poesia Dispersão (1914) e,  as novelas Céu em Fogo (1915).  Nas cartas que escreveu a Pessoa de Paris mostrou uma crescente angústia e, em 1915, informou-o de que o seu pai já não dispunha do dinheiro de outrora e não poderia «involuntariamente» financiar o nº 3 da Orpheu. Depois, a menos de um mês de completar 26 anos, suicidou-se com veneno num Hotel do bairro de Montmartre.

Em vida também deixou diversa colaboração editadas em revistas como a RenascençaAlma Nova e Contemporânea.

Postumamente, foram ainda editadas as suas obras Indícios de Ouro (poemas editados em 1937 pela revista Presença) e Cartas a Fernando Pessoa (1958 -1959),  Cartas de Mário de Sá-Carneiro a Luís de Montalvor, Cândia Ramos, Alfredo Guisado e José Pacheco (1977), Correspondência Inédita de Mário de Sá-Carneiro a Fernando Pessoa (1980).

Edital de 19.07.1949

Edital de 19.07.1949

Freguesia de Alvalade

Freguesia de Alvalade

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One thought on “A Rua de Mário de Sá Carneiro da «Orpheu»

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