A Rua do poeta-juiz Pessanha e a sua ligação à «Orpheu»

Contemporânea, maio de 1926

Contemporânea, maio de 1926

Camilo Pessanha, poeta simbolista foi convidado  por Fernando Pessoa, em 1915, para publicar poemas seus no nº 3 da Orpheu e, ambos, assim como Mário de Sá Carneiro,  estão perpetuados em ruas de Alvalade.

Pessoa sugere mesmo que «Entre os poemas que era empenho nosso inserir contam-se os seguintes: “Violoncelos”, “Tatuagens”, “O Estilita” (só conheço, deste, o segundo soneto), “Castelo de Óbidos”, “O Tambor”, “Nocturno”, “Passeio no Jardim”, “Ao longe os barcos de flores”, “O meu coração desce…”, “ Passou o Outono já”, “Floriram por engano as rosas bravas…”, “O Fonógrafo”.»

E pelo edital de 19 de julho de 1948, Camilo Pessanha passou a designar a Rua nº 16, do Sítio de Alvalade, e para além dos já referidos Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro o mesmo edital atribuiu a arruamentos próximos mais nomes de escritores dele conhecidos como Alberto de Oliveira e Eugénio de Castro, poetas com quem havia convivido em Coimbra e, Afonso Lopes Vieira que conhecera em Lisboa.

Às restantes artérias do bairro deu o Edital mais nomes de escritores: António Patrício, Antónia Pusich, Bernarda Ferreira de Lacerda, Branca de Gonta Colaço, Eduardo Vidal, Fausto Guedes Teixeira, Fernando Caldeira, Florbela Espanca, Guilherme de Azevedo, João Lúcio e Rosália de Castro.

Camilo de Almeida Pessanha (Coimbra/07.09.1867 – 01.03.1926/Macau) formado em Direito no ano de 1891, foi advogado e procurador Régio em Mirandela (1892), mas perante a recusa de Ana de Castro Osório em casar com ele por já estar comprometida, partiu para Macau em 1894 e aí foi professor no liceu local, conservador do Registo Predial e juiz.

O seu 1º poema será provavelmente «Lúbrica», de 1885, e o 1º publicado foi «Madrigal», no jornal republicano Gazeta de Coimbra, em 30 de abril de 1887. Camilo Pessanha foi um autor de livro único, Clepsidra (1920), que anuncia a nova corrente simbolista e, graças a Ana de Castro Osório, que o coligiu a partir de originais e recortes de jornais e o publicou na sua editora Lusitânia. Já antes, em 1916, na revista Centauro, dirigida por Luís de Montalvor (que será também o diretor do nº 1 da Orpheu), publicara um embrião desse volume. Também João de Castro Osório, filho de Ana de Castro Osório, ampliou a Clepsidra original, acrescentando-lhe poemas que foram sendo encontrados, em edições publicadas em 1945, 1954 e 1969 pela Ática.

Na imprensa da época de Pessanha também se encontra diversa colaboração da sua autoria, sobretudo poesia e contos, particularmente nas revistas Ave Azul, Atlântida e Contemporânea, bem como no jornal O Lusitano, publicado em Macau.

Camilo Pessanha foi louvado em portaria pela doação ao Estado de uma colecção de 100 peças de arte chinesa (1918), recebeu a comenda da Ordem de Santiago (1919) e, após a sua morte a Rua do Mastro, em Macau, passou a chamar-se Rua Camilo Pessanha.

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade

Freguesia de Alvalade

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