Lisboa Republicana: topónimos no feminino

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A toponímia de Lisboa também conta a história das mulheres na cidade e, no país, e ao longo do séc. XX, conforme vai crescendo a participação social e política das mulheres na sociedade portuguesa também na toponímia de Lisboa aumenta o número de placas toponímicas que lhes são dedicadas, assim como cresce a intervenção de mulheres na gestão da toponímia municipal, quer como membros da Comissão de Toponímia quer como vereadoras.

Na I República, temendo a influência clerical, as mulheres não tinham direito a voto nem participavam na gestão municipal e apenas a médica Carolina Beatriz Ângelo – que será nome de rua por Edital de 20 de abril de 1988-, usando o argumento de ser chefe de família por ser viúva  conseguiu ser a primeira portuguesa a exercer o direito de voto em 28 de maio de 1911, já que o regime republicano tinha concedido o direito de voto aos maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever e aos chefes de família. Depois, a Lei nº3 de 3/7/1913 rectificou esse direito apenas para os chefes de família do sexo masculino.

A «Lisboa Republicana», de 1910 a 1926,  atribuiu na sua gerência 14 topónimos femininos,  privilegiando as mulheres enquanto heroínas (4 artérias) e a toponímia de tradição local(6 arruamentos).

As heroínas escolhidas para imortalizar em ruas foram as Enfermeiras da Grande Guerra, a enfermeira inglesa Edith Cavel que foi fuzilada pelos alemães na 1ª Guerra, a jovem Sara de Matos que tomou o nome da Rua das Trinas  por aos 14 anos ter falecido no Convento das Trinas e a sua autópsia revelar que podia ter sido violada e envenenada, e finalmente, Maria da Fonte, da revolução que em  1846 começou na Póvoa do Lanhoso.

Baseada nas tradições locais e fixando os nomes pelos quais eram conhecidas essas artérias, a edilidade republicana atribuiu também a Rua e o Beco da Mestra em Carnide; a Travessa das Freiras a Arroios, mantendo a memória da antiga Azinhaga das Freiras onde o Almirante Cândido dos Reis se havia suicidado; bem como as Travessas das Florindas, das Fiandeiras – na antiga Travessa da Estopa-  e a da Ferrugenta, todas na Ajuda.

Finalmente, inscreveu na toponímia da cidade a escritora e propagandista republicana Angelina Vidal, com a legenda «Ilustre Conferencista e Propagandista da Emancipação Social», assim como a pintora Josefa de Óbidos, a actriz Emília das Neves, e a cantora lírica Luísa Todi na própria artéria onde ela residiu.

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