Lisboa Pós-25 de Abril: topónimos no feminino

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Na época pós-25 de Abril, de 25 de Abril de 1974 até final do ano de 1979, foi a altura das sucessivas Comissões Administrativas da Câmara de 1974 a 1976 e, do mandato de Aquilino Ribeiro Machado, de 1977 a 1979.

Nesta fase revolucionária, o direito de voto tornou-se universal. A Constituição Portuguesa, que entrou em vigor em 25 de Abril de 1976, estabeleceu a plena igualdade entre homens e mulheres e, pela primeira vez, muitas mulheres saíram à rua para participarem em manifestações, integrarem comissões de moradores e de trabalhadores, e apresentarem reivindicações de carácter igualitário, nomeadamente laborais.

Nestes anos, a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu 17 topónimos femininos, à média de 2,8 por ano e registou a maior incidência- 6 registos- numa diferença de 20 a 50 anos entre a data de morte da homenageada e a data de atribuição do respectivo arruamento.

O Município do pós-25 de Abril privilegiou as mulheres que de alguma forma contribuíram para causas dos direitos das mulheres no início do século XX. Assim foram escolhidas para designar ruas a escritora Maria Veleda, sócia fundadora da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e sua presidente em 1911; Ana de Castro Osório, fundadora do Grupo Português de Estudos Feministas em 1907 e também da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas; assim como a médica Adelaide Cabete que fundou em 1914 o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e ainda, a escritora Guiomar Torresão que fundou em 1871 o Almanaque das Senhoras, todas elas na nova urbanização da Quinta dos Condes de Carnide.

A edilidade perpetuou ainda nas ruas da cidade a poetisa Maria Brown, a erudita do séc. XVI Públia Hortênsia de Castro, a escritora e professora Adelaide Félix e, a escritora e declamadora Manuela Porto, todas ainda na Quinta dos Condes de Carnide, bem como a professora e membro do MUD, Maria Isabel Aboim Inglês, num Largo da zona de Pedrouços onde ela residira, aceitando uma proposta do Movimento Democrático das Mulheres.

Topónimos femininos em Carnide (Planta: Rui Mendes)

Topónimos femininos em Carnide
(Planta: Rui Mendes)

Também foram homenageadas as actrizes Emília Eduarda, a primeira mulher a escreevr uma peça de revista e, na zona nascente do Bairro das Pedralvas, foi a vez de Aura Abranches, Maria Lalande e Lucília Simões; uma funcionária da CML, Julieta Ferrão que por sinal havia sido a primeira mulher a integrar a Comissão Municipal de Toponímia (apenas a partir do dia 21 de outubro de 1970); a pianista Elisa Baptista de Sousa Pedroso num Jardim; a historiadora Virgínia Rau junto com outros professores universitários em Telheiras e ainda, um topónimo de tradições locais : a Rua da Quinta das Lavadeiras, na Ameixoeira.

O destaque nas freguesias vai para Carnide, com 8 topónimos, seguida de Benfica, com 3, ambas zonas de expansão da cidade de Lisboa no final dos anos 70 do século XX.

Refira-se ainda que nesta época após o 25 de Abril a Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa já incluiu dois membros que eram mulheres: a Dr.ª Maria da Conceição Machado e a Dr.ª Leonor Beleza.

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