Lisboa dos Anos 80: topónimos no feminino

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A edilidade lisboeta da década de 80 do século XX atribuiu 2,5 topónimos femininos por ano, num total de 25, privilegiando mulheres que marcavam esses anos, o que transparece também na maior incidência de atribuições (8) de nomes de mulheres cuja data de falecimento tinha ocorrido não há mais de 5 anos.

A Lisboa da década de 80 privilegiou nas suas atribuições sobretudo as escritoras(6) e procurou reatar algumas tradições locais(5). As escritoras escolhidas foram, por ordem cronológica, no próprio ano do seu falecimento, Maria Lamas que presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas no período da II Guerra Mundial e antes deste ser dissolvido pelo governo em 1948; a brasileira Dinah Silveira de Queiroz que também foi embaixatriz do Brasil em Portugal; para além de Olga Morais Sarmento que se estreou em 1906 com o livro Problema Feminista; de Alice Pestana, que na literatura ficou conhecida pelo pseudónimo de Caiel publicando várias obras sobre educação feminina e, a setecentista Leonor Pimentel, que deu a vida pela República napolitana, todas estas três últimas no Bairro de Caselas, bem como ainda a tradutora, escritora e poetisa Luiza Neto Jorge, no ano da sua morte, na freguesia de Marvila.

No procurar reatar as tradições dos sítios, atribuiu na Ajuda a Rua da Rainha do Congo, a Rua da Rainha da lha das Cobras e a Rua da Preta Constança; no Lumiar, a Rua da Castiça ( uma comerciante muito estimada na zona) e, em Campolide, no Bairro da Serafina, a Rua das Costureiras.

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Também colocou nas placas toponímicas de Lisboa a tradicional Severa num Largo da Mouraria; a popular cantora Maria Albertina no Bairro da Cruz Vermelha; a cantora lírica Maria Júdice da Costa; as populares atrizes Ivone Silva e Laura Alves, ambas falecidas nesta década; a médica Carolina Ângelo que em 1911 criou a Associação de Propaganda Feminista e foi a 1ª mulher a votar em Portugal; Aurora de Castro, a 1ª notária portuguesa; Virgínia Quaresma, a considerada 1ª jornalista portuguesa,  e,  a pintora Sara Afonso, todas em Caselas e ainda outras mulheres, como a pastorinha de Fátima, Jacinta Marto, nas proximidades do Hospital de D. Estefânia onde faleceu; a religiosa Teresa Saldanha no Bairro das Galinheiras; a humanista americana Helen Keller, numa artéria relativamente próxima do Centro Infantil Hellen Keller, que desde 1962 funciona em Lisboa, e finalmente, as beneméritas Maria Ulrich e Maria Luísa Holstein, a primeira próximo da Rua Silva Carvalho onde morou e a segunda junto das Cozinhas Económicas que fundou.

De referir que 4 destes topónimos resultaram de moções e propostas apresentadas em reunião de Câmara – Rua Maria Lamas, Rua Dinah Silveira de Queiroz, Rua Ivone Silva e Rua Laura Alves; o topónimo Rua Maria Ulrich foi uma sugestão do próprio Presidente da CML Nuno Abecasis, o da Rua Maria Júdice da Costa foi pedido de um particular e a Rua Maria Albertina resultou de uma carta do grupo folclórico As Tricanas de Ovar a que ela havia pertencido.

Refira-se ainda na década de 80, foram já três mulheres a assumirem responsabilidades autárquicas na  área da Toponímia: duas vereadoras – a Dr.ª Teresa Xará Brasil Corte-Real e Maria Clotilde Guedes da Silva- e, a Dr.ª Salete Salvado, funcionária da CML e membro da Comissão Municipal de Toponímia.

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