O 25 de Abril na Toponímia de Lisboa

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O 25 de Abril, data marcante da história portuguesa que devolveu a liberdade ao país, ocorrida há 41 anos, também se fixou em muitas esquinas de Lisboa, através dos topónimos que o evocam, bem como das personalidades que por causa dele se tornaram figuras marcantes na cidade e no país e ainda, aquelas que só após ele puderam ter nome numa artéria alfacinha.

Os topónimos que guardam a memória do 25 de Abril de 1974 numa ligação imediata são, por ordem cronológica, a Avenida das Forças Armadas (Edital de 30-12-1974), a Rua dos Cravos de Abril (Edital de 16-01-1995) e a Praça 25 de Abril (Edital de 22-04-1999), atribuída por ocasião do aniversário do 25º aniversário do 25 de Abril. Depois, temos duas figuras que estiveram directamente envolvidas na concretização do 25 de Abril, através da Rua Salgueiro Maia (Edital de 07-10-1992) e da Rua Melo Antunes (Edital de 07-05-2001), a perpetuar aquele que esteve no palco dos acontecimentos no Largo do Carmo e o estratega do ideário do MFA.

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Lisboa guarda ainda a memória dos dois primeiros Presidentes da República após o 25 de Abril na Avenida Marechal António de Spínola e na Avenida Marechal Francisco da Costa Gomes (ambos pelo Edital de 23-04-2004), bem como do 1º Presidente da Assembleia da República após o 25 de Abril de 1974 na Rua Vasco da Gama Fernandes (Edital de 07-05-2001). Acrescem ainda os primeiros-ministros de governos provisórios através da Rua Prof. Adelino da Palma Carlos (Edital de 20-09-1993), da Rua General Vasco Gonçalves (Edital de 06-10-2005) e da Rua Maria de Lourdes Pintasilgo (Edital 03-07-2008), para além do ministro da Justiça e das Finanças Francisco Salgado Zenha, perpetuado numa Avenida de Marvila (16-01-1995) e de Francisco Pereira de Moura,  ministro sem pasta e dos Assuntos Sociais, numa Rua de Carnide.

Uma das ideias fundamentais do Programa do MFA era o fim da guerra colonial e o estabelecimento de relações cordiais com os novos países que daí decorreram, o que ficou logo patente no 2º edital de Toponímia da Câmara de Lisboa após o 25 de Abril, com a atribuição da denominação Praça das Novas Nações (Edital de 17-02-1975) para substituir a anterior Praça do Ultramar.

Temos ainda um conjunto de topónimos de figuras que só puderam ter nome de rua após o 25 de Abril, por serem personas non gratas no Estado Novo.

Comecemos por aqueles que foram mortos pela PIDE ou morreram no Campo do Tarrafal: Calçada Ribeiro Santos (Edital de 30-12-1974), Rua José Dias Coelho (Edital de 17-02-1975), Praça Marechal Humberto Delgado (Edital de 02-02-1979), Rua Mário Castelhano (Edital de 19-06-1979) e Rua Bento Gonçalves (Edital de 24-09-1996).

A estes se somam os candidatos da Oposição a eleições presidenciais General Norton de Matos (Avenida dada pelo Edital de 30-12-1974) e  Dr. Arlindo Vicente (Avenida dada pelo Edital de 07-05-1992), bem como aqueles que participaram em movimentos e manifestações concretas de oposição ao Estado Novo:  Rua Dr. João Soares (Edital de 30-12-1974), Rua Capitão Henrique Galvão (Edital de 14-08-1975),  Rua José Magro (Edital de 06-05-1980), Rua Emídio Santana (09-12-1988), Rua Fernando Piteira Santos (Edital de 26-01-1993), Rua Pires Jorge e Rua Manuel Rodrigues da Silva (ambos pelo Edital de 24-09-1996), Praceta Adolfo Ayala (Edital de 16-06-1999), Rua Octávio Pato (Edital de 07-05-2001), Rua Eduardo Covas (Edital de 18-05-2001), Rua Carlos Aboim Inglez (Edital de 15-12-2003), Avenida Álvaro Cunhal (Edital de 06-10-2005) e Rua Francisco Lyon de Castro (Edital de 16-09-2009).

E temos ainda, em Ruas, os casos dos escritores neorrealistas Alves Redol (Edital de 30-12-1974) e Soeiro Pereira Gomes (Edital de 10-10-1977),  e daqueles que foram impedidos de exercer as suas carreiras, como docentes ou médicos em instituições do Estado, fixados em Lisboa como Largo Maria Isabel Aboim Inglês (Edital de 24-03-1975), Rua Prof. Bento de Jesus Caraça e Rua Prof. Pulido Valente (ambos pelo Edital de 27-02-1978), Praceta Prof. António José Saraiva (Edital 31-08-1993), Rua Abílio Mendes (Edital de 16-09-2009) e Rua Cesina Adães Bermudes (Edital de 24-09-2009),  para além da Rua evocativa do Padre Abel Varzim (Edital de 27-02-1978) que foi afastado da Acção Católica e vigiado pela PIDE.

E finalmente, a toponímia alfacinha comporta ainda mais 6 topónimos que estão ligados ao 25 de Abril de 1974:  Raul Rego (Rua dada pelo Edital de 15-12-2003) que na época dirigia o República e às 9:30 horas desse dia enviou para imprimir a edição do jornal com o rodapé «Este jornal não foi visado por qualquer comissão de censura»; Sophia de Mello Breyner Andresen (Miradouro dado pelo Edital de 13-11-2008) autora de um poema sobre esse dia – «Esta é a madrugada que eu esperava/O dia inicial inteiro e livre/Onde emergimos da noite e do silêncio/E livres habitamos a substância do tempo» – que foi depois gravado numa placa do Quartel do Carmo; Maria Helena Vieira da Silva (Avenida dada pelo Edital de 15-09-1992) autora do cartaz «A poesia está na rua»; e ainda, os cantores de intervenção José Afonso (Edital de 09-12-1988) e Adriano Correia de Oliveira (Edital de 24-09-2009) em Ruas.

O 1º Edital de toponímia de Lisboa após o 25 de Abril

O 1º Edital de toponímia de Lisboa após o 25 de Abril

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