A Rua Norberto de Araújo em Alfama

Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

Norberto de Araújo, o autor de Peregrinações em Lisboa, cerca de quatro anos após a sua morte deu o seu nome a um troço da antiga Calçada de São João da Praça, na Alfama cuja preservação e recuperação defendeu nas suas crónicas no decorrer da década de 30 do século XX.

Foi pelo Edital de 22/06/1956, dois anos após a proposta de Gustavo de Matos Sequeira nesse sentido, que um troço da Calçada de São João da Praça – na época, a partir dos nºs 53 e 70 e hoje, nºs 1 e 2A- até ao Largo das Portas do Sol se passou a denominar Rua Norberto de Araújo, para além de o homenageado ter sido galardoado com a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa.

Freguesia de Santa Maria Maior - Placa Tipo I (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior – Placa Tipo I
(Foto: Sérgio Dias)

Norberto de Moreira Araújo (Lisboa/21.03.1889 – 25.11.1952/Lisboa) que se distinguiu como jornalista e olisipógrafo, começou a trabalhar aos quinze anos como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, frequentou depois o Curso Superior de Letras e, em 1916 iniciou-se no jornalismo em O Mundo e no ano seguinte em A Manhã. Trabalhou depois para o Diário de Notícias, O Século, Noite e, até ao final da sua vida, no Diário de Lisboa, tendo neste jornal ficado célebre a sua rubrica «Páginas de Quinta-feira», saída a lume entre 1932 e 1939, onde deambulava pela arte, política, casos de rua, comédia burguesa, cultura, e sobretudo, Lisboa,  sob o mote «Lisboa e o Sonho». Refira-se ainda que foi eleito Presidente da Direcção do Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Lisboa – Casa da Imprensa, cargo que exerceu de 1932 até 1935.

Como olisipógrafo publicou as  Peregrinações em Lisboa (1939) que lhe valeram o Prémio Júlio de Castilho da CML, Legendas de Lisboa (1943) e Inventário de Lisboa (1944-1955; concluído por Durval Pires de Lima), com uma escrita sempre coloquial, noticiosa e de fácil leitura para qualquer público. Em coautoria com Luís Pastor de Macedo foi também lançado Casas da Câmara de Lisboa, e juntamente com o engº Augusto Vieira da Silva pugnou, desde 1934, por uma Olisipografia de pendor científico e académico, com a criação de uma cadeira de Estudos Olisiponenses na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 1936 foi também um dos fundadores e o sócio nº 73 do Grupo Amigos de Lisboa.

Norberto de Araújo também nos legou livros técnicos sobre artes gráficas, obras de poesia e de teatro, tendo sido levadas à cena as suas peças Dentro do Castigo (1924) e Duas Mulheres (1928). Foram ainda da sua autoria, entre outras, as letras da Grande Marcha de 1935 (Lá vai Lisboa), celebrizada na voz de Amália Rodrigues,  da Grande Marcha de 1940 (Olha o manjerico) e da Grande Marcha do Centenário de 1947 (Lisboa nasceu).

Norberto de Araújo acumulou as condecorações de Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada, de Comendador da Ordem Militar de Cristo, da Ordem da Instrução Pública, bem como da Ordem de Mérito Civil de Espanha e da Ordem de Isabel a Católica, de Cavaleiro da Ordem de Leopoldo da Bélgica e Grande Oficial da Ordem da Casa da Itália.

(Foto: Hemeroteca de Lisboa)

(Foto: Hemeroteca de Lisboa)

 

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