A maior Avenida de Lisboa

Freguesia de Santa Maria Maior, Penha de França, São Vicente, Beato, Marvila, Olivais e Parque das Nações (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior, Penha de França, São Vicente, Beato, Marvila, Olivais e Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias)

Passando por 7 das 24 freguesias de Lisboa – Santa Maria Maior, São Vicente, Penha de França, Beato, Marvila, Olivais e Parque das Nações- e com 12 km de comprimento a  Avenida Infante Dom Henrique é o maior arruamento de Lisboa, com topónimo nascido pelo Edital municipal de 24 de julho de 1948 na via pública projetada entre a Praça do Comércio e a então Praça de Moscavide (que é a Praça José Queirós desde 1973).

De acordo com uma informação municipal de 29/05/1952, a Rua João Evangelista desapareceu com a construção da Avenida Infante Dom Henrique,  e segundo outra, de 1953, o arruamento também foi conhecido por Avenida Marginal Oriental. Refira-se ainda que devido a alterações urbanísticas aquando da construção da Expo 98, o troço vulgarmente conhecido por Rua do Mar, também foi incluído na Avenida Infante Dom Henrique.

Este Infante, 5º filho de D. João I e D. Filipa de Lencastre, já havia tido lugar na toponímia de Lisboa, dado que no ano de 1882 a Rua de São Tomé se passou a denominar Rua do Infante D. Henrique.  Foi a Comissão Municipal Consultiva de Toponímia que nas suas reuniões entre novembro de 1944 e de junho de 1948, sugeriu a transferência do topónimo  para o arruamento compreendido entre a Praça do Comércio e a Praça de Moscavide, bem como o retorno da Rua de São Tomé à sua localização inicial.

O Infante D. Henrique (Porto/04.03.1394 – 13.11.1460/Vila do Bispo) participou com seu pai e os seus irmãos Duarte e Fernando na conquista de Ceuta. Aliás, pela sua predisposição para a as artes da guerra, o seu pai responsabilizou-o pela organização da frota concentrada no Porto, com gente do Norte e das Beiras, para a expedição a Ceuta, onde aliás, após a conquista ele e o seus irmãos Duarte e Fernando foram armados cavaleiros. Em setembro desse mesmo ano de 1415 o Infante D. Henrique ficou como Duque de Viseu e Senhor da Covilhã, e no ano seguinte foi nomeado Grão-Mestre da Ordem de Cristo, encarregue de administrar o dinheiro para a defesa de Ceuta. Participou também noutras expedições ao norte de África, como Tânger (1437) em que o seu irmão Fernando ficou cativo, bem como na na conquista de Alcácer Ceguer (1458). O Infante empreendia de acordo com um espírito de cruzada mas também promoveu navegações pelo Atlântico, sonhando em conquistar as Canárias, de que resultaram a chegada a Porto Santo (1419), Madeira (1420) e Açores (1427), com o ganho do exclusivo da pesca do atum. Procurava também que os marinheiros ao seu serviço ultrapassassem o Cabo Bojador e defendia na corte que se fosse atacar Granada dominada pelo Islão. Em 1443, D. Henrique recebeu a bula que confiava o espiritual das terras recém-descobertas à Ordem de Cristo, e obteve para si próprio o exclusivo da navegação a Sul do Bojador, a título hereditário. Nos últimos anos da vida de D. Henrique, Pedro Sintra prolongou o descobrimento da costa africana desde a região guineense do Rio Geba até à Serra Leoa, que constitui o termo dos descobrimentos henriquinos. Como referiu o historiador Luís de Albuquerque, «D. Henrique não navegou muito, é certo, mas fez navegar muito os outros…»

Dom Henrique foi também  nomeado protetor da Universidade de Lisboa, em 1431, onde introduziu o estudo da Matemática e da Astronomia, razão para o seu primeiro topónimo em Lisboa ter sido junto aos Estudos Gerais.

Edital de 24/07/1948

Edital de 24/07/1948

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