Ramalho foi do Príncipe Real à Praça Rio de Janeiro

Freguesias da Misericórdia e de Santo António

Freguesias da Misericórdia e de Santo António                    (Foto: Sérgio Dias)

Quando Ramalho Ortigão se fixou em Lisboa em 1867 já o Largo da Patriarcal Queimada se chamava Praça do Príncipe Real e quando vítima de cancro se recolheu na Casa de Saúde do Dr. Henrique de Barros nesse artéria, já era a Praça do Rio de Janeiro.

O Largo da Patriarcal Queimada junto com a parte da Rua da Patriarcal Queimada que enfrenta o Largo, passaram a constituir um único arruamento com a denominação de Praça do Príncipe Real pelo Edital do Governo Civil  de Lisboa de 01/09/1859. Após a implantação da República e para reforçar a ligação com a República Brasileira, o Edital municipal de 05/11/1910 tornou a Praça do Príncipe Real em Praça do Rio de Janeiro, bem como o Largo do Rato em Praça do Brasil. Finalmente, o Edital camarário de 23/12/1948 reverteu a Praça do Rio de Janeiro para Praça do Príncipe Real, bem como a Praça do Brasil para Largo do Rato, assim como aplicou a mesma regra de retorno a outros topónimos modificados na época republicana como o Largo Dr. Afonso Pena (Presidente do Brasil) que passou a Campo Pequeno, a Calçada João do Rio (escritor brasileiro) ficou Calçada Engenheiro Miguel Pais, a Avenida Alferes Malheiro passou a Avenida do Brasil, a Avenida Presidente Wilson retornou a Avenida Dom Carlos I e fixou-se o Presidente Wilson na Rua D1 do Plano de Urbanização da zona entre a Alameda Dom Afonso Henriques e a linha férrea de cintura, o Campo 28 de Maio voltou a Campo Grande e um troço da Avenida Estados Unidos da América tornou-se Avenida 28 de Maio.

Príncipe Real de Portugal era o título oficial atribuído aos Herdeiros da Coroa de Portugal, durante a Monarquia Constitucional (1822 -1910) por oposição aos demais filhos do Casal Régio, que recebiam o título de Infante de Portugal, tendo usado este título D. Pedro (depois D. Pedro V), D. Carlos (depois D. Carlos I), D. Luís Filipe de Bragança e D. Afonso de Bragança. Contudo, como a rainha D. Maria II mandou erguer um jardim no espaço da antiga Patriarcal de Lisboa em honra do seu filho que viria a ser D. Pedro V, o topónimo dado em 1859 está relacionado com ele, a quem mais tarde, em 17/11/1883, a edilidade lisboeta também atribuiu uma rua junto a esta Praça.

Freguesias da Misericórdia e de Santo António

Freguesias da Misericórdia e de Santo António

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A Rua do Arsenal da Marinha

Freguesias da Misericórdia e de Santa Maria Maior (Foto : Sérgio Dias)

Freguesias da Misericórdia e de Santa Maria Maior
(Foto : Sérgio Dias)

A Rua do Arsenal acolheu no seu número 96 a Nova Livraria Internacional  de Carrilho Videira, que publicava a Revista de Estudos Livres (1883-1886), mensário em que Ramalho Ortigão colaborou.

Este topónimo fixou na memória de Lisboa a presença no local do Arsenal da Marinha. Os estaleiros das Tercenas navais  mandados construir por D. Manuel I foram destruídos pelo Terramoto de 1755 mas logo foi determinada a sua reconstrução, sob o risco de Eugénio dos Santos, que se iniciou em 1759 e assim, ficaram conhecidos durante muito tempo como Ribeira das Naus. O Arsenal da Ribeira das Naus, depois Real da Marinha e a partir de 1910 apenas Arsenal da Marinha manteve-se em actividade até 1939, data em que a sua doca seca foi atulhada por motivo da abertura da Avenida da Ribeira das Naus embora já desde 1936 tivesse começado a transferência do Arsenal para as instalações navais do Alfeite.

Nas suas Peregrinações em Lisboa Norberto de Araújo refere que «Ora em 1755 aqui, onde se ergue o edifício da Câmara Municipal, existia o pátio esplendoroso da Capela Real (…). Da porta do Arsenal, para poente (Rua do Arsenal fora, então Rua do Arco dos Cobertos) ficava a Casa da Ópera, construída dois anos antes do Terramoto; defronte do Pátio citado da Capela, do lado sul, isto é, na Rua hoje do Arsenal, entre a face do edifício onde estão repartições dos Correios, e a face lateral da Câmara, rasgava-se um não grande Largo do Relógio ou das Tendas da Capela.»

O arruamento começou com uma configuração diferente a ser a Rua dos Arcos Cobertos, e após o Terramoto, ficou como a Rua Direita do Arsenal e assim surge ainda em  1856 no Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque, para mais tarde perdurar até hoje como Rua do Arsenal, como já em 1907 é referida nas plantas de Júlio Silva Pinto e Alberto Sá Correia.

Freguesias da Misericórdia e de Santa Maria Maior - Placa Tipo II (Foto. Artur Matos)

Freguesias da Misericórdia e de Santa Maria Maior – Placa Tipo II
(Foto. Artur Matos)

Roberto Ivens, de Angola a uma rua do Chiado

Freguesia de Santa Maria Maior - Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Ramalho Ortigão foi cronista da revista Brasil-Portugal (1899 – 1914), quinzenário ilustrado que a partir da implantação da República mostrou a sua feição monárquica, cuja sede se situava no nº 52 da Rua Ivens.

A Rua Ivens foi fixada por Edital municipal de 07/09/1885 na Rua de São Francisco, e Norberto Araújo nas suas Peregrinações em Lisboa refere que « Esta Rua Ivens não existia [antes do Terramoto de 1755] , nem em desenho irregular que fôsse; a Rua Anchieta é com pequena rectificação, a Rua da Figueira, mas já a Rua Serpa Pinto só forçadamente se adapta ao traçado da antiga Rua da Metade, (…)». Note-se que pelo mesmo Edital foram também dados nas proximidades os topónimos Rua Capelo, Rua Anchieta e Rua Serpa Pinto, todos referentes a exploradores dos territórios africanos.

Roberto Ivens (Açores-Ponta Delgada/12.06.1850 – 28.01.1898/Dafundo), a quem este arruamento perpetua a memória, foi filho de Margarida Júlia de Medeiros Castelo Branco e de Robert Breakspeare Ivens e oficial da Marinha que juntamente com Hermenegildo Capelo e Alexandre Serpa Pinto recebeu em 1877,  o encargo de explorar os territórios compreendidos entre Angola e Moçambique, estudando, nomeadamente, as bacias hidrográficas do Zaire e do Zambeze. Com Capelo levou a cabo duas expedições, em 1877/80 e  em 1884/85, conhecidas através dos relatos De Benguela às Terras de Iaca (1881) e De Angola à Contracosta (1886). Some-se a isto que com os seus cadernos e desenhos, Ivens foi também o repórter da época em África.

A Rua Ivens em 1962 (Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua Ivens em 1962
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior

Que Pimenta deu nome ao Pátio?

Freguesia da Misericórdia (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias)

Os nºs 30 – 32 do Pátio do Pimenta foram a morada da Revista Contemporânea, periódico em que Ramalho Ortigão colaborou.

Sumario_N.º specimen, [1915] ContemporaneaO Pátio do Pimenta localiza-se entre os nºs 11 e 15 da Rua do Ataíde e já era mencionado em 1856 no Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque. É um dos 17 Pátios lisboetas cujo topónimo é oficial. Este Pátio construído em pedra e tijolo e com uma entrada de características nobres, data de cerca de 1780  o que revela uma pré-existente ocupação do local por uma casa nobre. O arruamento apresenta ainda um edifício do séc. XIX de um só piso.

Sobre a origem do topónimo podemos supor que derive do nome de um morador ou proprietário no local, já que, por exemplo, existe um requerimento de 1890, de uma Carolina Amélia Pimenta solicitando a aprovação de um projeto de alterações no prédio com a numeração de polícia nº26/27 do Pátio do Pimenta. Pouca mais informação se encontra sobre este arruamento, salvo um contrato de prestação de serviços entre a CML e Manuel Croft de Moura para a iluminação e limpeza desta rua, datado de 26 de março de 1909.

Freguesia da Misericórdia

Freguesia da Misericórdia

 

A Rua do Sítio da Alegria

Freguesia de Santo António (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua da Alegria está ligada a Ramalho Ortigão por ele ter trabalhado para o periódico O Thalassa que estava instalado no 2.º esquerdo do nº 26 da Rua da Alegria.

O topónimo Rua da Alegria foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa à antiga Rua Nova da Alegria, através do Edital de 08/06/1889, e por intermédio do qual foram também alterados alguns topónimos lisboetas com vista à sua simplificação e também à sua diferenciação de outros idênticos em outras partes da cidade, contemplando quase 60 arruamentos. Esta artéria começa na Praça da Alegria, onde se inclui o Jardim Alfredo Keil, começado a plantar no final do séc. XIX.

Sobre a origem do topónimo «Alegria» o olisipógrafo Norberto de Araújo, no início do século XX, avançou o seguinte: «Ora vamos ver – a Alegria, sítio a-par da velha Cotovia de Baixo (a Cotovia de Cima, ou simplesmente a “Cotovia” era a actual Praça do Rio de Janeiro [hoje Praça do Príncipe Real], em prolongamento até o sítio do Rato). (…) Repizo que na primeira metade do século XVIII tudo por aqui eram terrenos de cultivo, abaixo da quinta ou da cêrca dos Padres da Companhia (Jardim Botânico de hoje), ligados a S. José, razão porque esta zona arrabaldina se chamou também Cotovia de S. José. (Para se entender isto melhor é preciso fechar os olhos, e não ver a Avenida actual). Ao Terramoto, que atraíu as populações para áreas descampadas ou mal povoadas, se deve a criação do bairro. A razão porque se chama “da Alegria” não a sei, nem creio que alguém a conheça. (…) Eu lembro que as designações de sítios partiam quási sempre de lindas invocações religiosas, tal a “Glória”, a “Estrêla”. Ora eu adquiri, há anos, uma velha imagem de N. Srª da Alegria, e que bem pode corresponder a uma invocação pessoal, caprichosa, pois “Alegria” não consta dos oragos de qualquer região do país. (…) A Alegria, pois, é posterior ao Terramoto; (…) Com a construção e desenvolvimento do Passeio Público, cresceu a Alegria; com a abertura da Avenida tornou-se de maioridade.»

Norberto Araújo recordou ainda que por aqui se fez a Feira da Alegria que « já se realizava em 1773 na Cotovia de Baixo (êste sítio da Alegria); em 1809 foi confirmada na Alegria, estendendo-se pela Rua Ocidental do Passeio até aos Restauradores de hoje, e, por abuso, até ao Palácio Cadaval (Estação do Rossio). Em 1823 ordenou-se a sua transferência para o Campo de Sant’Ana, onde esteve apenas cinco meses voltando para aqui; em Maio de 1835 foi definitivamente arredada desta zona para o Campo de Sant’Ana, onde se conservou até 1882. De então para cá sobrevive no Campo de Santa Clara [como Feira da Ladra], às terças, e, desde Novembro de 1903, aos sábados também.»

Freguesia de Santo António

Freguesia de Santo António

A Rua Guilherme de Azevedo ou de João Rialto

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

Ramalho Ortigão e Guilherme de Azevedo foram ambos colaboradores do jornal de humor político António Maria (1879 – 1898), dirigido por Rafael Bordalo Pinheiro, sendo aí João Rialto o pseudónimo de Guilherme de Azevedo e João Ribaixo o de Ramalho.

Rua Guilherme de Azevedo foi o topónimo escolhido para a Rua nº 17, fixado pelo Edital 19/07/1948, que nestes primeiros arruamentos do Bairro de Alvalade juntou ainda a Avenida da Igreja (arruamento que divide os grupos um e dois), a Rua Afonso Lopes Vieira (Rua nº 1), a Rua Branca de Gonta Colaço (Rua nº 2), a Rua Fernando Caldeira (Rua nº 3), a Rua Rosália de Castro (Rua nº 4), a Rua Alberto de Oliveira (Rua nº 5), a Rua João Lúcio (Rua nº 6), a Rua António Pusich (Rua nº 7), a Rua Fausto Guedes Teixeira (Rua nº 8), a Rua Eugénio de Castro (Rua nº 9), a Rua Violante do Céu (Rua nº 10), a Rua Fernando Pessoa (Rua nº 11), a Rua Luís Augusto Palmeirim (Rua nº 12), a Rua António Patrício (Rua nº 13), a Rua Bernarda Ferreira de Lacerda (Rua nº 14), a Rua Eduardo Vidal (Rua nº 15), a Rua Camilo Pessanha (Rua nº 16), a Rua Mário de Sá Carneiro (Rua nº 18) e a Rua Florbela Espanca (Rua nº 19).

O homenageado é Guilherme Avelino de Azevedo (Santarém/30.11.1839 – 06.04.1882/Paris), jornalista e escritor que se fixou em Lisboa em 1874 e iniciou uma cooperação com Rafael Bordalo Pinheiro tendo participado nos jornais A Lanterna Mágica (1875), O Pimpão (1876), O António Maria (1879) e o Álbum das Glórias (1880). Já antes, em 1871,  fundara em Santarém O Alfageme, onde com escândalo do país da época defendeu as ideias da Comuna de Paris. Em Lisboa, trabalhou para os jornais Diário da Manhã, Primeiro de Janeiro, O Panorama,  Jornal de Domingo, Comércio de Lisboa, A Revolução de Setembro, bem como para as revistas A Mulher, República das Letras,  Ribaltas e Gambiarras , assim como para a imprensa brasileira, tendo sido aliás nomeado pela carioca Gazeta de Notícias como seu correspondente em Paris, a partir de 1880.

Guilherme de Azevedo usou vários pseudónimos e a ferocidade do seu humor valeu-lhe a alcunha de «Diabo Coxo», em que se aludia também à sua debilidade física. Ligado à Geração de 70 foi um autor de realismo satírico e um dos representantes da poesia revolucionária introduzida em Portugal por Antero de Quental.  Publicou os primeiros versos no Almanaque de Lembranças de 1864, sob o pseudónimo de G. Chaves, a que seguiram três colectâneas: Aparições (1867), Radiações da Noite (1871) e Alma Nova (1874). Na Gazeta do Dia, em parceria com Guerra Junqueiro, manteve as crónicas humorísticas intituladas «Ziguezagues». Ainda com Junqueiro, em 1879, redigiu a sátira teatral Viagem à roda da Parvónia, que seria pateada e proibida, mas que Ramalho Ortigão considerou uma «fiel pintura dos costumes constitucionais» da época.

No ano do centenário do seu nascimento, a edilidade lisboeta promoveu uma Exposição comemorativa  no Museu Rafael Bordalo Pinheiro.

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do embaixador republicano Jaime Batalha Reis

Freguesia de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

A residência alfacinha de Jaime Batalha Reis foi a morada do Cenáculo,  tertúlia literária e política onde pontificaram Ramalho Ortigão, Eça de Queirós, Manuel de Arriaga, Teófilo Braga e Guerra Junqueiro, entre outros.

Para a toponímia de Lisboa entrou Jaime Batalha Reis 74 anos após o seu falecimento, pelo Edital de 30/01/2009, para dar nome à Rua 1 à Rua 2 à Estrada do Calhariz de Benfica. A inauguração desta artéria ocorreu em 5 de outubro de 2011, como fecho das comemorações do Centenário da República, o que também sucedeu com mais 6 arruamentos de republicanos, que foram repostos ou pela primeira vez colocados na toponímia alfacinha, a saber, o Jardim Augusto Monjardino, a Rua Francisco Ferrer, a Rua João Chagas, a Rua Luz de Almeida, a Avenida Machado Santos e a Rua Mário Azevedo Gomes.

Jaime Batalha Reis (Lisboa/24.12.1847 – 24.01.1935/Torres Vedras) foi sobretudo um escritor e diplomata da Geração de 70, que só não apresentou a sua exposição intitulada «Socialismo» nas Conferências Democráticas do Casino, em maio de 1871, porque foram entretanto proibidas pelo presidente do conselho de ministros, o Duque e Marquês de Ávila e Bolama. Aliás, a sua residência na Travessa do Guarda-Mor (que desde 1977 se fixou como Rua do Grémio Lusitano) foi a morada do Cenáculo,  tertúlia literária e política onde pontificaram Ramalho Ortigão, Eça de Queirós, Manuel de Arriaga, Teófilo Braga ou Guerra Junqueiro, e quando passou a residir com Antero na Rua dos Prazeres, foi aí delineada a organização das Conferências do Casino.  Refira-se ainda que já em 1869, com Eça e Antero, inventaram o «poeta satânico» Carlos Fradique Mendes, cujos folhetins poéticos foram publicados n’ A Revolução de Setembro.

Filho de um produtor vinícola do Turcifal, Batalha Reis formou-se em Agronomia e Engenharia Florestal no Instituto Geral de Agricultura, onde aliás chegou a chefe do Serviço Agrícola do Instituto Geral de Agricultura, em 1872. Estudioso da filoxera também fez docência ao substituir Andrade Corvo nas cadeiras de Botânica, Economia Rural e Florestal, e foi em 1882 catedrático de  Microscopia e Nosologia Vegetal.

Contudo, após várias diversas tentativas, conseguiu em Julho de 1883  entrar na carreira diplomática como desejava, tendo sido nomeado cônsul em Newcastle, e assim se destacou na defesa dos interesses nacionais em África, tendo ido como perito à Conferência Anti-Esclavagista que se realizou em Berlim de 1889 a 1891. Após a implementação da República regressou a Portugal  a convite de Bernardino Machado para uma remodelação Ministerial. De 1913 a 1918 foi Embaixador na Rússia e em 1919, foi delegado plenipotenciário à Conferência de Paz, presidida pelo Presidente Wilson, em Paris, em representação de Portugal.

Jaime Batalha Reis pintado por Columbano (Foto: José Artur Leitão Bárcia, Arquivo Municipal de Lisboa)

Jaime Batalha Reis pintado por Columbano em óleo sobre tela
(Foto: José Artur Leitão Bárcia, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua Eduardo Brazão

O Palco Revista Teatral, 20.03.1912

Eduardo Brazão por Amarelhe, O Palco-Revista Teatral, 20.03.1912

A ligação de Ramalho Ortigão a Eduardo Brazão prende-se com a preferência de ambos pela estância de veraneio de São Martinho do Porto que ambos frequentaram.

Foi pelo Edital de 12/03/1932, o primeiro documento a criar um Bairro de Atores na toponímia de Lisboa, que a Rua nº 8 do projecto aprovado em sessão de 07/04/1928 consagrou Eduardo Brazão. Os outros foram Ferreira da Silva (na antiga Rua nº 7-A), José Ricardo (Rua 7), Lucinda Simões (Rua 8-A), Ângela Pinto (Rua circular em volta do mercado), Rosa Damasceno (Rua nº 6) com quem aliás Brazão foi casado e, Joaquim Costa (Rua Particular) que havia sido seu colega na Escola Naval.

Eduardo Brazão (Lisboa/06.02.1851 – 30.05.1925/Lisboa), nasceu na Costa do Castelo e viveu na Rua dos Fanqueiros por cima da loja de alfaiate de fardas do seu pai. Na Escola Naval teve como colegas Augusto Rosa e Joaquim Costa que também virão a ser actores. Estreou-se na Companhia do Teatro do Príncipe Real mas no palco portuense do Teatro Baquet, em Trapeiros de Lisboa. Continuou a sua carreira pelo Príncipe Real e pelo Trindade, a partir dos 17 anos. Refiram-se ainda as suas participações em A Mãe dos Pobres (1867) de Ernesto Biester,  A Morgadinha de Valflor (1870) de Pinheiro Chagas, na comédia O Fura-Vida (1871), em Othelo (1882) de Shaskespeare e D. Afonso VI (1890) de D. João da Câmara. Na época, era conhecido por cobrar altos honorários e exigir condições inusitadas. No cinema, integrou os elencos de Rainha Depois de Morta (1910), As Pupilas do Senhor Reitor (1922), O Fado (1923) e Os Olhos da Alma (1925).

Eduardo Brazão foi também foi empresário teatral, com a  Biester, Brazão & Cª e depois, com a Rosas & Brazão, por duas vezes sediado no D. Maria II. A sua récita de despedida foi em 1924 no palco do São Carlos.

Freguesia de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Pinheiro Chagas

Ilustração Portuguesa,18.04.1904

Ilustração Portuguesa,18.04.1904

A ligação de Pinheiro Chagas a Ramalho Ortigão, para além do duelo que opôs Ramalho a Quental na sequência do prefácio de Castilho à 1ª obra de Pinheiro Chagas, radica também no caso de  ambos terem sido os representantes de Portugal, em 1893, à Exposição Histórica Europeia de Madrid, por ocasião das festas comemorativas do centenário de Cristóvão Colombo.

Foi nove anos depois disso e sete anos após o falecimento de Pinheiro Chagas que este passou a dar nome à via pública entre a Rua Fontes Pereira de Melo e a Rua Marquês de Sá da Bandeira, através do Edital de 29/11/1902.

Manuel Joaquim Pinheiro Chagas (Lisboa/13.11.1842-08.04.1895/Lisboa) foi sobretudo um jornalista e político que também foi também escritor. Destinado pelo major seu pai à carreira militar, o que dava azo a Eça de Queirós apodá-lo como «brigadeiro Chagas», começou no jornal A Revolução de Setembro, então dirigido por Rodrigues Sampaio e cedo fez estilo mesclando o jornalismo noticioso com a intervenção política. Foi diretor literário do Jornal do domingo e colaborou com O Panorama, Arquivo Pitoresco, Revista Contemporânea de Portugal e Brasil, Gazeta Literária do Porto, O Ocidente, A Ilustração Portuguesa, A semana de Lisboa e Branco e Negro.

A partir de 1871, após colaborar no jornal A Discussão, órgão do Partido Constituinte, iniciou-se na política sendo nesse mesmo ano deputado pela Covilhã. Em 1875, passou a ser o diretor do jornal e no ano seguinte mudou-lhe o título para Diário da Manhã. Pinheiro Chagas foi ainda mais vezes deputado, pela Covilhã (1874, 1878), por Arganil (1880, 1881), pelas Caldas da Rainha (1884) e por Viana do Castelo (1887, 1889, 1890). Retomou a sua carreira militar em 1883 – interrompida em 1866- ao ser chamado para Ministro da Marinha e Ultramar, numa fase decisiva da partilha de África pelas potências europeias. Em paralelo, e à imagem das sociedades de exploração britânicas, Pinheiro Chagas também se associou a um grupo de intelectuais e políticos para fundar a Sociedade de Geografia de Lisboa com o intuito de promover um conjunto de viagens de exploração em África e daí resultou o mapa cor-de-rosa e as viagens de, entre outros, Capelo, Ivens e Serpa Pinto.

Enquanto escritor, começou na poesia com Anjo do Lar (1863), seguida de Poema da Mocidade (1865), com um prefácio de Castilho que fez eclodir a Questão Coimbrã e até um duelo, numa polémica literária que opôs o grupo de Pinheiro Chagas, Brito Aranha, Camilo Castelo Branco e Ramalho Ortigão à Geração de Teófilo BragaAntero de Quental e Eça de Queirós.

Da sua ficção, destaquem-se Tristezas à Beira-Mar (1866), A Flor Seca (1866), A Corte de D. João V (1873), O terramoto de Lisboa (1874) e A Mantilha de Beatriz (1878) e, na dramaturgia A Morgadinha de Valflor (1869), Deputado de Venhanós (1869), A Judia (1869), À Volta do Teatro (1868) e Quem Desdenha (1875). Também se interessou pela História e produziu trabalhos de pouco rigor e falta de erudição como Portugueses Ilustres (1869),  os seus 8 volumes da História de Portugal (1869-1874), História Alegre de Portugal (1880) e Migalhas da História de Portugal (1893).

Para além de Par do Reino, Pinheiro Chagas foi ainda nomeado presidente da Junta do Crédito Público, em agosto de 1893, cargo que ocupou até falecer.

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Júlio César Machado

Ilustração Portuguesa, 18.04.1904

Ilustração Portuguesa, 18.04.1904

Esta artéria que une a Rua do Salitre à Avenida da Liberdade, e que até à publicação do Edital de 27/08/1904 se designava Travessa do Moreira, evoca Júlio César Machado que prefaciou o livro de Ramalho Ortigão intitulado Banhos de Caldas e Águas Minerais (1875).

Placa Tipo II - Freguesia de Santo António (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo II – Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

Escritor e folhetinista, Júlio César Machado (Lisboa/01.10.1835 – 12.01.1890/Lisboa), deixou obra em biografias, contos, crónicas, romances, comédias e dramas, sendo de salientar o constante retrato da vida lisboeta da sua época, de forma humorística, como nos seus dois volumes de A Vida em Lisboa (1858), para além dos guias turísticos Lisboa na rua (1874) e Lisboa de Ontem (1877).

O seu romance Estrela d’ Alva (1850) foi publicado no jornal A Semana em formato de folhetim, com o apoio de Camilo Castelo Branco. Trabalhou mesmo como folhetinista do Diário de Notícias e colaborou também  no Paquete do Tejo, Revista Contemporânea de Portugal e Brasil, Renascença e Ribaltas e Gambiarras.

Somem-se ainda os romances Cláudio (1852), Estevão (1853), os Contos ao Luar (1861), Cenas da Minha Terra (1862), os livros de viagens Recordações de Paris e Londres (1863) e Do Chiado a Veneza (1867), o ensaio humorístico Da loucura e das manias em Portugal (1871), e com Rafael Bordalo Pinheiro o  Álbum de caricaturas: frases e anexins da lingua portuguesa (1876).

No teatro, traduziu peças do francês, principalmente as de Scribe, e escreveu comédias originais para o Teatro Ginásio, de onde se destacam Os três sapadores (1853), Amigos… Amigos… (1854), A esposa deve acompanhar seu marido (1861), A Senhora está deitada (1873). Foram também suas as biografias dos atores Isidoro, Sargedas, Soller, Taborda e Tasso, bem como o guia Os teatros de Lisboa (1874).

Júlio César Machado também passava os seus tempos de lazer em A-dos-Ruivos, uma aldeia do Bombarral, mas foi em Lisboa, no mesmo dia em que o Governo português recebia o ultimato britânico que se suicidou em conjunto com a mulher, na sequência da perda do filho único.

Freguesia de Santo Anmtónio (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)