A Rua Eça de Queiroz na Capital

Ilustração Portuguesa, 16.11.1903

Ilustração Portuguesa, 16.11.1903

Eça de Queiroz foi aluno de Ramalho Ortigão no Colégio da Lapa (no Porto) e ambos integraram a Geração de 70 e o Grupo Vencidos da Vida, para além de terem escrito em conjunto O Mistério da Estrada de Sintra e as primeiras Farpas.

A Rua Eça de Queiroz, que liga a Avenida Duque de Loulé à Rua Actor Tasso, foi atribuída treze anos após a morte do autor de Os Maias, pelo Edital de 16/05/1913, na então «paróquia Civil de Camões», nome derivado do Bairro Camões que ali começou a ser edificado em 1880, no âmbito das comemorações do tricentenário do poeta. Refira-se também que em 8 de novembro de 1903, foi inaugurado no Largo do Barão de Quintela o monumento em homenagem a Eça, cerimónia em que Ramalho Ortigão interveio frisando que «Não é um retrato literário do insigne escritor que me proponho traçar – o meu fim é unicamente fazer notar a Lisboa que Eça é, como romancista, o mais fundamental e genuinamente lisboeta de todos os escritores nacionais(…)»

José Maria Eça de Queiroz (Póvoa de Varzim/25.11.1845-16.08.1900/Paris), cresceu em Verdemilho (Aveiro) e no Porto, estudou Direito na Universidade de Coimbra, onde se tornou amigo de Antero de Quental e Teófilo Braga, entre outros e participou nas Conferências do Casino, ficando como um dos famosos da Geração de 70 que organizou as Conferências do Casino em Lisboa no ano de 1871 e, mais tarde, como membro dos Vencidos da Vida.

Seguindo a carreira diplomática, Eça de Queiroz foi cônsul em Havana, Newcastle, Bristol e Paris. Também dirigiu o jornal da oposição Distrito de Évora e a Revista de Portugal. Na Gazeta de Portugal publicou folhetins e relatos da sua viagem ao Médio Oriente em 1870,  e no jornal portuense A Actualidade as crónicas Cartas de Inglaterra.

Considerado um dos maiores romancistas portugueses do século XIX, destacam-se as suas obras Singularidades de uma rapariga loira (1874),  O Crime do Padre Amaro (1875), O Primo Basílio (1878), A Relíquia (1887), Os Maias (1888), A Ilustre Casa de Ramires (1897) ou A Cidade e as Serras (1901).

Eça viveu em Lisboa a partir de 1866, na casa paterna situada no 4º andar do nº 26 da Praça Dom Pedro (vulgarmente conhecido por Rossio e desde 26/03/1971 denominada Praça Dom Pedro IV) e com vista para a Rua Primeiro de Dezembro (então Rua do Príncipe). Ceou muito na Travessa da Trindade, frequentou o Casino Lisbonense, o Teatro da Trindade, a Havaneza do Chiado na Rua Garrett, os restaurantes da então Rua Larga de São Roque (hoje Rua da Misericórdia), a Rua do Loreto, o Bairro Alto, o Aterro (Avenida Vinte e Quatro de Julho), o Campo de Santana (hoje Campo Mártires da Pátria), ou a Patriarcal ( hoje Praça do Príncipe Real). Não será de estranhar assim que Lisboa seja a cidade em que Eça mais se inspirou para escrever, entre outros, A Capital, O Primo BasílioOs Maias ou A Tragédia da Rua das Flores, podendo mesmo definir-se muitos circuitos da Lisboa Queirosiana como Olivais e Benfica; Arroios e Penha de França; Avenida da Liberdade, Rossio e Praça do Comércio; Chiado e Bairro Alto; Aterro, Santos-o-Velho e Lapa; Graça e Campo de Santa Clara; Santa Apolónia, Poço do Bispo, Braço de Prata e Cabo Ruivo.

Freguesia de Santo António (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António

Freguesia de Santo António

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