A Rua Oliveira Martins

Ilustração Portuguesa, 30.11.1910

Ilustração Portuguesa, 30.11.1910

Oliveira Martins partilha com Ramalho Ortigão a pertença à mesma Geração de 70 e a morada no mesmo prédio do nº 6 da Rua João Pereira Rosa, tendo integrado  a toponímia de Lisboa 62 anos após a sua morte, por Edital de 26/05/1956, no troço da Estrada das Amoreiras compreendido entre as Avenidas João XXI e Sacadura Cabral.

Da reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 21/12/1955, se percebe que esta «ocupou-se do artigo publicado no “Diário de Lisboa”, de 14 do mês findo, subordinado ao título “A Consagração lapidar nas ruas de Lisboa através dos registos toponímicos” e, em face do mesmo foi de parecer que os nomes de Carlos Mayer, Oliveira Martins, João Vaz, Moura Girão, Rodrigues Vieira, António Ramalho, Ribeiro Cristino, Henrique Pinto e Cipriano Martins, denominem, respectivamente, a rua 29, rua 31, praceta da rua 28, rua 55, rua 37-A, rua projectada entre as ruas Silva e Albuquerque e Maria Amália Vaz de Carvalho, praceta das ruas 31 e Coronel Marques Leitão, praceta da Rua Filipe de Magalhães e rua 39, todas do Sítio de Alvalade». Porém, alterou a localização da Rua Oliveira Martins na reunião de 4 de maio seguinte justificando «Que Oliveira Martins denomine o troço da Estrada das Amoreiras, entre as avenidas João XXI e Sacadura Cabral, em vez da Rua 31 do Sítio de Alvalade, como se havia resolvido, passando esta rua a denominar-se Rua Lopes de Mendonça, satisfazendo, assim, o solicitado por seu filho – o coronel Vasco Lopes de Mendonça».

Joaquim Pedro de Oliveira Martins (Lisboa/30.04.1845 – 24.08.1894/Lisboa) juntou o exercício de escritor e historiador, com a política e a participação em jornais, depois de se estrear em 1867 com o romance Febo Moniz. Colaborou em O Jornal do Comércio e com Luciano Cordeiro no A Revolução de Setembro. Depois de em 1870 ter ingressado no Cenáculo de Antero de Quental e Batalha Reis, também com Eça de Queiroz, Manuel de Arriaga, Luciano Cordeiro e Teófilo Braga lançou o jornal de feição socialista A República. Foi galardoado com a medalha de ouro da Academia das Ciências pelo seu estudo A Circulação Fiduciária (1879), e nesse mesmo ano fundou a Biblioteca das Ciências Sociais onde publicou as suas obras História da Civilização Ibérica, História de Portugal e depois, História da República Romana, na firma Viúva Bertrand & Comp. Sucs. Na década de 80 do séc. XIX, o autor de Portugal Contemporâneo (1881) decidiu empenhar-se na política, como deputado em 1883 e 1889, por Viana do Castelo e pelo Porto, para além de ter publicado Política e Economia Nacional e lançado o jornal A Província. Em 1891 editou Os Filhos de D. João I  e acabou por aceitar em 17/01/1892 a pasta da Fazenda sob a presidência de Dias Ferreira, embora por divergências se tenha demitido em 27/05/1892 após o que foi nomeado vice-presidente da Junta do Crédito Público no ano seguinte, época em que também saiu a lume a sua última obra, Vida de Nun’Álvares, antes de falecer vítima de tuberculose.

Freguesias de Alvalade e do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Alvalade e do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Alvalade e do Areeiro

Freguesias de Alvalade e do Areeiro

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