A Rua Pinheiro Chagas

Ilustração Portuguesa,18.04.1904

Ilustração Portuguesa,18.04.1904

A ligação de Pinheiro Chagas a Ramalho Ortigão, para além do duelo que opôs Ramalho a Quental na sequência do prefácio de Castilho à 1ª obra de Pinheiro Chagas, radica também no caso de  ambos terem sido os representantes de Portugal, em 1893, à Exposição Histórica Europeia de Madrid, por ocasião das festas comemorativas do centenário de Cristóvão Colombo.

Foi nove anos depois disso e sete anos após o falecimento de Pinheiro Chagas que este passou a dar nome à via pública entre a Rua Fontes Pereira de Melo e a Rua Marquês de Sá da Bandeira, através do Edital de 29/11/1902.

Manuel Joaquim Pinheiro Chagas (Lisboa/13.11.1842-08.04.1895/Lisboa) foi sobretudo um jornalista e político que também foi também escritor. Destinado pelo major seu pai à carreira militar, o que dava azo a Eça de Queirós apodá-lo como «brigadeiro Chagas», começou no jornal A Revolução de Setembro, então dirigido por Rodrigues Sampaio e cedo fez estilo mesclando o jornalismo noticioso com a intervenção política. Foi diretor literário do Jornal do domingo e colaborou com O Panorama, Arquivo Pitoresco, Revista Contemporânea de Portugal e Brasil, Gazeta Literária do Porto, O Ocidente, A Ilustração Portuguesa, A semana de Lisboa e Branco e Negro.

A partir de 1871, após colaborar no jornal A Discussão, órgão do Partido Constituinte, iniciou-se na política sendo nesse mesmo ano deputado pela Covilhã. Em 1875, passou a ser o diretor do jornal e no ano seguinte mudou-lhe o título para Diário da Manhã. Pinheiro Chagas foi ainda mais vezes deputado, pela Covilhã (1874, 1878), por Arganil (1880, 1881), pelas Caldas da Rainha (1884) e por Viana do Castelo (1887, 1889, 1890). Retomou a sua carreira militar em 1883 – interrompida em 1866- ao ser chamado para Ministro da Marinha e Ultramar, numa fase decisiva da partilha de África pelas potências europeias. Em paralelo, e à imagem das sociedades de exploração britânicas, Pinheiro Chagas também se associou a um grupo de intelectuais e políticos para fundar a Sociedade de Geografia de Lisboa com o intuito de promover um conjunto de viagens de exploração em África e daí resultou o mapa cor-de-rosa e as viagens de, entre outros, Capelo, Ivens e Serpa Pinto.

Enquanto escritor, começou na poesia com Anjo do Lar (1863), seguida de Poema da Mocidade (1865), com um prefácio de Castilho que fez eclodir a Questão Coimbrã e até um duelo, numa polémica literária que opôs o grupo de Pinheiro Chagas, Brito Aranha, Camilo Castelo Branco e Ramalho Ortigão à Geração de Teófilo BragaAntero de Quental e Eça de Queirós.

Da sua ficção, destaquem-se Tristezas à Beira-Mar (1866), A Flor Seca (1866), A Corte de D. João V (1873), O terramoto de Lisboa (1874) e A Mantilha de Beatriz (1878) e, na dramaturgia A Morgadinha de Valflor (1869), Deputado de Venhanós (1869), A Judia (1869), À Volta do Teatro (1868) e Quem Desdenha (1875). Também se interessou pela História e produziu trabalhos de pouco rigor e falta de erudição como Portugueses Ilustres (1869),  os seus 8 volumes da História de Portugal (1869-1874), História Alegre de Portugal (1880) e Migalhas da História de Portugal (1893).

Para além de Par do Reino, Pinheiro Chagas foi ainda nomeado presidente da Junta do Crédito Público, em agosto de 1893, cargo que ocupou até falecer.

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

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