A Rua do embaixador republicano Jaime Batalha Reis

Freguesia de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

A residência alfacinha de Jaime Batalha Reis foi a morada do Cenáculo,  tertúlia literária e política onde pontificaram Ramalho Ortigão, Eça de Queirós, Manuel de Arriaga, Teófilo Braga e Guerra Junqueiro, entre outros.

Para a toponímia de Lisboa entrou Jaime Batalha Reis 74 anos após o seu falecimento, pelo Edital de 30/01/2009, para dar nome à Rua 1 à Rua 2 à Estrada do Calhariz de Benfica. A inauguração desta artéria ocorreu em 5 de outubro de 2011, como fecho das comemorações do Centenário da República, o que também sucedeu com mais 6 arruamentos de republicanos, que foram repostos ou pela primeira vez colocados na toponímia alfacinha, a saber, o Jardim Augusto Monjardino, a Rua Francisco Ferrer, a Rua João Chagas, a Rua Luz de Almeida, a Avenida Machado Santos e a Rua Mário Azevedo Gomes.

Jaime Batalha Reis (Lisboa/24.12.1847 – 24.01.1935/Torres Vedras) foi sobretudo um escritor e diplomata da Geração de 70, que só não apresentou a sua exposição intitulada «Socialismo» nas Conferências Democráticas do Casino, em maio de 1871, porque foram entretanto proibidas pelo presidente do conselho de ministros, o Duque e Marquês de Ávila e Bolama. Aliás, a sua residência na Travessa do Guarda-Mor (que desde 1977 se fixou como Rua do Grémio Lusitano) foi a morada do Cenáculo,  tertúlia literária e política onde pontificaram Ramalho Ortigão, Eça de Queirós, Manuel de Arriaga, Teófilo Braga ou Guerra Junqueiro, e quando passou a residir com Antero na Rua dos Prazeres, foi aí delineada a organização das Conferências do Casino.  Refira-se ainda que já em 1869, com Eça e Antero, inventaram o «poeta satânico» Carlos Fradique Mendes, cujos folhetins poéticos foram publicados n’ A Revolução de Setembro.

Filho de um produtor vinícola do Turcifal, Batalha Reis formou-se em Agronomia e Engenharia Florestal no Instituto Geral de Agricultura, onde aliás chegou a chefe do Serviço Agrícola do Instituto Geral de Agricultura, em 1872. Estudioso da filoxera também fez docência ao substituir Andrade Corvo nas cadeiras de Botânica, Economia Rural e Florestal, e foi em 1882 catedrático de  Microscopia e Nosologia Vegetal.

Contudo, após várias diversas tentativas, conseguiu em Julho de 1883  entrar na carreira diplomática como desejava, tendo sido nomeado cônsul em Newcastle, e assim se destacou na defesa dos interesses nacionais em África, tendo ido como perito à Conferência Anti-Esclavagista que se realizou em Berlim de 1889 a 1891. Após a implementação da República regressou a Portugal  a convite de Bernardino Machado para uma remodelação Ministerial. De 1913 a 1918 foi Embaixador na Rússia e em 1919, foi delegado plenipotenciário à Conferência de Paz, presidida pelo Presidente Wilson, em Paris, em representação de Portugal.

Jaime Batalha Reis pintado por Columbano (Foto: José Artur Leitão Bárcia, Arquivo Municipal de Lisboa)

Jaime Batalha Reis pintado por Columbano em óleo sobre tela
(Foto: José Artur Leitão Bárcia, Arquivo Municipal de Lisboa)

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