A Rua Guilherme de Azevedo ou de João Rialto

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

Ramalho Ortigão e Guilherme de Azevedo foram ambos colaboradores do jornal de humor político António Maria (1879 – 1898), dirigido por Rafael Bordalo Pinheiro, sendo aí João Rialto o pseudónimo de Guilherme de Azevedo e João Ribaixo o de Ramalho.

Rua Guilherme de Azevedo foi o topónimo escolhido para a Rua nº 17, fixado pelo Edital 19/07/1948, que nestes primeiros arruamentos do Bairro de Alvalade juntou ainda a Avenida da Igreja (arruamento que divide os grupos um e dois), a Rua Afonso Lopes Vieira (Rua nº 1), a Rua Branca de Gonta Colaço (Rua nº 2), a Rua Fernando Caldeira (Rua nº 3), a Rua Rosália de Castro (Rua nº 4), a Rua Alberto de Oliveira (Rua nº 5), a Rua João Lúcio (Rua nº 6), a Rua António Pusich (Rua nº 7), a Rua Fausto Guedes Teixeira (Rua nº 8), a Rua Eugénio de Castro (Rua nº 9), a Rua Violante do Céu (Rua nº 10), a Rua Fernando Pessoa (Rua nº 11), a Rua Luís Augusto Palmeirim (Rua nº 12), a Rua António Patrício (Rua nº 13), a Rua Bernarda Ferreira de Lacerda (Rua nº 14), a Rua Eduardo Vidal (Rua nº 15), a Rua Camilo Pessanha (Rua nº 16), a Rua Mário de Sá Carneiro (Rua nº 18) e a Rua Florbela Espanca (Rua nº 19).

O homenageado é Guilherme Avelino de Azevedo (Santarém/30.11.1839 – 06.04.1882/Paris), jornalista e escritor que se fixou em Lisboa em 1874 e iniciou uma cooperação com Rafael Bordalo Pinheiro tendo participado nos jornais A Lanterna Mágica (1875), O Pimpão (1876), O António Maria (1879) e o Álbum das Glórias (1880). Já antes, em 1871,  fundara em Santarém O Alfageme, onde com escândalo do país da época defendeu as ideias da Comuna de Paris. Em Lisboa, trabalhou para os jornais Diário da Manhã, Primeiro de Janeiro, O Panorama,  Jornal de Domingo, Comércio de Lisboa, A Revolução de Setembro, bem como para as revistas A Mulher, República das Letras,  Ribaltas e Gambiarras , assim como para a imprensa brasileira, tendo sido aliás nomeado pela carioca Gazeta de Notícias como seu correspondente em Paris, a partir de 1880.

Guilherme de Azevedo usou vários pseudónimos e a ferocidade do seu humor valeu-lhe a alcunha de «Diabo Coxo», em que se aludia também à sua debilidade física. Ligado à Geração de 70 foi um autor de realismo satírico e um dos representantes da poesia revolucionária introduzida em Portugal por Antero de Quental.  Publicou os primeiros versos no Almanaque de Lembranças de 1864, sob o pseudónimo de G. Chaves, a que seguiram três colectâneas: Aparições (1867), Radiações da Noite (1871) e Alma Nova (1874). Na Gazeta do Dia, em parceria com Guerra Junqueiro, manteve as crónicas humorísticas intituladas «Ziguezagues». Ainda com Junqueiro, em 1879, redigiu a sátira teatral Viagem à roda da Parvónia, que seria pateada e proibida, mas que Ramalho Ortigão considerou uma «fiel pintura dos costumes constitucionais» da época.

No ano do centenário do seu nascimento, a edilidade lisboeta promoveu uma Exposição comemorativa  no Museu Rafael Bordalo Pinheiro.

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

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