Ramalho foi do Príncipe Real à Praça Rio de Janeiro

Freguesias da Misericórdia e de Santo António

Freguesias da Misericórdia e de Santo António                    (Foto: Sérgio Dias)

Quando Ramalho Ortigão se fixou em Lisboa em 1867 já o Largo da Patriarcal Queimada se chamava Praça do Príncipe Real e quando vítima de cancro se recolheu na Casa de Saúde do Dr. Henrique de Barros nesse artéria, já era a Praça do Rio de Janeiro.

O Largo da Patriarcal Queimada junto com a parte da Rua da Patriarcal Queimada que enfrenta o Largo, passaram a constituir um único arruamento com a denominação de Praça do Príncipe Real pelo Edital do Governo Civil  de Lisboa de 01/09/1859. Após a implantação da República e para reforçar a ligação com a República Brasileira, o Edital municipal de 05/11/1910 tornou a Praça do Príncipe Real em Praça do Rio de Janeiro, bem como o Largo do Rato em Praça do Brasil. Finalmente, o Edital camarário de 23/12/1948 reverteu a Praça do Rio de Janeiro para Praça do Príncipe Real, bem como a Praça do Brasil para Largo do Rato, assim como aplicou a mesma regra de retorno a outros topónimos modificados na época republicana como o Largo Dr. Afonso Pena (Presidente do Brasil) que passou a Campo Pequeno, a Calçada João do Rio (escritor brasileiro) ficou Calçada Engenheiro Miguel Pais, a Avenida Alferes Malheiro passou a Avenida do Brasil, a Avenida Presidente Wilson retornou a Avenida Dom Carlos I e fixou-se o Presidente Wilson na Rua D1 do Plano de Urbanização da zona entre a Alameda Dom Afonso Henriques e a linha férrea de cintura, o Campo 28 de Maio voltou a Campo Grande e um troço da Avenida Estados Unidos da América tornou-se Avenida 28 de Maio.

Príncipe Real de Portugal era o título oficial atribuído aos Herdeiros da Coroa de Portugal, durante a Monarquia Constitucional (1822 -1910) por oposição aos demais filhos do Casal Régio, que recebiam o título de Infante de Portugal, tendo usado este título D. Pedro (depois D. Pedro V), D. Carlos (depois D. Carlos I), D. Luís Filipe de Bragança e D. Afonso de Bragança. Contudo, como a rainha D. Maria II mandou erguer um jardim no espaço da antiga Patriarcal de Lisboa em honra do seu filho que viria a ser D. Pedro V, o topónimo dado em 1859 está relacionado com ele, a quem mais tarde, em 17/11/1883, a edilidade lisboeta também atribuiu uma rua junto a esta Praça.

Freguesias da Misericórdia e de Santo António

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