Topónimos da Baixa e do Chiado no mês de Novembro

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No âmbito da temática que iniciamos a partir de amanhã,  já publicámos desde 2012 os seguintes topónimos:

A Rua do criador da Geografia moderna em Portugal

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

O Professor Orlando Ribeiro, o criador da Geografia moderna em Portugal, dignificou com o seu nome a Rua D da Urbanização do Paço do Lumiar, situada entre a Rua Prof. Alfredo de Sousa e a Rua Prof. Fernando de Mello Moser, desde a publicação do Edital de 15/12/1997, menos de um mês depois do seu falecimento o que é demonstrativo do enorme valor deste investigador e docente.

Com a legenda «Geógrafo/1911 – 1997», este topónimo homenageia o criador da Geografia moderna em Portugal, Orlando da Cunha Ribeiro (Lisboa/16.02.1911 – 17.11.1997/Lisboa), licenciado em História e Geografia pela Faculdade de Letras de Lisboa em 1932, e quatro depois doutorado em Geografia com uma tese sobre a Serra da Arrábida, pela mesma Faculdade, onde foi discípulo de Leite de Vasconcelos e de Silva Teles.

A sua preocupação da ligação da investigação ao ensino da Geografia esteve sempre presente ao longo da vida de docente desde que a iniciou num colégio de Lisboa enquanto preparava o seu doutoramento.  Foi leitor assistente de português na Universidade de Paris (1937- 1940), professor na Universidade de Coimbra (1940-1942) e professor catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa (de 1942 em diante), instituição onde criou o Centro de Estudos Geográficos em 1943 e que 23 anos anos depois passou a publicar a revista Finisterra. Orlando Ribeiro procurava suscitar nos seus discípulos o interesse pela Geografia como mais um ramo da Ciência e considerava que à escala universitária a docência e a investigação estão intimamente relacionadas, sendo praticamente inseparáveis.

Orlando Ribeiro foi autor de uma vasta obra sobre Geografia Física, Humana, Regional, Zonal, Metodologia e História da Geografia, Geologia, Etnologia, História e organização da vida científica universitária, de que destacamos Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico (1945), A Ilha do Fogo e as suas Erupções (1954), Geografia e Civilização. Temas Portugueses (1961), Ensaios de Geografia Humana e Regional (1970), Introduções Geográficas à História de Portugal (1977), A Ilha da Madeira até Meados do Século XX (1985), Iniciação em Geografia Humana (1986), Introdução ao Estudo de Geografia Regional (1987) e os 4 volumes de Geografia de Portugal (1987-1989).

Orlando Ribeiro que foi também colaborador dos Serviços Geológicos (1945), organizou o 1º Congresso Internacional de Geografia do pós-guerra (em abril de 1949), com a participação de 800 investigadores de 37 países, tendo para o efeito escolhido como colaboradores Fernandes Martins, Mariano Feio, Georges Zbyszewski, Carlos Teixeira, Virgínia Rau e Jorge Dias, e daqui ainda editou 8 volumes de Atas e 5 volumes das 5 excursões científicas realizadas no seu decorrer.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua do professor do Liceu Francês Rui Grácio

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

O professor do Liceu Francês e renovador dos métodos de ensino no ensino secundário, Rui Grácio, dá nome a um arruamento de Marvila, da Zona N 1 de Chelas, que estabelece a ligação entre a Rua Pedro Cruz e a Rua Luísa Neto Jorge, desde a publicação do Edital municipal de 12/11/1991, com a legenda «Investigador e Pedagogo/1921 – 1991».

Placa Tipo IV - Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo IV – Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

Rui dos Santos Grácio (Moçambique-Maputo/01.08.1921 – 30.03.1991/Lisboa), licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Lisboa, deu como professor  um tributo  importante para a renovação do ensino da filosofia em Portugal, assim como desenvolveu estudos de psicopedagogia escolar da língua materna e da metodologia de ensino da matemática elementar. Desde 1947 e durante 25 anos foi professor do Liceu Francês em Lisboa (Lycée Français Charles Lepierre).

Em paralelo, a partir de 1963, desenvolveu investigação científica através da Fundação Calouste Gulbenkian, instituição onde dirigiu o departamento de pedagogia do Centro de Investigação Pedagógica, onde promoveu ações de formação destinadas a docentes, algo bastante inovador para a época. Deixou ainda vasta obra publicada nesta área, para além das conferências, colóquios e seminários que organizou e trouxeram a Portugal conhecidos investigadores e especialistas em educação.

Cidadão empenhado politicamente, Rui Grácio foi um dos fundadores do Partido Socialista em 1973 e desenvolveu acções de intervenção no  sindicalismo docente, no âmbito do Sindicato dos Professores do Ensino  Particular, o único existente antes do 25 de Abril, e após a Revolução dos Cravos, exerceu funções governativas, como Secretário de Estado da Orientação Pedagógica no III Governo Provisório presidido por Vasco Gonçalves (de 30 de setembro de 1974 a 26 de março de 1975), e nesse período operacionalizou políticas inovadoras, entre as quais a reforma da orientação dos estágios pedagógicos, a gestão colegial das escolas e a criação de área curricular de educação cívica.

Foi galardoado como Grande-Oficial da Ordem da Instrução Pública (1991) e  Grande-Oficial da Ordem da Liberdade (2001).

Freguesia de Marvila (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do militar e matemático Filipe Folque

 

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Vinte anos após o seu falecimento, o militar e matemático Filipe Folque que foi o responsável por um levantamento cartográfico da cidade de Lisboa na 2ª metade do séc. XIX, deu o seu nome a uma artéria das Avenidas Novas, entre a Rua de São Sebastião de Pedreira e a Avenida Duque d’Ávila, por via do Edital municipal de 29/11/1902.

O mesmo Edital colocou nesta zona, em Avenidas, os nomes dos políticos António de Serpa, Casal Ribeiro, Duque D’Ávila, Hintze Ribeiro (hoje Avenida Miguel Bombarda), José Luciano (hoje Avenida Elias Garcia),  e em Ruas, os nomes de Andrade Corvo, António Enes, Barros Gomes (hoje Rua Viriato), Latino Coelho , Luís Bivar (hoje Avenida), Martens Ferrão, Pinheiro Chagas e o médico Pedro Nunes.

Filipe FolqueFilipe de Sousa Folque (Portalegre/28.11.1800 – 27.12.1874/Lisboa), filho do General Pedro Folque, foi um militar de carreira doutorado em Matemática desde 1826 pela Universidade de Coimbra, que como docente começou na Universidade de Coimbra (1834) e depois, seguiu como lente na Academia de Marinha (1836) onde criou o curso de engenheiro hidrógrafo, como lente de Astronomia e Geodesia na Escola Politécnica de Lisboa (desde 1840) e como professor de matemática dos filhos da rainha D. Maria II.

Notabilizou-se sobretudo por entre 1844 e 1870 ter sido o Diretor-geral dos Trabalhos Geodésicos do Reino, apoiado pelo Ministro da Obras Públicas Fontes Pereira de Melo, e nessa qualidade ter dirigido, entre 1856 e 1859, um levantamento topográfico de Lisboa (a Carta topographica da cidade de Lisboa, publicada em 1878) determinado pela Portaria de 02/11/1853, no âmbito da qual colocou chapas de ferro fundido, a um altura de 3 metros, com a cota de nível dos arruamentos. Filipe Folque já havia elaborado a Carta Geral do Reino ou Carta Corográfica de Portugal (1843) e a Carta do Plano Hidrográfico da barra do Porto de Lisboa,  para além de ter dado a lume diversos estudos como, por exemplo, Memória dos Trabalhos Geodésicos executados em Portugal (1841), Tábuas para o Cálculo das Distâncias à Meridiana (1855), Dicionário do Serviço dos trabalhos geodésicos e topográficos do Reino; ou Rapport sur les travaux géodésiques du Portugal et sur l’état actuel de ces mêmes travaux pour être présenté à la Comission Permanente de la Confèrence Internationale (1868).

Refira-se ainda que Filipe Folque desempenhou as funções de diretor das obras do Mondego (1826) e de ajudante do Observatório da Universidade de Coimbra (1827).  Colaborador assíduo da Revista Militar e da Revista universal lisbonense também  foi feito sócio efetivo da Academia Real das Ciências de Lisboa desde 1834 e aí veio mesmo a ser Diretor de classe (1850), para além de ter colaborado com Almeida Garrett na fundação do Conservatório Nacional, dados os seus grandes conhecimentos musicais, chegando mesmo a Diretor da Secção de Música, e publicando na Revista do Conservatório Real de Lisboa.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua da 1ª professora universitária em Portugal, Carolina Michaelis

Freguesias de Benfica e de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Benfica e de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Carolina Michaëlis de Vasconcelos foi a primeira professora de uma Universidade portuguesa e após uma primeira tentativa de a colocar na toponímia de Lisboa em 1932 que não resultou, finalmente, pela publicação do  Edital de 05/06/1972 o seu nome foi dado à artéria até aí identificada como Rua A ao Calhariz de Benfica, ou arruamento ao longo do Caminho de ferro entre a Rua Tenente Coronel Ribeiro dos Reis e a Rua Manuel Correia Gomes na Quinta da Santa Teresinha, que se estende pelas freguesias de Benfica e de São Domingos de Benfica.

Refira-se que este arruamento ainda cresceu mais através do Edital de 04/12/1981, que lhe acrescentou o arruamento situado entre a Rua Manuel Correia Gomes e a Avenida Gomes Pereira por constituir um prolongamento da Rua Carolina Michaelis de Vasconcelos.

A história da primeira e da segunda artéria em homenagem a  Carolina Michaëlis de Vasconcelos consta da Ata da reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 17 de maio de 1972: «Considerando que por deliberações camarárias de 23 de Março de 1932 , 14 de Abril do mesmo ano e 12 de Abril de 1934 foram atribuídos os nomes de Carolina Michaelis de Vasconcelos, João Pinto Ribeiro, Pery de Linde e Gregório Lopes a arruamentos cujos planos de urbanização não chegaram a executar-se, a Comissão é de parecer que esses nomes passem a identificar os arruamentos abaixo indicados, como segue: (…) Rua A ao Calhariz de Benfica, ou arruamento ao longo do caminho de ferro, situado entre a Rua Tenente Coronel Ribeiro dos Reis e a Rua Manuel Correia Gomes: Rua Carolina Michaelis de Vasconcelos/Professora/1851 – 1925(…)».

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Carolina Wilhelma Michaëlis de Vasconcelos (Berlim/15.03.1851 – 16.11.1925/Porto), naturalizada portuguesa após o seu casamento em Berlim com o musicólogo e historiador de arte Joaquim de Vasconcelos em março de 1876, foi uma linguista, filóloga, historiadora da literatura portuguesa e professora que residiu muitos anos no Porto, na Rua de Cedofeita.

Carolina Michaëlis de Vasconcelos foi a primeira professora de uma universidade portuguesa. Em junho de 1911 foi nomeada para a Faculdade de Letras de Lisboa mas pediu transferência para a de Coimbra, para poder continuar a morar no Porto e aí foi docente de janeiro de 1912 até fevereiro de 1925, nas disciplinas de Filologia Românica, Filologia Portuguesa, Língua e Literatura Alemã. 

Na sua vasta e prestigiada obra, destacam-se Poesia de Sá de Miranda (1885),  História da Literatura Portuguesa (1897), A Infanta D. Maria de Portugal e as Damas da sua Corte (1902), a Edição Monumental do Cancioneiro da Ajuda (1904 – 1921) na qual começou a trabalhar em 1877 na Biblioteca da Ajuda, Lições de Filologia Portuguesa (1912), As Cem Melhores Poesias Líricas da Língua Portuguesa (1914) ou Notas Vicentinas (1920-1922).

O trabalho de investigação de Carolina Michaëlis, quando ainda vivia na Alemanha, levou-a a corresponder-se com inúmeros nomes da cultura, como os portugueses Alexandre Herculano, Antero de Quental, o Conde de Sabugosa, Eugénio de Castro,  João de Deus Ramos, Leite de Vasconcelos, Lopes de Mendonça, Sousa Viterbo, Teófilo Braga, Trindade Coelho e Joaquim de Vasconcelos com quem casou.

Refira-se ainda que Carolina Michaëlis dirigiu a Revista Lusitana, desde 1924 até à sua morte no ano seguinte e, em 13 de junho de 1912, foi eleita para a Academia de Ciências de Lisboa tal como Maria Amália Vaz de Carvalho, para além de ter sido distinguida como sócia honorária do Instituto de Línguas Vivas de Berlim (1877), doutora pelas Universidades de Friburgo (1893), Coimbra (1916) e Hamburgo (1923) e ainda o oficialato da Ordem de Santiago (1901).

Freguesias de Benfica e de São Domingos de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Benfica e de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do Prof. Delfim Santos em Telheiras

Placa Tipo II - Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo II – Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Telheiras, conhecida como Bairro dos Professores pela sua toponímia, também acolhe a Rua Prof. Delfim Santos, desde que o Edital municipal de 27/02/1978 colocou o topónimo no Impasse 11 B da Zona de Telheiras, com a legenda «Filósofo e Pedagogista/1907 – 1966».

O referido Edital atribui também em Telheiras mais os seguintes topónimos de professores universitários: Rua Prof. Bento de Jesus Caraça/Matemático 1901 – 1948; Rua Prof. Damião Peres/ Historiador 1889 – 1976; Rua Prof. Fernando da Fonseca/Médico – 1895 – 1974; Rua Prof. Henrique Vilhena/Médico e Escritor 1879 – 1958; Rua Prof. Hernâni Cidade/Historiador da Literatura Portuguesa 1887 – 1975; Rua Prof. João Barreira/Historiador de Arte 1886 – 1961; Rua Prof. Luís Reis Santos/Historiador e Crítico de Arte 1898 – 1967; Rua Prof. Mário Chicó/Historiador de Arte 1905 – 1966; Rua Prof. Mark Athias/Médico 1875 – 1946; Rua Prof. Pulido Valente/Médico 1884 – 1963; Rua Prof. Queiroz Veloso/ Historiador 1860 – 1952; Rua Prof. Vieira de Almeida/Filósofo e Escritor 1888 – 1962 e Rua Profª. Virgínia Rau/Historiadora 1907 – 1973.

Delfim Pinto dos Santos (Porto/06.11.1907 – 26.09.1966/Cascais) foi um filósofo e pedagogo que se destacou enquanto professor catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa e também, a partir de 1963, como director do Centro de Investigação Pedagógica da Fundação Calouste Gulbenkian e também, a partir de 1966, a direção do Instituto Pedagógico de Adolfo Coelho, agregado à Faculdade de Letras de Lisboa.

Licenciou-se Ciências Histórico-Filosóficas em 1931 na Faculdade de Letras do Porto, ainda deu aulas em colégios particulares do Porto e iniciou o seu estágio de professor no Liceu Nacional José Falcão (Coimbra), complementando com as cadeiras pedagógicas na Universidade de Coimbra, concluindo em julho de 1934 no Liceu Normal de Pedro Nunes, já em Lisboa. Prosseguiu a carreira docente de História e Filosofia no Liceu Gil Vicente até 1935. Fez uma breve passagem pelo Liceu Camões onde foi professor de José Cardoso Pires e Luiz Pacheco passando desde 1943 a professor da Faculdade de Letras de Coimbra e a partir de 1947, na de Lisboa, onde se tornou o primeiro professor catedrático de Pedagogia em Portugal, em 1950. Regeu as cadeiras de História da Educação, Organização e Administração Escolares,  História da Filosofia Antiga, Pedagogia e Didáctica, e Psicologia Escolar e Medidas Mentais. Foi também foi professor de Psicologia e Sociologia no Instituto de Altos Estudos Militares entre 1955 e 1962.

Como filósofo ligou-se ao Círculo de Viena onde esteve como bolseiro em 1935 e, no ano seguinte em Berlim e no University College de Londres para onde se exilara parte do Círculo de Viena, sendo que regressado a Portugal logo partiu como leitor na Universidade de Berlim em 1937, onde conheceu o pensamento de Nicolai Hartmann, Eduard Spanger e Martin Heidegger, tendo o primeiro orientado a sua dissertação sobre Conhecimento e Realidade que lhe valeu o grau de doutor pela Universidade de Coimbra, após o que voltou a Berlim até 1942. Da sua vasta obra destaquem-se  Situação Valorativa do Positivismo (1938), Da Filosofia (1939), Conhecimento e Realidade (1940), Psicologia e Caracterologia (1943), Fundamentação Existencial da Pedagogia (1946).

Refira-se ainda que Delfim Santos já desde 1972 contava com a atribuição do seu nome à então Escola Preparatória de São Domingos de Benfica.

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua da médica Adelaide Cabete que também foi professora de Higiene

Freguesia de Carnide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias)

Mais conhecida como propagandista republicana e feminista, a médica Adelaide Cabete também foi professora de Higiene e Puericultura do Instituto Feminino de Odivelas e em 1976 foi homenageada com a atribuição do seu nome a uma rua da Urbanização da Quinta dos Condes de Carnide .

Adelaide Cabete deu nome ao Impasse 1 do Plano de Urbanização da Quinta dos Condes de Carnide (Unor 36), pelo Edital municipal de 19/06/1976 que colocou toponímia exclusivamente feminina nessa Urbanização com a Rua Ana de Castro Osório (Rua B),  a Rua Maria Veleda (Impasse 3 e 4) e a Rua Guiomar Torresão (Rua E). Em 31/01/1978 um novo Edital acrescentou mais topónimos femininos no local: Rua Maria Brown (Rua C), Rua Públia Hortênsia de Castro (Impasse 2), Rua Adelaide Félix (Impasse 5) e Rua Manuela Porto (Impasse 6).

Adelaide_Cabete 2Adelaide de Jesus Damas Brasão Cabete (Elvas/25.01.1867 – 14.09.1935/Lisboa) foi uma médica e propagandista do feminismo em Portugal, que apesar de apenas ter começado a escolaridade depois de casar com o republicano Manuel Fernandes Cabete, concluiu o curso de medicina aos 33 anos, na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, corria o ano de 1900, defendendo a tese de licenciatura «Protecção às mulheres grávidas pobres» e assim abriu em 1907 um consultório de médica obstetra e ginecologista na Baixa lisboeta, primeiro no 2º andar do nº 153 da Rua da Prata, que depois mudou em 1908 para a Rua Áurea nº 267 – 2º, e alterou novamente a partir de 1910 para a Praça dos Restauradores nº 13- 2º, com a sua sobrinha dentista Maria Brazão, onde deu consultas gratuitas para mulheres com baixos rendimentos e tornou também a sede do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.

Durante 17 anos, Adelaide Cabete foi também Professora de Higiene e Puericultura do Instituto Feminino de Odivelas,  tendo também dirigido um curso com a mesma temática na Universidade Popular Portuguesa, para além de ter redigido dezenas de artigos de carácter médico–sanitário em que manifestava preocupações sociais, assim como publicou as obras Papel que o Estudo da Puericultura, da Higiene Feminina, etc. Deve Desempenhar no Ensino Doméstico (1913), Protecção à Mulher Grávida e A Luta Anti-Alcoólica nas Escolas, ambos em 1924.

Empenhada na defesa dos ideais republicanos fundou em 1914  o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, que presidiu durante mais de vinte anos e já antes, em 1909, com Ana de Castro Osório e Fausta Pinto de Gama, havia criado a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, movimento ligado ao partido republicano que apoiou a queda da monarquia constitucional. Adelaide Cabete reivindicou para as mulheres o direito a um mês de descanso antes do parto e o direito ao voto. Também fundou e dirigiu a revista Alma Feminina , entre 1920 e 1929, para além de colaborar com numerosas publicações periódicas como Educação SocialO Globo,  A Mulher e a Criança, O Rebate. Em 1925, Adelaide Cabete organizou em Lisboa o I Congresso Feminista e de Educação e  passados 3 anos, logo um segundo, assim como fez os primeiros congressos abolicionistas da prostituição.

Adelaide Cabete foi também Louise Michel na Maçonaria e chegou mesmo a Grã-Mestra do Areópago Teixeira Simões (1926), sendo que em 1929 foi com o seu sobrinho Arnaldo Brazão para Angola desiludida com a implantação do Estado Novo e só voltou em 1934, já doente, estando sepultada no Cemitério do Alto de São João em Lisboa.

Freguesia de Carnide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua do professor da Escola Naval Carlos Testa

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

O 1º professor de Direito Internacional Marítimo na Escola Naval, Carlos Testa, desde a publicação do Edital municipal de 08/06/1903 que dá nome a uma artéria alfacinha situada entre a Avenida António Augusto de Aguiar e o Largo de São Sebastião da Pedreira.

Carlos André Testa (Lisboa/14.09.1823 – 20.02.1891/Lisboa), filho do genovês José Testa e da piemontesa Natalina Guidoti, seguiu a carreira de oficial da marinha chegando até ao posto de contra-almirante (em 1890), tendo sido encarregue na 2ª metade do século XIX da renovação da frota portuguesa. Em paralelo, tornou-se também especialista em questões de Direito Internacional Marítimo e nessa qualidade foi membro de júri para a escolha de cônsules, para além de ser o 1º professor desta cadeira na Escola Naval, nomeado em 1864 e em definitivo em 1866, tendo sido jubilado em 1884. Publicou ainda vários trabalhos dos quais se destacam Princípios Gerais e Regras Práticas de Direito Internacional Marítimo (1882), Portugal e Marrocos Perante a História e a Política Europeia (1888), Questão de preferência na aquisição de navios de guerra (1890) e Incidentes da política externa de Portugal, ou títulos de recomendação na escolha das suas alianças (1890).

Enquanto deputado do Partido Regenerador Carlos Testa foi eleito pelos círculos de Alenquer (1868-1869) e de Seia (1875-1878), tal como em 1887 foi eleito par do reino por Beja, altura em que apresentou um projeto de lei para proibir as touradas (no prazo de dois anos) e a construção de novas praças de touros ou a reconstrução das existentes.

Como nota final, recorde-se que Carlos Testa assentou praça aos 15 anos, em 12 de agosto de 1838,  e casou aos 48 anos, no dia 17 de abril de 1871, na Igreja da Encarnação, com Josefina Constância Bobone, então com 31 anos, já que nascera em 8 de outubro de 1839.

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do professor de Arqueologia Leite de Vasconcelos

Freguesia de São Vicente (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Vicente
(Foto: Sérgio Dias)

José Leite de Vasconcelos, médico que foi professor universitário de Arqueologia e o primeiro diretor do Museu Nacional de Arqueologia, chegou à toponímia de Lisboa oito anos após o seu falecimento, pelo Edital municipal de 13/05/1949, a dar nome à Rua B à Quinta do Ferro.

Pelo mesmo Edital foram dados mais 6 nomes de figuras que foram professores universitários, filólogos ou historiadores, a saber, a Rua José Maria Rodrigues e a Rua Agostinho de Campos na freguesia de Alcântara, assim como a Rua Braamcamp Freire, a Rua Adolfo Coelho, a Rua Sousa Viterbo e a Rua David Lopes no Bairro da Quinta dos Apóstolos, na  freguesia da Penha de França.

Ilustração Portuguesa, 1926

Ilustração Portuguesa, 1926

José Leite de Vasconcelos Cardoso Pereira de Melo (Ucanha/07.07.1858 – 17.05.1941/Lisboa), médico formado pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto em 1886 com a dissertação de licenciatura «A Evolução da linguagem» preferiu antes dedicar-se a ser professor universitário, etnógrafo, arqueólogo, filólogo e museólogo.

Assegurou os seus estudos na Escola Médico-Cirúrgica do Porto a trabalhar num liceu e num colégio,  e foi no decorrer do curso que escreveu Tradições Populares Portuguesas e editou o opúsculo Portugal Pré-Histórico (1885). Finda a licenciatura exerceu durante seis meses as  funções de subdelegado de Saúde do Cadaval. Todavia, Leite de Vasconcelos acabou por fixar-se em Lisboa como conservador da Biblioteca Nacional de Lisboa durante 23 anos (a partir de 1888), professor do Liceu Central de Lisboa e mais tarde, da Faculdade de Letras (de 1911 a 1929), como docente de Filologia Clássica, área em que se havia doutorado em 1901, na Universidade de Paris, com a tese «Esquisse d’une dialectologie portugaise», para além de reger as cadeiras de Numismática, Epigrafia e Arqueologia.

Leite de Vasconcelos empenhou-se na criação de um museu dedicado ao conhecimento das origens e tradições do povo português, de que nasceu em 1893 o Museu Etnográfico Português (hoje Museu Nacional de Arqueologia). Inicialmente numa sala da Direção dos Trabalhos Geológicos, foi transferido em 1900 para uma ala do Mosteiro dos Jerónimos até ser inaugurado a 22 de abril de 1906. Quando se aposentou em 1929 o Museu Etnológico de que foi diretor passou a ter o seu nome Museu Etnológico do Doutor Leite de Vasconcelos e o homenageado dedicou-se então à publicação dos vários volumes da Etnografia Portuguesa.

Refira-se finalmente que Leite de Vasconcelos viveu em Lisboa, no nº 40 da Rua Dom Carlos de Mascarenhas, e nessa casa colocou a edilidade uma lápide dessa memória, no dia 7 de março de 1944.

Freguesia de São Vicente (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de São Vicente
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua do homem de teatro Álvaro Benamor

Álvaro Benamor em 1972 (Foto: Henrique Cayolla, Arquivo Municipal de Lisboa)

Álvaro Benamor em 1972
(Foto: Henrique Cayolla, Arquivo Municipal de Lisboa)

Homem do século XX, Álvaro Benamor foi um homem de teatro que o fez nos palcos, no cinema, na rádio e na televisão, para além de o ensinar nas aulas que dava no Conservatório de Lisboa e passou a dar nome à Rua 1 da Urbanização da Cerâmica de Carnide, 23 anos após a sua morte, por Edital de 20/09/1999. Na Rua 2 da mesma urbanização foi também a atribuída a Rua José Gamboa, com a legenda «Actor/1902 – 1978», com quem também em 1973 havia sido galardoado com o Oficialato da Ordem Militar de Santiago de Espada.

Freguesia de Carnide (Foto : Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Foto : Sérgio Dias)

Álvaro Benamor (Lisboa/04.05.1907 – 12.09.1976/Lisboa) estreou-se como ator no ano de 1928, na Companhia Rey-Colaço/Robles Monteiro e ficou famoso como galã, sobretudo depois do seu primeiro grande papel em O Romance, onde contracenou com Amélia Rey Colaço. Integrou também as Companhias do Avenida, do Maria Matos, do Teatro d’ Arte de Lisboa, do Nacional de Teatro de A. M. Couto Viana e do Monumental. A sua última vez em palco ocorreu na peça de Strindberg A Dança da Morte, na Casa da Comédia. Como encenador, trabalhou na Companhia de Ópera do Teatro da Trindade e ainda foi Professor de Arte de Representar e Encenação, no Conservatório Nacional, a partir de 1959.

Ainda como ator, participou nos filmes Matar ou Morrer (1950), de Max Nossek e em A Garça e a Serpente (1952), de Arthur Duarte.

Em 1956, fez um estágio na estação de televisão italiana (RAI) para logo no ano seguinte se estrear como realizador da recém-nascida RTP, inaugurando o programa de Teatro, para além de ter feito teatro radiofónico, tanto mais que durante mais de 20 anos foi o director do Teatro das Comédias na então Emissora Nacional. Ainda gravou em disco temas infantis como A Menina do Mar de Sophia de Mello Breyner Andresen.

Alfacinha de nascimento, Álvaro Benamor viveu durante muitos anos no 4º andar direito da nº 24 da Rua de Santana à Lapa.

Freguesia de Carnide (Planta : Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Planta : Sérgio Dias)