A Rua da mulher que deu nome ao primeiro Liceu Feminino

Maria Amália Vaz de Carvalho, em 1911, em Cascais (Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

Maria Amália Vaz de Carvalho, em 1911, em Cascais
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

Maria Amália Vaz de Carvalho, escritora e jornalista, que desde o final do séc. XIX pugnou pela existência de um Liceu feminino em Portugal, acabou por dar o seu nome ao primeiro existente no nosso país – na década de trinta do séc. XX –  e passou também a topónimo de uma artéria de Alvalade, cerca de 29 anos após o seu falecimento.

Foi pelo Edital de 25/01/1950 que a edilidade lisboeta atribuiu à Rua 32 do Sítio de Alvalade o nome de Maria Amália Vaz de Carvalho, com a legenda «Poetisa e Escritora/1847 – 1921». Pelo mesmo documento fixou na toponímia da cidade  mais 11 nomes de escritores: Marquesa de Alorna (Rua 20),  Acácio de Paiva (Rua 21), Guilherme de Faria (Rua 21 A), José d’Esaguy (Rua 22), D. Alberto Bramão (Rua 22 A), José Duro (Rua 23), Alberto Osório de Castro (Rua 24), João Saraiva (Rua 25),  Epifânio Dias (Rua 33),   Eduardo de Noronha (Rua 33 A) e Raul Brandão (Rua 38 A).

Maria Amália Vaz de Carvalho (Lisboa/01.02.1847 – 24.03.1921/Lisboa), nos muitos artigos que escrevia, pugnou  para que houvesse um liceu feminino em Portugal e em 1885, D. Luís assinou o decreto-lei que criou a Escola D. Maria Pia para o sexo feminino e a Câmara Municipal de Lisboa instalou-a no Largo do Contador-Mor. Contudo, só em 1906, um decreto de D. Carlos I criou o primeiro liceu feminino e apenas em 1911, o Liceu Maria Pia acabou por ser transferido para o Palácio Valadares, no Largo do Carmo, que um decreto de 1917 de Sidónio Pais denominou Liceu Central de Almeida Garrett. As  instalações definitivas do Liceu Feminino só vieram no ano escolar de 1933-34 e aí ficou como  Liceu Feminino de Maria Amália Vaz de Carvalho, na Rua Rodrigo da Fonseca, a partir do traçado do Arqº Miguel Ventura Terra de 1913 e terminado pelo Arqº António do Couto.

Maria Amália Vaz de Carvalho foi a primeira mulher a ingressar na Academia das Ciências de Lisboa, eleita em 13 de junho de 1912, e a sua casa no nº 7 da Travessa de Santa Catarina foi o salão literário onde conviveu com Antero de Quental, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Guerra Junqueiro, Conde de Sabugosa, Bulhão Pato, Sousa Martins, Bernardino Machado e João de Deus, entre muitos outros.

Na literatura, estreou-se em 1867 com o poema «Uma Primavera de Mulher» mas a sua obra maior é Vida do Duque de Palmela D. Pedro de Sousa Holstein/1898-1903. O conjunto da sua obra é versátil e junta poesia, contos, ensaios, biografias e crítica literária. Casada desde 1874 com o poeta Gonçalves Crespo,  também inscrito na toponímia de Lisboa, escreveu em parceria com ele Contos para os nossos filhos (1886) que foram aprovados pelo Conselho Superior de Instrução Pública para utilização nas escolas primárias.

Após enviuvar, Maria Amália Vaz de Carvalho tornou mais intensa a sua colaboração com a imprensa periódica porque daí retirava o seu salário, através de crónicas de crítica literária e opiniões sobre ética e educação. Escreveu em várias publicações portuguesas como o Diário Popular,  Artes e Letras, Branco e Negro, Brasil-Portugal, Contemporânea, A Ilustração Portuguesa, A Mulher, O Ocidente, Renascença, Repórter, A semana de Lisboa, bem como no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro e, chegou a usar o pseudónimo de Maria de Sucena.

Refira-se ainda que a Casa Maria Amália Vaz de Carvalho, em Cascais, também conhecida por Vila D. Pedro, foi mandada construir, em 1903, pelos terceiros Duques de Palmela para a oferecerem à escritora que tinha sido a autora da biografia do primeiro Duque de Palmela, D. Pedro de Sousa e Holstein.

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

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